*** Palavra de Mulherzinha: #belarecatadaedolar

Ciao!!!


(Aviso aos navegantes: post todo trabalhado e costurado na ironia e na conformação em rir para não chorar do universo de realismo fantástico em que o Brasil anda mergulhado atualmente. E se você não entendeu a hastag que dá nome ao post, por favor, pesquisa no Google, porque eu me recuso a linkar a matéria que deu origem à discussão)

Gente do céu, fui confrontada com uma triste verdade: não sou o exemplo de mulher brasileira, pelo menos, aquele desejado em verso e prosa pelo legítimo homem brasileiro.

Perdi o memorando, deu tilt, não vi a placa. Enfim, não sei o que aconteceu. Mas o fato é que a Mulherzinha se deu conta que, oh, vexame!, logo ela, que cresceu à sombra de uma overdose dos legítimos valores femininos que foram temas de páginas e mais páginas dos romances e contos de fadas.

Diante disso, tive que fazer um intensivão literário para recuperar o passo e o compasso e me tornar, enfim, alguém digna de ser #belarecatadaedolar.

Ah, talvez haja algum probleminha de interpretação de texto... Sabe o que houve? Esta pobre e desamparada Mulherzinha de identidade confusa e desorientada não encontrou nenhum homem para dar “OK” no texto. É que estavam todos festejando a família brasileira e a paz em Jerusalém. Não deixa de ser reconfortante saber que pelo menos há serenidade em algum lugar do mundo. Ops, olha só eu já tropeçando na defesa das artes das trevas delicadeza de não ter opinião antes mesmo do intensivão começar...

Vamos lá ver o que estas garotas podem ensinar.





Com Gretchen Brannon, aprendi que a gente deve manter a autoestima, mesmo quando o nosso homem está preso a um fantasma do passado. Nada como o prazer da leitura para trazer esclarecimento a mentes confusas (pra quem não conhece a história, digamos que ela faz um uso não ortodoxo da potencialidades da literatura durante uma discussão), expressar suas opiniões (mesmo que deixem canelas alheias doloridas) e estar sempre pronta, porque se um bando de mercenários profissionais fracassar, você pode ter que salvar o dia.









Houston Chandler veio do fim do século XIX para ensinar que, por pior a circunstância, devemos agir como uma dama. Se o marido resolve não ter modos e achar que só porque enriqueceu pode comprar tudo e todos pela frente, mantenha-se firme em indicar para ele o bom caminho. Se por acaso ele resolver testar se seu amor é verdadeiro mesmo se a pobreza bater à porta, pense sempre que uma dama sempre encontra solução para tudo, inclusive portas de cadeia e pensamentos masculinos obtusos.










Aurélia Camargo descobriu que o dinheiro a transformava em linda, deslumbrante, a beldade a ser admirada e conquistada na sociedade. E viabilizava o plano perfeito: a compra do o casamento com o marido que ela queria, deixar bem claro que não havia ilusões neste relacionamento e além de garantir os espinhos a felicidade que deixam a vida no lar doce lar sempre animada.










Titília, para o Demonão, Domitila de Castro para os livros de história conquistou poder na sociedade do reinado de Pedro I. Talvez ela tenha perdido também o memorando sobre casamento, mas soube agradar o homem dela (e também da irmã dela e da imperatriz) e foram felizes enquanto o relacionamento durou.









Cassandra Willows se dedicou a uma das supremas artes femininas: trabalhos manuais. É a modista da corte, a mais procurada pelas senhoras e jovens que querem se destacar na sociedade. Mas tanta criatividade não se restringe à moda e como boa dama recatada, a discrição a tornou um sucesso. Além disso, como uma mulher de verdade, aceitou os momentos de dúvidas e confusão de seu homem, porque sabia que o amor abriria os olhos dele para a verdade de seu afeto.










Tasha Harris estava satisfeita com a função social que desempenhava, mas enfrentava sérios problemas quanto ao campo amoroso. Infelizmente, teve que lidar com um rompimento traumático. E como sabemos que as mulheres são seres delicados e frágeis, ela pode precisar de ajuda para entender se o amor que encontrou é suficiente para todos os desejos que sempre alimentou.











E a Ripley Todd, uma servidora pública dedicada ao melhor para sua comunidade na Ilha das Três Irmãs. Uma pessoa racional e sensata que não se deixa levar pelas lendas sobrenaturais do local. Ela tem que lidar com um rapaz inteligente e um tanto determinado em discordar dela. Mas uma dama sabe se controlar e conduzir a situação para o melhor desfecho para todos.








 


Quer mais sorte que a família De Burgh? O DNA da família foi enriquecido com a contribuição da delicadeza de Marion, da beleza e doçura de Elene e da liderança de Bethia, três jovens mulheres sempre atentas aos menores desejos de seus companheiros e disposta a tudo para agradá-los, porque contam com eles para salvá-las dos perigos de ser mulher na idade média.





Sofia Stanton-Lacy mostrava outra qualidade que as verdadeiras mulheres devem ter: a generosidade. Após ter uma vida não tão como a sociedade manda, soube se adaptar perfeitamente aos costumes dos bem nascidos na Inglaterra. Diante de algumas confusões, ela demonstrou ser uma alma boa e solidária que se compadece das desventuras alheias para ajudar seus parentes.













Druanna “Drue” Duxton foi forçada ao sacrifício supremo. Deixar de ser uma dama para poder viver. Mas para sorte dela encontrou um homem que saberá reconduzi-la ao caminho virtuoso da doçura e da feminilidade e poderá finalmente ser o que sempre se esperou.








Leia lembra o verdadeiro papel de uma princesa: sorrir, acenar, ser gentil e a representação da graça de seu povo. Afinal de contas, é a contribuição dela para a harmonia em uma galáxia bem conduzida por homens inteligentes e de bem.













Isadora de Lacy! Essa sim é uma das damas a ser imitada. Sabia que precisava de um marido e escolheu um baita partido.Bela, modesta e recatada, fez o que se espera de uma mulher sensata: não deu atenção aos rumores sobre o escolhido. Inundou a casa dele com luz e amor, fazendo-o compreender como ela era importante e necessária para ser a melhor castelã que Dunmurrow.












A amável Frejya Bedwin passou pelo pesadelo de toda moça de família: perdeu pretendentes ideais não só uma, mas duas vezes. Mas agora estava tudo certo porque encontrou o marido ideal e viveu um relacionamento sereno, sensato e racional com ele, porque as damas sabem como se comportar adequadamente na sociedade civilizada.











A servidora pública Eve Dallas realizou o sonho cor-de-rosa de toda garota não importa quanto tempo passe: encontrou o príncipe encantado. Desta forma, ela poderia finalmente ter tudo aquilo que todas as mulheres sonham: um lar, filhos e um marido rico a perder de vista para cuidar.

Viram que lindo? Que maravilha!
Até parece!
Fim do intensivão e aprendemos neste episódio que os livros, como a vida, englobam diferentes histórias. Diferentes tipos de mulheres. Um infinito de possibilidades.
Os preconceituosos sempre reclamaram comigo que estes romances eram perigosos por alimentar nas mulheres um conformismo em relação a um papel social que já não deveria ser uma camisa de força.
E agora, eu que aprendi a separar joio do trigo e refletir os prós e contras das situações, me vejo sonhando que a literatura me ajude a criar uma realidade onde o jornalismo ainda é útil à sociedade e as mulheres são celebradas pela liberdade de fazer a escolha que quiserem para a própria vida, sem que uma equivalha a demérito da outra. 
Lembrem-se do lema da Acadêmicos do Salgueiro: nem melhor, nem pior, apenas diferente.
E o homem, mulher, ser sobrenatural ou apenas de ego inchado que achar que meu lugar é na cozinha e meu ser deve se concentrar no bordado, esteja ciente que pode procurar outra freguesia pra cantar de galo ou galinha ou mensageiro do esterótipo perdido.
Minha vida.
Meu corpo.
Minhas escolhas.

E tenho dito!

Arrivederci!!!

Beta

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