quarta-feira, agosto 15, 2018


Ciao!



Bem, eu já contei que não tenho Netflix, né? Mas isso não me impede de ler sobre séries exibidas lá.
Foi a curiosidade que me levou ao universo de Merlí e seus alunos. E gostei do que vi.

A filosofia de Merlí – Héctor Lozano e Rebecca Beltrán – Faro Editorial
(El llibre de Merlí - 2016)

O livro é interativo, apresentando os filósofos e dialogando com temas e frases ditas no seriado. Como nunca o assisti completamente (vi uma cena compartilhada no Facebook outro dia), não posso dar detalhes de qual episódio de qual temporada.

Além disso, temos comentários do autor Héctor Lozano sobre bastidores da criação de personagens e de cenas do seriado. E as respostas (na maioria irônicas e ácidas) às críticas dos espectadores. 
* Nota do autor: Já sei que é uma droga, mas, na vida real, é muito difícil encontrar professores como Merlí... Por isso eu o criei, porque a ficção pode melhorar a realidade. 
Divididos em 13 capítulos conforme os temas abordados em sala de aula, o livro percorre os temas mostrando como a filosofia, longe de parecer algo chato, velho, é atual, necessária e faz parte do dia a dia das pessoas mesmo que elas não percebam. O livro tem perguntas, atividades, desenhos, citações e desenhos dos personagens, trechos de diálogos e espaços para quem lê responder às perguntas.

- E reparei que a trama tem muito em comum com o filme que me inspirou a querer ser professora – antes de eu me decidir de vez pelo jornalismo: Sociedade dos Poetas Mortos. O professor John Keating – interpretado pelo saudoso Robin Williams – ensinou a uma turma de um colégio tradicional a pensar fora do molde imposto, a buscar sempre novos ângulos, a questionarem, a viverem mais que os pais, a sociedade, o mundo apresentava como imposição. Ele destacou que os alunos deveriam encontrar formas de aproveitar a vida antes que não fosse mais possível.


Pelo que percebi a partir do livro, Merlí tem um perfil mais de anti-herói que Mr. Keating – já que assumidamente é um personagem que não tem o comportamento bonzinho típico, nem tem as atitudes modelo (desde ações ao linguajar). Isso o torna um incômodo para alguns alunos – nem todos gostam dele –, para outros professores, que o consideram um causador de problemas ambulantes e até para a própria família. No entanto, ao contestar tudo, todos e si mesmo, Merlí força quem convive com ele a pensar.

Aristóteles falava que o melhor saber é o que não serve para nada, ou seja, saber por saber, não para obter algo em troca.

- Ao ter que pensar – seja sob a luz de qualquer um dos filósofos ou correntes apresentados ao longo do livro e (suponho) dos episódios – as pessoas passam a se conhecer melhor, a pesar melhor as atitudes e as consequências, a enxergar a si mesmo sem os filtros do “poderia ser” ou “queria ser assim”. Será que estamos vivendo ou apenas aparentando isso nas redes sociais, será que estamos abrindo mão de tempo e de experiências por medo, será que não sabemos dizer não, será que temos real noção do quanto somos capazes de magoar ou contribuir para que alguém se sinta melhor?

- Dói muito se ver como se é de verdade – nem sempre a gente é o herói que imagina ou (a) o vilã (o) como somos apontados – e a filosofia ajuda isso ao fazer a gente se questionar os nossos próprios limites. 
Quem somos?
De onde viemos?Para onde vamos?Se você não sabe responder, talvez esteja consciente de que a filosofia é muito mais do que uma disciplina banal. 
- Links: Goodreads livro e Héctor Lozano e Rebecca Beltrán; site da editora; Skoob; mais do Héctor Lozano e Rebecca Beltrán no Literatura de Mulherzinha.

Bacci!!!

Beta

domingo, agosto 12, 2018

Ciao!


É divertido, romântico à moda bruta e me rendeu uma crise de riso ao ler uma das cenas mais hilárias do ano. A minha estreia com os caubóis da Janice Diniz não poderia ser melhor.
A propósito, #MadreHooligan que – cadê a surpresa? – pegou o livro e leu antes de mim, adorou a história e já começou a perguntar quando vem o próximo.

Bruto e apaixonado – Janice Diniz – Harlequin Brasil
(2018)
Personagens: Natália Esteves e Mário Lancaster

Mário só queria resolver os problemas financeiros da fazenda e superar o acidente que tinha encerrado a carreira dele nos rodeios. Mas parecia difícil. E por isso não tinha a menor disposição em se envolver na crise que assolou Santo Cristo: as pessoas estavam revoltadas contra a empresa que adquiriu a fábrica da cidade. No entanto, ao conhecer a executiva Natália Esteves, o fazendeiro encontrou a bruta que domou o coração. Natália queria o impossível: agradar o pai. Para isso, encarou um ambiente hostil para realizar as demissões necessárias – e quando pensou que estaria sozinha, percebeu que Mário estava disposto a comprar a briga dela por ela. O que resultaria disso é que seria o problema...

Comentários:

- É uma história sem “jeito florzinha de falar”. O que é ótimo. Tem livros que pesam tanto a mão nas metáforas que eu fico me perguntando o que está acontecendo. A história vai direto ao ponto, como o protagonista: o caubói que luta por dias melhores, contra todas os problemas.
Cavala é elogio. Os meus filhos não falam mentiras floridas para agradar à mulherada. Tudo que sai da boca desses moços vem direto do coração... E também do pinto deles, é verdade.
Dona Albertina, mostrando que o DNA dos Lancaster é brutíssimo.

- Mário tinha sofrido baques em série: o acidente com o touro Killer que o fez pensar que a carreira dele nos rodeios tinha acabado e a morte do pai, Breno, advogado querido por todos em Santo Cristo, no Mato Grosso. Sem o dinheiro abundante dos rodeios, a missão de reerguer a Majestade do Cerrado era mais complicada e ele tinha preocupação de sobra do que entrar na última “novela” em andamento na cidade: como repudiar a TWA, a empresa que comprou a fábrica do Fagundes e era uma ameaça pairando nos moradores.

- Para isso, engoliu a solução sugerida de que se viesse uma mulher para comandar o processo de sedução, Mário poderia seduzi-la como ajuda na luta contra a empresa. Como uma mulher desembarcou na cidade e ele não era homem fácil de botar cabresto, teve a curiosidade de saber como ela. E aí que o trem desandou – para ele, que não esperava que “dar match” com a “dona madame” da cidade. E Mário teria que se incumbir de comunicá-la que ela era a bruta feita pra ele, protegê-la da fúria alheia e convencê-la a aceitá-lo. 
“Somos xucros no trato social e arredios no amor. Somos conquistadores, vivemos para o amor, embora nos esquivemos do compromisso – Nesse ponto ele parou e riu baixinho. – É que a gente sabe que todo vaqueiro tem a sua cara-metade, a sua bruta, a mulher que vai fazer ele passar pelo inferno antes de ganhar o céu. E, por mais que sejamos corajosos e cascudos, não queremos ficar de joelhos para o inevitável” 
- Natália era filha única de uma família aparentemente perfeita e disfuncional. A mãe não lhe dava atenção e o pai, por mais que ela se esforçasse e trabalhasse, sempre encontrava alguma objeção e preferia outra pessoa para o cargo que ela queria. Em busca do reconhecimento de que era a filha dele e de isso era suficiente, desembarcou em Santo Cristo para enxugar o quadro de funcionários da empresa que seria recolocada à venda no mercado.

- Ela encontrou ainda mais hostilidade e rejeição em estado (olha a palavra de novo, desculpa pela repetição) bruto e com isso ela não sabia lidar. Afinal de contas, o meio competitivo em que crescera – e mesmo a rejeição constante na família e demonstrada na empresa – não a preparou para ser julgada e condenada por desconhecidos antes mesmo que tivesse chance de dizer algo.

- Também não estava preparada para aquele quilômetro de homem de chapéu e botas que se plantou debaixo da janela do hotel e ganhou a atenção dela. Já que estava ali, por que não aceitar a proposta de Mário e ter um caso – apesar de ele insistir em dar outra definição – até o fim do trabalho na cidade. Afinal de contas, não havia muita chance de Natalia permanecer em Santo Cristo depois da missão cumprida. Ela tinha objetivos, metas e um reconhecimento a conquistar em São Paulo.

- Dois personagens claramente definidos e extremamente opostos em tudo vão se conhecer, se enfrentar, se bicar, se apaixonar e comprar uma briga danada contra os outros e até mesmo um com o outro. Prepare-se pra embarcar nessa jornada com eles, com direitos a mangas psicopatas, ao melhor UFC que li em um livro, às frases impagáveis e sem filtro de Albertina Lancaster, ao DNA abençoado que foi compartilhado com os irmãos Thomas e Santiago. Coloque sua bota, pegue seu chapéu, prepare uma playlist sertaneja (raiz, de preferência) e divirta-se.

Ah, sim, sobre a playlist, acho que as inúmeras citações às músicas de Chitãozinho e Xororó foram a cereja do bolo que garantiu a aprovação, a curiosidade e o interesse de #MadreHooligan. Só pra constar, claro.


Bacci!!!

Beta

ps.: E quem esteve na Bienal, viu a Janice e o Mário.... 😉


sábado, agosto 11, 2018

Ciao!



Eu adoro histórias de amor. Especialmente as bem escritas. Então não teria problema com este livro.
No entanto, é sua escolha decidir se vai ler uma história onde dois rapazes são os protagonistas.

Ele: quando Ryan conheceu James – Elle Kennedy e Sarina Bowen – Paralela
(Him - 2015)
Personagens: Ryan Wesley e James Canning

Wes e James eram amigos que se encontravam em um acampamento para jogadores de hóquei no verão. O garoto rebelde e o melhor amigo californiano que embarcavam nas aventuras e imprudências na cidade e sempre davam um jeito de escaparem. Até que um desafio mudou para sempre a amizade entre eles. Wes ficou se sentindo culpado e James não entendeu porque o amigo o rejeitou. Anos depois, os dois se reencontraram na fase decisiva de um torneio universitário e aí, bem, chegou a hora de finalmente esclarecer o que havia entre eles.

Comentários:

- Wes e James são bem diferentes. Wes era o filho de família rica onde tudo era aparências. James era um dos filhos de uma família amorosa, barulhenta e onde realmente havia amor. Wes era um atacante veloz e James era um goleiro. Os dois se conheceram em um acampamento para jogadores de hóquei e sempre se encontraram nos verões. Até que adolescentes, a amizade ficou “estremecida” após um desafio onde nenhum dos dois recuou. James não entendeu. Wes sentiu remorso.

- Ao se reencontrarem, mais velhos, a lembrança deste rompimento ainda pairava. Mas o desconforto passa e eles retomam o contato. E voltam a conviver quando Wes aceita ser um dos professores no acampamento onde eles passavam os verões – e onde James trabalhava.

- Wes era gay e não ostentava, mas também não escondia isso dos companheiros de equipe. E sempre teve um interesse pelo então melhor amigo. Só que James gostava de garotas. Como lidar com isso? Valeria a pena arriscar a amizade por algo que talvez não tivesse futuro? E poderia comprometer o futuro dos dois – que tinham propostas para irem para times de cidades bem distantes.

- Com as narrativas alternadas entre os protagonistas, a gente acompanha os dois pontos de vista da história. As dúvidas, os medos, a vontade de ser egoísta, mas sentimentos ainda confusos e a falta de coragem em dar nomes ao que realmente sentiam, o desejo insatisfeito e se valeria a pena colocar o incerto pelo ainda mais duvidoso. É uma história de amor nascido de uma amizade, do sentido de companheirismo e compreensão vivenciado por dois garotos que se tornaram rapazes. E que se perceberam atraídos um pelo outro.


- Isso envolve aceitação própria e o risco de não ser aceito pelos outros – da família, passando pelos colegas de faculdade e terminando nos torcedores dos times onde irão trabalhar. Não acompanho hóquei, mas se for parecido com o futebol, posso ter uma ideia: afinal de contas, todas as vezes que querem ofender o rival quais são os termos usados? A forma de desestabilizar e irritar favorita envolve expressões que questionam a virilidade, a masculinidade e até mesmo a mãe do oponente. Isso aconteceu até na Copa do Mundo, pra ficar no exemplo mais recente. O julgamento fará parte da trajetória de Wes e James e eles terão surpresas boas e ruins com isso.

- As autoras conseguiram tratar com naturalidade sem forçar a barra a evolução da relação deles, a partir da trajetória de cada um. Mesmo sendo dois personagens com personalidades distintas – e duas autoras com narrativas próprias – o resultado do texto é uniforme (como ocorreu no 1 +1: A Matemática do Amor). E sim, temos cenas de sexo, como teríamos em muitos livros com um casal heterossexual de amigos se descobrem atraídos, apaixonados e amando um ao outro.

- Gostei do livro por me trazer a oportunidade – assim como já tive em obras do David Levithan – de acompanhar uma história de amor por uma ótica que não irei vivenciar. Afinal de contas, não sou um garoto apaixonado pelo melhor amigo. Mas durante as páginas de Ele pude estar ao lado de Wes e James, acompanhar a jornada e torcer por eles. Gostei de estar ali, gostei do que me ensinou como ser humano e fiquei surpresa ao saber que tinha uma continuação. Acredito que gostarei de lê-la.

Dueto:
Him  Ele
Us – ainda sem título em Português

- Links: Goodreads livro, série e Elle Kennedy e Sarina Bowen; sites da Elle Kennedy e da Sarina Bowen; site da editora; Skoob; mais sobre a Elle Kennedy no Literatura de Mulherzinha.

Bacci!!!

Beta

sexta-feira, agosto 10, 2018

Ciao!





FELIZ BIENAL DE SP, PESSOAL!!!!!
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Atenção pessoal: nos dias 11 e 12 Flavinha estará na Bienal! Aproveitem por mim e deem um xêro nela!


Outras informações:
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Bacci!!!

Beta

quinta-feira, agosto 09, 2018

Ciao!!!


Agosto mês de... FELIZ BIENAL!
Para ficar mais feliz ainda, confira as novidades da Astral Cultural!

Para saber mais: informações no Site OficialFacebookInstagram e Twitter da editora!

Bacci!!!

Beta