terça-feira, janeiro 17, 2017

Ciao!


O banner é antigo. E infelizmente, a partir de agora, desatualizado.
Harlequin Brasil suspendeu a publicação dos Históricos.

Isso mesmo que você leu. Já havia uma desconfiança desde que os lançamentos de janeiro foram divulgados no site e não havia o histórico do mês. Até que a Ly Cintra compartilhou a resposta que recebeu da editora.

O tema foi intensamente discutido no grupo das Queridas, os blogs parceiros, nesta terça. A título de curiosidade, não houve publicação oficial da editora por lá para dar uma satisfação.


Achei na internet. Se alguém souber o criador, me fala para dar o crédito!

Como blogueira, estou me sentindo um lixo, diante desta situação que deixa a leitora aqui ao mesmo tempo triste e com muita raiva. Para que entendam o motivo, terei que abusar da paciência de vocês com a minha singela história pessoal.

O primeiro livro adulto que li – fora os contos de fadas, os paradidáticos, as enciclopédias e os amados da Coleção Vaga-lume – foi um romance histórico: Ilusões de Amor, Jennifer West , aos 12 anos.

(sim, merece uma resenha melhor. Será feita. Está aguardando apenas eu conseguir um novo exemplar, porque o meu foi “afogado”). 

Eu o encontrei na estante da minha prima, pedi emprestado, ela perguntou à #MadreHooligan se podia, fui autorizada e pronto: leitora compulsiva ampliou a área de atuação para sempre. Exatamente, comecei nesta vida pelos Históricos e só depois cheguei nas autoras contemporâneas. 
1ª pausa rápida no texto: sei que agora está na moda chamar Romance de Época. Entendo e respeito. Mas ainda prefiro chamar de Romances Históricos, por permitir designar livros com tramas que se passam antes de Cristo até a 2ª Guerra Mundial – o que abrange as idades Antiga e Média, Renascimento, Descoberta da América, Colonização Americana, Imigração da Europa para o Novo Mundo, Guerra da Secessão, Regência, Revolução Francesa, Independência Americana, Napoleão, Colonização da África e da Oceania, período Vitoriano, Revolução Industrial, 1ª Guerra Mundial, Anos 20, Grande Depressão e 2ª Guerra. (Essa divisão temporal é exclusiva da minha cabeça insana. Nunca vi definição oficial. Se encontrar seria até muito útil)
Volta e meia comento na saudosa parceria Nova Cultural-Harlequin, onde a gente tinha acesso a muitos romances históricos ótimos publicados no selo Clássicos da Literatura Romântica. Primeiro emprestados. Depois, com a ajuda do sebo, já consegui comprar muitos (mas sempre falta algum) e uma parcela deles já apareceu no Baú da Beta no Literatura de Mulherzinha. Depois que cada editora foi para um lado, vieram várias autoras que nunca tinha ouvido falar. 

  


Todas elas contribuíram na minha formação como leitora. Ajudaram a moldar meus gostos, minhas exigências, meu olhar para a construção de uma história.

Todos foram publicados no formato banca.

Comprei na banca da pracinha do bairro ou nos sebos (a maioria, que não recebi via parceria). 
2ª pausa rápida no texto: agora vem aquela parte chata – e eterna – sobre o preconceito sofrido por quem se manifesta abertamente como leitora de romance de banca. “Mas você lê isso?” Sim, leio. Sim, nem todos são perfeitos (quer o exemplo de um que está na minha lista da antipatia eterna e eu fui criticada por dizer isso?) – mas no formato livraria, clássico, internacional. Sim, muitos deles são construídos em cima de clichês – mas não é “privilégio” deles: cinema, teatro, novela, seriado, livros de “grife” deitam em rolam em cima do “mais do mesmo” e às vezes nem se dão ao trabalho de disfarçar isso. Mas é lendo que a gente identifica e separa o joio do trigo e decide com qual dos dois quer se alimentar. Menosprezar porque é mais barato que outras opções semelhantes. Porque está ali na banca da esquina. Porque não tem “grife”... Enfim, já tem textão sobre isso no Literatura de Mulherzinha: fique à vontade! 
Então, vocês entendem porque eu estou lamentando a decisão de “suspender”. As aspas são porque, depois de anos nesta indústria vital (Literatura de Mulherzinha completa 12 anos em abril, fora toda a experiência prévia como leitora compulsiva), sei que isso pode ser um eufemismo tipo “diga tchau, Lilica” ou “perdeu, blogueira”. Ou direto no povão: dançamos. Não volta. Pelo menos não como nós conhecemos.

   

Na melhor esperança, pode voltar no formato livraria. O que seria muito comemorado. Até mesmo por saber que há interesse (afinal de contas, vocês não acham que fui a única neste Brasil il il que cresceu lendo os Históricos e gostou, né?) e havia uma carência monstro, várias editoras estão lançando série atrás de série (estou escrevendo de memória, portanto se deixei alguém de fora, acrescentem por favor nos comentários).

A Arqueiro investiu uma fortuna (não sei quanto mas é ÓBVIO que barato não foi) e temos Sarah MacLean, Loretta Chase, Lisa Kleypas, Mary Balogh e vai trazer um box da Julia Quinn em fevereiro e a própria Julia Quinn de novo em março (alguém diga a ela que eu amo o Benedict Bridgerton, por favor? Eu diria, mas ela teria que vir tomar café com broa e pão de queijo aqui em Minas) e tem série da Eloisa James vindo aí neste ano. 

A Planeta trouxe a Nicole Jordan e a Megan Maxwell.

A Gutemberg colocou nas prateleiras Tessa Dare e Sarah MacLean.

Selos do Grupo Editorial Record também tem suas estrelas: Patricia Cabot e Georgette Heyes e, nem me atrevo a deixar de fora, a Carina Rissi com as aventuras de Sofia e Ian pelo tempo.

Lucy Vargas publicou sua série histórica na Editora Charme e estamos viajando pela Escócia com a série da Maya Banks pela Universo dos Livros.

E própria Harper Collins (leia-se dona da Harlequin no Brasil) está lançando uma série da Stephanie Laurens

Ou seja, ainda temos uma esperançazinha. Pequena. Um fiapo. Melhor que nada. 
3ª pausa rápida no texto: se você pensou “ah, mas você estava gongando os livros de formato livraria ali em cima e agora vem pagar de tiete”, volte e releia o texto. Estou gongando quem usa isso como motivo para torcer o nariz para os livros de banca sem conhecer. Pelamor, nunca ouviu o ditado: “Não julgue um livro pela capa?” O que importa é o conteúdo. Essas autoras que citei e outras que me esqueci enquanto escrevo este texto desabafo são boas publicadas de qualquer maneira: banca, livraria, mangá, papiro, audiobook. Quem gosta de ler quer histórias de qualidade e torce para que o orçamento espremido pela crise permita sempre a compra do “próximo”. 
A maior prova disso vem aí: Bodas de Fogo, de Deborah Simmons, um dos mais amados, incensados e desejados livros de banca finalmente será relançado no Brasil no formato livraria pela Editora Bezz

Não conheço uma pessoa que tenha lido e não tenha se apaixonado pela saga da intrépida Isadora (Aisley, no original) e o temido Cavaleiro Vermelho, Piers de Montmorency.

Para encerrar, a sabemos que pode ser uma parte de um problema ainda maior.

Como disse a Flavinha no grupo das Queridas, o temor é que a suspensão dos Históricos seja um capítulo antes do ponto final da Harlequin no Brasil. 

“Sobrevivemos ao fim da Nova Cultural. Sobreviveremos ao fim da Harlequin Brasil”.

  

Se isso ocorrer, posso afirmar a vocês que os romances de banca, seja do meu acervo, do sebo, das trocas com as outras leitoras sempre terão espaço, carinho, a defesa e as críticas merecidas aqui no Literatura de Mulherzinha.

Seguiremos em frente. Lendo. Amando. Compartilhando. Simples assim.

 
Enfim, era só isso tudo que queria desabafar. Obrigada a você que teve a paciência de ler até aqui.

Bacci!!!!

Beta

ps: Enquanto isso, a Harlequin Internacional escolheu justamente a segunda quinzena de janeiro para realizar uma grande promoção em torno dos Romances Históricos: curiosidades no Instagram e no Facebook; chamada no Twitter e um hotsite só para isso.


Definição de ironia cruelmente atualizada pela vida...
Reações:

22 comentários :

  1. Preocupado com isso. E nada deles terminarem as séries da Lori Foster e da Linda Lael Miller.

    ResponderExcluir
  2. Querida Beta, creio que a maioria de nós tem em comum o fato de ter começado a ler por romances da nova cultural e pelo visto também no quesito de romance histórico. Foi doloroso demais ver que suspenderam os históricos, pois apesar de lê-los pouco hoje em dia é um selo pelo qual tenho carinho e não tem nada mais gostoso que sentar e ler um livro até o fim com sentimento de contentamento.
    Ainda sobre a discussão la no grupo concordo com a parte de que ainda muita gente torce o nariz pro livro de banca, mas nunca nem leu pra saber como é bom!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  3. Beta! Também estou de coração partido e muito preocupada desde o final de 2015 quando a Harper Collins assumiu e os romances da Harlequin começaram a não chegar com frequência nas bancas!
    Eu sou a chata que vive marcando eles no twitter cobrando essa falta de pontualidade nos lançamentos.
    E quando não vi o Histórico entre as novidades do mês o coração quebrou de vez.
    Caso aconteça mesmo o fim, vamos mesmo sobreviver! Mas, vai doer bastante...
    Obrigada por dar voz a minha angústia. É sempre bom saber que não estamos sozinhas entre as alegrias e as tristezas literárias.

    Abração!:*

    ResponderExcluir
  4. Caramba, uma pena que suspenderam os livro, imagino que seja porque os romances de época mais atuais roubaram o foco dos históricos, não sei direito! Uma pena!

    www.memoriasdeumaleitora.com.br

    ResponderExcluir
  5. Olha, eu também fico muito triste com a suspensão desse tipo de literatura, porque na minha juventude, lembro de ler vários desses livros, romances que alguns acham que é muito simples e para garotas sonhadoras, mas que faz toda diferença pra quem gosta de sonhar mesmo com finais felizes! Eu amava, depois a gente vai crescendo e ficando rabugenta (eu... kkkk), mas ainda gosto de um bom romance. Resenha maravilhosa. Vamos fazer uma campanha suplicando a volta deles!
    Abração,
    Drica.

    ResponderExcluir
  6. Poxa, que chato isso. Entendo perfeitamente seu sentimento de tristeza e revolta. É algo com o qual nos vinculamos e temos carinho e, de repente... puf. Triste mesmo.

    ResponderExcluir
  7. Olá! Que triste! Já li vários livros da editora, como você disse, os romances de banca, as histórias eram tão lindas e fortes! Nossa, dói o coração saber disso! Triste demais! :(

    ResponderExcluir
  8. Oi beta!
    Eu sempre gostei dos romances históricos. Inclusive da Harlequin, são os únicos livros que mantenho na coleção. Os outros, sempre acabo pulando alguma edição.
    Quando vi a noticia, fiquei bem triste, pois também foram um dos primeiros livros que li na minha adolescência, e ver que hoje não tem o mesmo valor, me deixam muito triste.
    Fico na esperança que seja apenas uma jogada de MKT e como a onde agora são os romances "de época", que a editora volte a publicá-los com mais destaque.
    Bjks!
    Histórias sem Fim

    ResponderExcluir
  9. Oiii!!!

    Eu sou mega fã de romance de época mas não li nenhum livro da editora e fiquei chateada com essa notícia!
    Acho que se nós começarmos a cobrar dá editora, vai que ela mude de ideia e volte a publicar. É um nicho que vale a pena...

    Beijinhos

    ResponderExcluir
  10. Olá
    Também já li vários livros de banca durante um tempo, mas eu preferia os Bang Bangs, ao romances.
    É muito triste quando um produto que gostamos tanto é descontinuado, já passei por isso, eu colecionava um mangá, e a editora simplesmente parou de públicar T.T

    ResponderExcluir
  11. Oiii, tudo bem?
    Espero que voltem a lançar esse tipo de livro, pois parece ser bem envolvente e tocante, uma vez tipo a oportunidade de ler, porém fazia muitos anos.
    Beijinhos da Morgs!

    ResponderExcluir
  12. Olá!

    Como assim vão parar de produzir?? Assim, eu não gosto de históricos, mas a contribuição que a Harlequin deu para a história de muitas leitoras é inegável! Eu já li alguns romances de banca e são incríveis! A Harlequin não pode morrer!

    ResponderExcluir
  13. é uma perda inimaginável, para a nossa cultura. A literatura, esta indo pelo mesmo caminho, que a nossa música. Onde só o que é descartável e peromisco, ficam em evidência. Ai está o valor da nossa missão de blogueiras. Não deixar o bom da literatura cair no esquecimento. bjs não desista.

    ResponderExcluir
  14. Não costumo comprar livros de banca, mas quando saiu os lançamentos da editora percebi muitas pessoas comentando que faltava romances históricos, até me senti meio por fora, pois não costumo acompanhar os lançamentos das editora, só de algumas. Torcemos para que eles voltem! Sei que muitas pessoas querem eles de voltam e tem séries que desejam terminar.

    ResponderExcluir
  15. Olá, Beta!

    Acho que já é a terceira vez que leio este post, mas nunca encontrava tempo para comentar. Os dias têm sido bem corridos, mas decidi que seria agora ou nunca.kkkkkk...

    Primeiro de tudo: o post ficou maravilhoso! Amei! Parabéns! Dá para sentir toda a sua indignação, revolta pelo pouco caso que a editora está fazendo das preferências das leitoras e do valor que os romances históricos têm.

    Eu fiquei chocada quando soube que os históricos tinham sido suspensos pela Harlequin no Brasil, mas não surpresa. Quando recebemos o email de lançamentos e notei a ausência dos históricos já imaginei que algo ruim estava para acontecer. Primeiro foi o selo Rainha dos Romances Históricos que faz séculos que desapareceu sem explicação, depois foi o aviso de que os selos Special, Primeiros Sucessos e outros também seriam cancelados. E agora... isso. Fico me perguntando o que mais está por vir. Tenho até medo de imaginar, sinceramente.

    Você mencionou várias autoras que amo com todo o meu coração, destaque especial para a Candace Camp (não aguento o fato da Harlequin nunca mais ter publicado nada dela. Foram vários livros lançados depois lá fora e aqui nada! Não há explicação, pois os livros dela esgotam fácil, fácil!). O primeiro romance que li não foi histórico, mas era da Nova Cultural. Li centenas de livros dessa editora e quando descobri que muitos eram cruelmente cortados, me revoltei, mas nada se compara ao que senti quando a editora chegou ao fim. Parecia que um pedaço meu tinha sido arrancado. Pensei em tantas autoras que eram publicadas por ela... Ainda não consigo aceitar o fim da editora e tinha como certo que pelo menos a Harlequin permaneceria. Hoje já não tenho certeza de nada.

    Mas concordo com você: nós leitoras seguiremos em frente. Se umas editoras não valorizam nossos romances, existirão outras a valorizar. Sobretudo se nós caímos em cima delas fazendo pressão para que nossas autoras sejam cada vez mais publicadas.

    Bjs!

    ResponderExcluir
  16. Olá linda,

    Esperamos que seja apenas uma fase turbulenta na editora e não um começo do fim da editora aqui no Brasil. Vamos torcer para eles se recuperarem e publicarem novamente nossos livros maravilhosos e cheios de amor.

    Beijocas!

    ResponderExcluir
  17. Olá,
    Confesso que não li nenhuma das obras da editora e fico preocupada o quão difícil pode se tornar no futuro a leitura de suas obras caso isso seja o início do fim. Torço para que seja apenas uma fase e que em breve ela volte com tudo com os históricos!
    Adorei a postagem e nem consigo imaginar o tamanho da sua indignação ao saber a notícia.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  18. Olá.
    Genteeeee não sabia dessa noticia triste e revoltante, que pena... Lembro que os primeiros livros que li foram da Harlequin, uma pena que os históricos foram cancelados.
    Seu post ficou PERFEITO. Claramente entendo sua tristeza e revolta, qualquer um se sentiria assim... Parabéns pelo post.

    ResponderExcluir
  19. Realmente é uma noticia triste para os leitores que gostam do Gênero, afinal a editora ficou conhecida por este tipo de romance. Mas quem sabe não podemos aguardar boas novidades da editora daqui para frente.

    ResponderExcluir
  20. Olá, tudo bem? Não sou antiga no gênero, mas lembro que meus primeiros romance históricos vieram de banca da Harlequin. Não dei continuidade porque o mercado começou estourar logo depois e outras editoras começaram a trazer para as livrarias, mas sei que reconhecer que a maioria do público veio das publicações de banca. Acho um mega tiro no pé o que a Harlequin está fazendo mas esperemos que seja para um mudança. Obrigada pelo post!
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

    ResponderExcluir
  21. Me lembro de muitos desses livros nas bancas, e tipo, eu ainda não podia "lê-los", logo que pude, consegui alguns, mas fico triste com a noticia, pois acredito que seja um histórico de leitura para muitas pessoas. Enfim.

    Beijos

    Viviana

    ResponderExcluir
  22. Olá Beta! Eu confesso que já fui uma dessas pessoas idiotas que tinham preconceito com romance de banca. Logo eu, a loka das revistinhas de signo kkkkk compreendi que o que não me atraíam nesses romances eram as capas (pois é, mas uma babaquice minha). Compreendi com o amadurecimento que não se deve julgar o gosto alheio nem muito menos um livro pela capa. É, com toda certeza, muito triste que o trabalho de uma editora que ajudou tantas pessoas a entrar neste maravilhoso mundo das leituras, feche dessa maneira. Lembro que quando eu era criança, já existiam esses romances, e lá se foram 29 anos desde então. Percebi o quanto boboca eu fui, até começar a ler esse tipo de romance, aliás, o único tipo de romance romântico que eu gosto! Fico, assim como você, na esperança de que as grandes editoras continuem a trazer esses romances para nós! Bjs
    https://literakaos.wordpress.com

    ResponderExcluir