domingo, outubro 03, 2010


Não é um livro fácil de ler. Nem um que esbanje felicidade. Aqui, para ser feliz, a luta é árdua e a jornada é longa... É mais um daqueles históricos com trama (aleluia que estão se tornando regra e não mais exceção!)

Sedução por Vingança – Nicola Cornick – Rainhas do Romance Histórico 07
(Lord of scandal – 2007- HQN Books)
Personagens: Catherine Fenton e Benjamin Hawksmoor

A vida de Catherine não era nada fácil. E coisas estranhas estavam acontecendo sem que ela entendesse as verdadeiras razões: seu pai a havia prometido em noivado para Lorde Withers, que a despertava repulsa e medo. Em uma circunstância incomum, ela conhece Ben Hawksmoor, um lorde famoso pelo comportamento boêmio e por desrespeitar as regras da sociedade inglesa. Ou seja, totalmente inadequado para debutantes – como era Catherine. Ben pensa que ela é uma cortesã e decide seduzi-la para afrontar Withers, que o havia ameaçado. Isso é só começo desta história de regras, cobranças, aparências, punições, sofrmento, encontros e desencontros até que Catherine e Ben entendam o que é o amor...

Comentários:

- Uau. *suspiro* O livro é uma jornada dura e isso não é ruim. É necessário. Às vezes, a gente não se dá conta de como a sociedade não dá a mínima para as mulheres e como o mundo evoluiu (ou não) em 200 anos. E a gente ainda precisa de mais atitudes no que diz respeito à igualdade entre homens e mulheres. Estou começando assim para que vocês entendam porque eu vou dizer: esqueçam aquela Regência charmosa e romântica que vocês já devem ter lido em livros de outras autoras. O mundo de Nicola Cornick não é cor de rosa e seus personagens precisam lidar com isso.

- A história começa em um enforcamento. O homem era acusado de matar um dos responsáveis pela herança de Catherine, que foi forçada a assistir a punição pelo pai e pelo “noivo”, lorde Withers, um homem a quem a sociedade aturava, fazendo sérias restrições porque ele sempre conseguia tudo o que queria (e a nova obsessão dele era possuir Catherine, que o desprezava claramente). Durante o evento, seu irmão menor resolve se aventurar na multidão por conta própria – e ela decide procurá-lo sozinha... E acaba sendo “encontrada” por lorde Hawksmoor, amigo do homem executado, que tem a desconfiança de que ele era inocente, mas não conseguiu evidências. Ben se sente atraído por Catherine e ao descobrir que ela era a acompanhante de Lorde Withers, que o odiava e o ameaçou, toma a decisão de seduzi-la para afrontá-lo. Só que Catherine era uma das herdeiras mais ricas da sociedade, o dinheiro deixado pelo avô “excêntrico” (comerciante que viveu durante anos na Índia) compensava a falta de origens nobres. Ben imaginou que ela era uma cortesã que sabia muito bem fingir inocência e pudor, só vai descobrir tarde demais que ela era uma debutante virginal...

- O livro mostra a opressão social contra as mulheres e as punições para quem ousa tentar escapar das regras impostas pela sociedade: temos a história de Lily, debutante vendida em casamento a um marido bruto, que fugiu com um amante para ser abandonada e condenada ao ostracismo social. Para se sustentar, a moça de origem nobre se tornou prostituta – e alguém com quem debutantes de respeito não deveriam conversar, mencionar ou ser vistas. Catherine queria ajudar a amiga a sair desta sina, mesmo com o risco da má fama respingar na reputação dela. A cortesã Paris de Moine era aceita pela sociedade como uma “atração” em determinados eventos, mas nunca seria aceitável para se casar com um nobre. Maggie, a segunda esposa do pai de Catherine, de debutante viçosa a esposa infeliz, uma decadência que a mocinha acompanha e tenta evitar que as conseqüências sejam drásticas. E a própria Catherine, prometida em casamento para um homem a quem odeia, que demonstra um temperamento agressivo e um prazer mórbido em machucá-la, porque ela resiste aos avanços dele – e sempre que questiona o pai o motivo da escolha, já que vários outros pretendentes cortejaram o dinheiro dela, nunca obtém uma resposta. E temos aqui o tema discutido em Ilusão: as transgressões morais dos homens são perdoadas. As das mulheres, não.

- Ben era filho de um lorde, mas não foi reconhecido. Condenado à ilegitimidade e à pobreza, de acordo com o livro, quando foi resgatado por tios paternos dispostos a lhe oferecerem a educação adequada, já era tarde demais, ele já havia perdido o coração e a alma. Ele mesmo se apresenta como alguém que não preocupa com outra pessoa, além de si próprio. E só lutou para ser legitimado para restituir o nome e a posição da mãe, já falecida. A morte do amigo mexeu com ele, ainda mais depois de ser ameaçado por Withers, de que seria o próximo. Ben era um homem que vivia no limite, sem tanto dinheiro (com pânico de pobreza), mas com status social de “escândalo” e “divertido” estava sempre nas altas rodas, contando, inclusive, com a simpatia do Príncipe. Ou seja, longe de ser um príncipe encantado, era um homem com (muitas) falhas. Seria melhor não depender dele para ser salva.

- Catherine é uma lutadora. É a melhor expressão para defini-la. Prova que inocência não significa burrice. E mesmo não sabendo jogar o jogo a que se propôs (como foi alertada por Lily) foi a única personagem que lutou para escapar do mesmo destino ruim que parece cercar boa parte dos personagens ao seu redor. Não se deixou subjugar pelo noivo-carrasco, tentou ser o porto seguro da madrasta frágil e pensou na segurança de seus irmãos mais novos. Queria salvar a amiga da prostituição, mesmo sabendo que poderia ser punida pela sociedade. Ela se encantou com o lorde Hawksmoor, mesmo percebendo que ele a julgava uma cortesã. E soube enfrentar o coração partido com uma valentia que poucas vezes encontrei em personagens e em gente de verdade. Não precisa de muito para que você torça por ela, para que consiga se salvar dos problemas ao redor, sem sofrer tanto ou ser castigada pela sociedade. Como disse lá no alto, é uma longa jornada, que não será fácil, mas vale a pena acompanhar.

Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Engraçado, não sei a razão, mas não me animei a ler esse livro. Peguei ele na banca pelo menos 3 vezes, mas acabava resolvendo levar outro(da última, foi por causa de um livro da Hannah Howell, acho que se justifica, né?).

    Mas com os seus comentários, vou comprar correndo depois eu volto prá contar como foi. Fiquei animada.

    Beijos,

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