sábado, outubro 15, 2011




Irmãos e irmãs, é chegada a hora da revolução: patinhos feios do mundo, uni-vos! É o que dá vontade de fazer após ler este livro: unir todos os patinhos feios (independente de origem, motivos e histórico) na sala de aula do tio Jamie, oh, Jamie, Jamie... e prestar atenção, muita atenção, porque a sua vida mudará. Amém.

A meio passo do paraíso – Susan Wiggs – Clássicos Históricos Especial 168
(Halfway to heaven – 2001 - Harlequin)
Personagens: Abigail Cabot e James Calhoun

Abigail vivia com a cabeça nas estrelas e incapaz de se adaptar às normas de convivência no mundo. Estava fadada a ser uma eterna desajeitada, pária da sociedade, à sombra da irmã, Helena, bela e deslumbrante. Até que seu destino cruzou com o de um congressista abusado de Virginia, Jamie, que resolveu transformar-se em seu professor de sedução. Desta forma, ela conseguiria impressionar o homem que admirava e Jamie conseguiria o apadrinhamento do pai de Abigail, um político influente, para a causa de proteger as terras dos proprietários contra a expansão ferroviária. Nesta trama onde todos querem alguma coisa, poucos sabem o que querem de verdade e o preço a ser pago por isso...

Comentários:

- Temos uma patinho feio clássica: Abigail era inteligente, brilhante e solitária, sua meta de vida era agradar o pai – porque sentia que ele não gostava dela tanto assim (já que a mãe havia morrido no parto) e costumava se isolar da família, pelo medo de envergonhá-los (ela tinha o pé direito menor e precisava usar botas ortopédicas). Para lidar com a insônia, desenvolveu o gosto pelas estrelas – e mais velha, tinha um observatório em casa, financiado com o dinheiro da mesada que ela economizou por anos. No entanto, esta capacidade não a impedia de se sentir inábil socialmente. Ela nem se importava do fato de ser sempre ofuscada pela irmã mais velha, Helena, de beleza imperfeita e hábil em lidar com pessoas e os inúmeros admiradores que se lançavam aos seus pés. E Abigail tem que lidar com a realidade: o rapaz a quem ela secretamente amava estava interessado em Helena.

- Jamie surge como o protagonista despreocupado, irresponsável e sedutor – oh, Jamie, Jamie – mas não se prenda à primeira impressão. O Congressista da Virgínia é bem mais profundo que isso. Se aproxima de Abigail com uma meta clara: agradar à filha para conseguir o apadrinhamento do pai. E o que é legal: não esconde dela (e nem teria como, ela concluiria logo). Uma atitude dele complica o triângulo Abigail-Boyd-Helena e Jamie assume o papel de cupido da relação, orientando Abigail sobre como realizar o sonho de fazer Boyd se apaixonar por ela, sem ferir os sentimentos da irmã. Assim eles são obrigados a conviver e à medida que somos apresentados ao Jamie sem máscaras, é compreensível entender porque amá-lo. Ele está longe de ser perfeito e isso é o melhor nele – o torna próximo e apaixonante.

- Os personagens desta história – pelo menos, os que acompanhamos mais de perto – são extremamente observadores. Pena que muitas coisas que deveriam ver – e que estão ali, embaixo do nariz – passam sem serem notadas, o que causa sofrimento e dor desnecessários. Mas na vida real, quem te garante o poder da onisciência? Nem quem pensa saber tudo, sabe mesmo...

- A frase da contracapa já diz tudo que você pode esperar – e confie em mim, valerá a pena: “Um homem que se diz incapaz de amar e uma mulher que acredita alcançar as estrelas não formariam o casal perfeito?”. Na trajetória de pessoa apagada e desejeitada para uma estrela confiante, Abigail e Jamie se aproximam, se repelem, se aproximam mais ainda e, do lado de quem está lendo, confesso que dá muita vontade de empurrar um pro outro logo. São duas pessoas que escondem uma personalidade bastante emotiva sob uma capa de racionalidade. Eles são tão semelhantes que não notam que foram feitos um para o outro. Ok, sei que a pressa é inimiga da perfeição, mas é muito grande o desejo de que eles fiquem juntos, porque parece que você compartilha da felicidade deles.

- Não sou muito de citar frases, apenas em casos especiais, e este diálogo é um daqueles que explica tão bem uma situação que dispensa mais palavras (além do fato de que “atire a primeira pedra quem não concorda com o que Jamie disse!”)
- E como é este grande amor que sente pelo tenente?
- É como... encontrar a solução para uma equação matemática através da intuição. Mesmo sabendo que ele não nutre os mesmos sentimentos por mim, o fato de saber que o amo já me faz feliz.
- Tal perspectiva prova que não o ama.
- Que perspectiva? O fato que ele me faz feliz?
- Sim. – Jamie segurou-lhe as mãos – Apaixonar-se não faz uma pessoa feliz. Diga-me, já escorregou e ralou os joelhos?
- Já.
- Doeu?
- Sim.
- Por que a linguagem popular utiliza o termo ‘cair de quatro’ para descrever a paixão? Quando se apaixonar de verdade, vai saber. Aliás, irá chorar ao descobrir.
- Que bobagem. Por que eu choraria?
Ignorando os padrões de comportamento, acariciou o rosto de Abigail. A pele era sedosa e macia. Ela prendeu a respiração e, de repente, Jamie desejou tentá-la. Mas não o faria.
- Porque, minha querida srta.Cabot, o sentimento irá feri-la profundamente.
(Cap.II página 32)

- “Acasos” (este diálogo estar na página da minha idade), “identificações” (já fiquei feliz por amar sem ser correspondida e já me ralei o suficiente para uma certa cota irritante de cicatrizes que doem às vezes) e “cometas” (cada um tem o sonho distante de vida que merece ou deseja, né?) à parte, só posso dizer para vocês que Susan Wiggs conseguiu de novo me emocionar com uma história. E obrigado ao meu Anjo da Guarda que me fez desviar o caminho e ir ao sebo ao invés de ir direto para casa (como era meu plano inicial) e encontrar o livro que quase nunca aparece para venda em uma pilha visível. Até parece que estava esperando por mim...

- Mais informações no site da Susan Wiggs, no Fantastic Fiction e na resenha aqui no Literatura de Mulherzinha sobre Uma Escola de Charme, livro com o qual A meio passo do paraíso tem uma ligação... E mais uma vez reforço a campanha:

*Harlequin, republica os já lançados e publica os outros, por favor... *



*Aposto que um moooooonte de gente ia comprar. A começar por mim... Por favor!!!*

Bacci!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Eu gostei desse livro, não tanto quanto gostei do outro. E ele estava certinho naquela analogia que ele fez entre amor e ferimentos no joelho.

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  2. Eu estou simpatizando com Jamie embora ele tenha uma metáfora estranha um tantinho para falar sobre paixão e sentimento.

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