domingo, dezembro 16, 2012

Ciao!!!


Durante uma ida ao sebo, em dia de fúria consumista com recursos orçamentários (algo que acontece raramente ou em dias de muito desespero), trouxe para a minha coleção dois livros do Sidney Sheldon. Já tive uma fase, na época em que eu era praticamente um GPS na biblioteca pública (tinha um radar apuradíssimo para achar os livros que eu queria em qualquer prateleira), de devorar livros do autor. E todos que li foram por empréstimo da biblioteca municipal – na época, ainda não tinha dinheiro para começar a montar a minha biblioteca. Agora, aos poucos, estou reencontrando estes livros e trazendo pra casa... E A ira dos anjos é um caso muito incomum na minha vida – o que resulta em um post atípico no Literatura de Mulherzinha. É que eu comprei o livro, mas não pretendo relê-lo. Ele vai pro armário, de preferência, perto dos outros livros do autor.

O motivo é simples: este livro é um grande trauma na minha vida. E este post é sobre isso. Estou escrevendo de memória, portanto, se cometer alguma bobagem, me perdoem.



Eu gosto do estilo do Sidney Sheldon. Porque os livros dele você consegue imaginar o filme (porque ele teve esta experiência de roteirista, além de conhecer e ser amigo de vários artistas de Hollywood). As tramas geralmente envolvem uma mulher (que as circunstâncias tornam forte ou endurecida), em uma jornada em busca de poder, de dinheiro, de sucesso, de reconhecimento e de amor. No caminho, terão amigos, inimigos, sofrerão com falsos amigos, terão quedas e se reconstruirão – uma mistura que já ouvi definir como novela mexicana com erotismo (em alguns casos, sexo). Tirando este veneno final, não sei se a descrição serve para todos os livros, mas ajuda a resumir bem muitos que li.



A Ira dos Anjos (Rage of Angels – 1980) se passa em um contexto que os cinemas e seriados americanos tornaram muito comum para nós: os bastidores dos tribunais, escritórios de advocacia, combate ao crime. E é um livro que se desenrola em ANOS. Ou seja, você tem tempo de acompanhar as consequências das decisões tomadas pelos personagens. No caso temos a protagonista, Jennifer Parker, uma jovem advogada, idealista (sim, do tipo que quer mudar o mundo) que chega a Nova York, em 1969, para trabalhar na promotoria distrital. Na época, eles estavam investigando um homem acusado de ligações com a máfia, Michael Moretti (genro de um dos cinco grandes capos de NY). No entanto, por mais que houvesse evidências, era muito difícil pegá-lo, porque sempre faltavam provas ou testemunhas vitais. E naquela vez, eles tinham esperança de conseguir... até que um erro cometido por Jennifer estragou tudo. Por causa disso, ela foi inclusive ameaçada de perder a licença – quando conheceu Adam Warner, um dos encarregados do caso dela.

A partir daí, temos estabelecido o triângulo amoroso do livro: Jennifer e Adam se apaixonam, mas ele já está comprometido com quem se espera dele, Mary Beth, uma mulher que o ajudaria ainda mais a subir na carreira. E Jennifer acaba despertando o interesse de Michael Moretti, que não sossega até conquistá-la. Se com Adam era baseado no romance e amor, entre Jennifer e Michael impera o tesão e, de certa forma, a adrenalina de saber que está com a pessoa errada em todos os sentidos (ele também era comprometido: casado, com família e, ainda por cima, mafioso). Mesmo assim, ela não conseguia resistir nem racionalizar. E quando se dá conta, foi longe demais, longe dos ideais que a levaram para Nova York, longe de uma carreira sem máculas e longe do único homem que amou de verdade. Nem pense em finais mágicos felizes, aqui não é filme da Disney, todas as escolhas têm consequência – e como acompanhamos a história deles por anos, vamos vendo cada um colhendo diante do que plantou.




O que me leva ao motivo do trauma. Não estou dizendo que Jennifer não merecesse punição pelas decisões erradas que tomou. Seria muito injusto que ela acabasse o livro felizona da vida. Também não estou dizendo que o que acontece no livro é ficção. Acontece na vida real, infelizmente, todos os dias. Talvez o erro tenha sido da minha cabeça adolescente (li este livro no ensino médio, então tinha entre 15 e 17 anos) de achar que tudo poderia se resolver sem tanto sofrimento. Porque a tal decisão que toma o autor – que, na minha opinião, até justifica o título – é muito dura. E a forma como ele escreve faz com que você mais que veja a cena, você se sente dentro dela. E se ainda adolescente aquilo doeu para mim, agora seria insuportável ao ponto de me fazer interromper o livro, algo que não costumo fazer nem com histórias que me enervam. Não dá pra ler a parte e sair imune. Eu fiquei em estado de choque, achei que tinha lido errado e voltei o capítulo para ler de novo. Não adiantou, não mudou o que aconteceu. Li em uma entrevista do Sidney Sheldon onde ele contou que não imaginou a repercussão que teria esta parte e que o retorno que recebeu do público variou entre o choque, a indignação e a raiva. Ao ponto de, quando o livro foi adaptado para a TV, ele se sentiu obrigado a alterar este trecho.



Pois bem, a partir do tal acontecimento, eu perdi a vontade pelo livro. Fiquei chateada e triste, então, o que acontecesse, pouco me importava mais. De certa forma, acabei refletindo a reação da personagem – eis o problema de livro que te captura e te joga lá dentro. Quando acontece essas “armadilhas”, é um custo para poder sair e deixar para trás. E quando terminei, devolvi na biblioteca e nunca mais o li. Até este ano, ao encontrá-lo na prateleira do sebo e decidir trazê-lo comigo. Dei uma olhada rápida (na esperança de ter mudado o desenrolar dos fatos) e tudo continuava igual. O livro vai pro armário (pro fundo dele) como uma lembrança de que nem sempre tudo é como a gente quer que seja, que coisas ruins acontecem sem que a gente possa evitar, mas a vida continua...



E um pedido: quem já leu o livro, por favor, NÃO CONTE nos comentários o que acontece no tal trecho traumático. Não contei aqui por dois motivos: além de ser um megaspoiler, que muitos não gostam de saber, eu fico triste só de lembrar. Por isso, por favor, NÃO CONTEM. Quem quiser saber, que leia o livro. 



Achei os seguintes links sobre ele no Book Addict, no Jornalismo Online, no Universo de Aninha, no The Book is on the Shelf e no Psychobooks. E diz que este é o trailer do filme. Aqui é o site oficial (em Inglês). E também temos o post que fiz dias depois da morte do autor e o link onde irei colocar mais livros dele.

Bacci!!!

Beta

ps.: As fotos das diferentes edições - em Português e em Inglês - do livro foram encontradas com o apoio do Google Images - indicados após pesquisa por Ira dos Anjos + Sidney Sheldon e Rage of the Angels + Sidney Sheldon. Se o direito de alguma imagem pertencer exclusivamente a alguém, por favor, entre em contato comigo. Na pesquisa, nada indicava isso.
Reações:

6 comentários :

  1. Beta!!!!!!!!!!

    Eu sou louca pelos livros do Sidney Sheldon, mas eles sempre mexem muito comigo também. O que mais me entristeceu foi "O Outro Lado da Meia-Noite" (que também possui uma cena traumática), mas meu preferido é "Se Houver Amanhã". Eu tenho vários livros do SS para ler, mas sei que sentirei coisas fortíssimas durante a leitura e preciso lê-los em casa, sossegada num canto, com lenços por perto e calmantes, de preferência.kkkkkk... "A Senhora do Jogo" foi outro livro que também mexeu comigo. Na verdade, todos eles mexem. Mas "Se Houver Amanhã", "O Outro Lado da Meia-Noite" e "A Senhora do Jogo" nos derrubam.

    Fico me perguntando se a cena traumática de "A Ira dos Anjos" é de certa forma parecida com a que há em "O Outro Lado da Meia-Noite". Mas creio que não. Espero que não!


    Bjs!

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  2. Oi Beta, tambem tenho esse sentimento em relação ao livro, qdo li também era muito nova e tive um choque, depois disso nunca mais li nada do sidney sheldon.
    Bjs

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  3. Bem, geralmente os livros do Sidney Sheldon tem finais bem pesados, não são histórias da Disney, eu li o primeiro livro dele por volta dos 14 anos, era um infanto-juvenil (O gato preto)e mesmo assim assustava, só fui ler os outros depois, e eles te prendem, tem um trecho em "O outro lado da meia noite" que me deixou mto mal, é um texto crú, fora o final, que assusta e mto, o assustar dele é mostrar o que o ser humano é capaz. Faz tempo que não leio nada dele, mas mesmo assim foi um marco na minha vida de leitora, foi o primeiro que me assustou e me prendeu, posso dizer que esse autor abriu meus olhos para os livros, foi a partir dele que de certa forma fui parando de ler textos infantis, na minha adolescência fui uma leitora bem melhor do que sou hoje, eu era a rainha dos clássicos, pegava livros que os outros eram obrigados a ler, eu lia por amor, hoje leio uns romances bobos, e as vezes sinto falta de algo pesado, que force o cérebro, mas esses eu só leio em papel, no computador nem tento pq não consigo. Valeu pela postagem, vou procurar novos livros dele, e outros dos meus antigos autores.

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  4. Pessoal, mil perdões "O gato preto" é do autor Edgar Allan Poe. Agora não lembro qual foi o primeiro que li do Sheldon (rs).

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  5. Esse romance desse autor não poupa dissabores a ninguém dentre seus personagens, fazendo montanha russa de nossos sentimentos como leitores. Excelente !

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  6. Olá, Beta, achei o seu comentário acertadíssimo sobre este livro do Sidney. Quando o li pela primeira vez, também me revoltei com o que aconteceu, passei meses com medo de pegar em um outro livro do Sidney, mas enfim...
    Para aqueles que só de saber que a história é "traumática", recomendaria ler A Herdeira, Escrito nas Estrelas ou Se houver Amanhã, dentre todos os que já li, estes tem um final feliz, pelo menos eu achei o final muito feliz.

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