sábado, outubro 23, 2010

Nem acredito que um dos carmas do Literatura de Mulherzinha vai ser exorcizado!!! Eu comprei este livro quando ainda fazia curso de Italiano, porque me foi indicado por uma das minhas companheiras de curso. Empolgada pela parte “Itália” li, com algumas ressalvas. Mas empaquei quando chegou na Índia. Só retomei agora, inspirada pelo filme com a minha amada Julia Roberts (preciso dizer que sou fã dela?) e o Madre de Díos, Javier Barden. E me perdoem se esta resenha ficar um pouco maior que o habitual (sim, eu sei que escrevo pra caramba) e revelar alguns spoilers para quem ainda não leu (apesar do número de pessoas que não sabem o que acontece no fim do livro ser pequeno. Sejamos sinceros, né, até eu já sabia – antes mesmo de ler o livro e ver o filme).

Comer Rezar Amar – Elizabeth Gilbert – Editora Objetiva
(Eat Pray Love – 2006)
Personagem: Liz Gilbert e suas histórias

Após a insatisfação com sua vida programada para o “normal” e “esperado” (filhos e casamento e ser uma mulher moderna que trabalha e cuida da casa e do marido), Liz decide largar tudo. Após um divórcio conturbado e doloroso, ela embarca em uma grande paixão, que, claro, não é para sempre e fica se arrastando numa agonia que tortura os dois. E é aí que ela decide ter um ano sabático para aprender o prazer de comer na Itália, o prazer da oração na Índia e como equilibrar os dois prazeres na Indonésia. Ao aprender a viver os verbos do título, Liz pode finalmente fazer as pazes consigo mesma e seguir sua vida...

Comentários:

- Vamos direto ao ponto. O meu principal problema com CRA (resumindo pra acelerar, tá?) é que eu não consegui me colocar no lugar dela. Nunca fui casada nem larguei tudo para ter um ano sabático. Já me apaixonei, quebrei a cara, mas a vida segue, com cicatrizes, alguns traumas e os sonhos de sempre. E meu eu escorpiano não tem paciência com as fraquezas da autora-protagonista (que se confessa canceriana com ascendente em gêmeos). Fala sério que eu estaria chorando no banheiro às 3 da manhã? Provavelmente estaria insone, perdendo a paciência comigo mesma e no dia seguinte daria um jeito de resolver o que me incomodasse. Ainda mais porque não sou do tipo chorona (na opinião do meu eu escorpiano teimoso, só serve para dar dor de cabeça e não ajuda a resolver o problema magicamente). Em entrevista ao Jorge Pontual na Globonews, Elizabeth Gilbert disse que recebeu vários retornos de leitoras sobre isso, cada uma contando as diferentes formas de vivenciar “o choro do banheiro às 3 da manhã”. Se eu fosse escrever para ela, diria que a minha não teve lágrimas nem dor de cabeça – teve Animal Instinct e Promises (duas faixas do CD Bury the Hatchet, do Cranberries) no som no volume mais alto que eu puder colocar. Deu pra notar a diferença?

- O que tenho em comum com Liz aparece na parte italiana. A inspiração dela para aprender o idioma lembra a minha: eu aprendi Italiano não porque seria útil para a carreira, mas porque eu queria, era um presente pra mim, após o Inglês necessário, a não adaptação com o Francês (consigo ler, mas nem pense em me mandar falar – por isso desisti), os anos de faculdade e de trabalho. Quando eu for à Itália, passarei por Roma, mas meu objetivo é Florença (cidade que ela mal menciona, apesar de ter visitado, chuif...). Nem preciso contar que a experiência dela ver um jogo no campo é de me matar de inveja (apesar de que eu não sou fã da Lazio – entre os times da capital prefiro a Roma – mas sou mesmo Fiorentina de coração...), porque já passei várias vezes por situações semelhantes aqui, no tempo que trabalhava no campo, e imagino que maravilha seria ouvir tudo em Italiano (e se você viu o filme, não está doido: no livro, ela vê um jogo da Lazio com os amigos italianos. Mas no filme, ela vê um jogo da Roma – parece que para simplificar para o público norte-americano! - No entanto, é uma ofensa para os personagens citados, porque Lazio x Roma é uma rivalidade à la Vasco x Flamengo, Inter x Grêmio, um não aceita ser confundido com o outro.) Enfim, a parte do “Comer” mesmo para uma enjoada como eu, é de querer fazer as malas e voar agora para lá...

- Mas aí vem o “Rezar” e pronto... Primeiro que eu sempre defendi que dava para fazer as três coisas na Itália: Come em Bologna, Reza em Assis e Ama na Costa Amalfitana. Ou Come em Milão, Reza no Vaticano e Ama em Veneza. Ou (meu caso) come, reza e ama em Florença (com escapadinhas para Capri). E vamos pra Índia. Dio Santo. Liz reza, reza, reza, reza, reza, reza e não encontra conforto. (Eta mulher difícil) A história parece que fica em um ritmo devagar quase em coma. Por isso desisti da leitura antes justamente nesta parte. Quem tem tempo de querer entrar em coma junto com a autora? Eu não tenho tempo nem paciência... Eu tenho fé, gosto de rezar, gosto de encontrar paz me comunicando com Deus ou meus santos de devoção. Mas acho que justamente por não saber o que quer, Liz não encontra nada e sofre procurando... E confesso, terminei depois de dormir pra caramba – um custo. Enquanto isso, pelo menos, ela conseguiu encontrar o que estava procurando no asham da Guru.

- E então, vamos para o “Amar”. Ela busca o equilíbrio das duas partes anteriores, enquanto mora em Bali e interage com um xamã que tem entre 65 e 112. Uma curandeira que penava para criar a única filha. E claro, em algum momento, ela reaprende a amar... E se você ainda não sabe o que acontece, pula esse parágrafo para o próximo. Volto a comentar algo que disse na resenha de O Pai Perfeito, da Sharon Kendrick: para encontrar um amor brasileiro terei que ir para o exterior? Sério? E o pior, pra Bali? Se terei que voltar à terapia pra embarcar em um avião pra Itália, que sempre foi meu sonho de consumo, imagina ir parar em Bali? Qual é a impossibilidade de encontrar alguém aqui, uaaaaaaai?

- Enfim, não acho a jornada de Liz desnecessária e “coisa de mulherzinha” como vi em algumas resenhas relativas ao filme, que citavam o livro por tabela. Foi a chance que ela teve de resolver os próprios problemas (uma baita chance, diga-se de passagem, quantas pessoas você conhece conseguiram ser financiadas para tirar um ano sabático? Eu não conheço ninguém. Talvez faria isso se ganhasse na mega-sena, mas ela insiste em fazer outros felizes, né?). Mas por conta daquele meu eu escorpiano teimoso, talvez ela não me empolgue tanto quanto afeta outras pessoas. Por isso, a recomendação é leia e tire suas conclusões.

- Ah, sim, caso alguém queira saber: a minha palavra favorita em Italiano é Fiorenza, Florença no dialeto local. E acho que a minha palavra é Primavera – é a minha estação favorita, onde a situação muda em um piscar de olhos... E o mais legal é que é uma palavra trilingue: a mesma em Português, Italiano e Espanho.

Bacci!!!

Beta

ps.: Sim, já comprei o Comprometida. Sim, ele será lido e resenhado para o LdM. Sim, só Deus sabe quando.
Reações:

Um comentário :

  1. Eu não teria coragem de fazer o que ela fez não sou de me arriscar apesar de não ter lido o livro e também em relação ao signo eu tbm sou de câncer ja sofri decepções amorosas mas eu segui em frente não tem como eu tirar férias de um ano por causa disso e acho que você deve ter razão ela rezou muito mas não sabia o que estava procurando vou ler esse livro tbm parece ser muito bom *-*

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