domingo, julho 30, 2017

Ciao!




Ah essa tal curiosidade! Quando li a sinopse, tive a intuição de que seria um livro que, no meu atual momento, não seria ideal para mim. Mas sabe quando a gente ignora e lê assim mesmo?
Então, é uma boa síntese da minha experiência.
E não é um livro ruim. Só mexe em algumas coisas que ainda não tive tempo suficiente de curar.

Meus dias com você – Clare Swatman – Editora Arqueiro
(Before you go - 2017)
Personagem: Zoe Williams

Zoe e Ed se amavam, mas o casamento, por uma série de fatores, não ia bem. Até o dia em que ele saiu de casa para trabalhar, foi atropelado e morreu. O luto consome Zoe. E por alguma razão inexplicável, ela se vê de volta no tempo, revisitando datas-chave da relação deles. Agora o dilema dela é outro: seria uma chance de mudar o destino? Seria ela capaz de evitar que Ed morra?

Comentários:

Io per difendere
Gli errori miei
Non sono bravo epoi
Non lo farei
E dirti è colpa mia
Non serve più
Le conclusioni ormai
Le hai tratte tu

- Para situar as pessoas que estão visitando o Literatura de Mulherzinha pela primeira vez, passei por algumas perdas nos últimos anos e definitivamente não tive tempo de lidar propriamente com o luto porque surgiram outras situações emergenciais (e as respectivas consequências) a serem resolvidas. Ao mesmo tempo, passei a tropeçar com alguns livros que me forçavam a rememorar o que houve (já disse que não duvido da frase “Deus escreve certo por linhas tortas”). Como comentei, a sinopse me avisou de que Meus Dias com Você era uma leitura potencial neste sentido. Pensei em escapar dela (como consegui até agora de PS: Eu te amo e A Culpa é das Estrelas). No entanto, cá estou eu após terminar a leitura do e-book (sim outro milagre em se tratando de mim) para falar sobre o que achei.

- Na sinopse e logo no início, a gente é informado de que a trama gira em torno de Zoe Williams, após a notícia da morte do marido, atropelado enquanto ia de bicicleta para o trabalho. Ela enfrenta a incredulidade, o choque, o desespero, a dor e aquele momento do luto onde nada mais parece ter o menor sentido. E no caso específico, um sentimento de remorso porque o casamento não corria bem, embora os dois se amassem. Até que, sem entender como, ela tem a chance de voltar ao passado e reencontrar Ed no dia que eles se conheceram, no primeiro dia na universidade, 20 anos antes.

E mi dirai
Restare qui che senso ha
E ti dirò
Ricominciamo
Non si può

- A princípio, um pouco perdida, Zoe logo percebe a dinâmica: ela está revivendo datas importantes no relacionamento com Ed. Primeiro ela aproveita para rever e diminuir saudade do então futuro marido. Depois percebe que é difícil agir em situações onde ela sabe o que acontecerá nas horas seguintes e até mesmo no futuro das pessoas que reencontra. Até que começa a se questionar por quanto tempo ainda terá a chance de rever Ed. E surge o dilema: seria ela capaz de alterar a linha do tempo e impedir que a tragédia aconteça?

Bugie che sfiorano
La verità
La frase solita
Così non va
Sei stata brava tu
Lo ammetto anch'io
Se puoi decidere
Al posto mio

- Mais que um livro sobre a morte (ou não) de um marido, é uma trama sobre a vida que Ed e Zoe tiveram. O grande amor que os unia teve que enfrentar desacertos, desencontros e mesmo projetos de vida diferentes. E havia razões para Zoe acordar em determinados dias e não em outros. Como que ambos deixaram coisas ruins acontecerem na relação eles. Como que o sofrimento foi inevitável diante das consequências das decisões tomadas que eles pensaram que dariam conta e não deram.

Mai
Riamarti certo mai
Eppure lo vorrei
Ma intorno non ci sei
Mai riamarti forse mai
Ma scordare non si può
Quello che mi hai dato tu

- É uma história de amor, com todas as dores que ele traz, sem a visão cor de rosa de “happy end”. Nem todo casamento é 100% felicidade. Muitas vezes, mesmo se amando, as pessoas se machucam, sofrem e causam sofrimento. Ao reviver os momentos, Zoe tem a exata noção do preço que pagou por determinadas atitudes. E a cada página virada, a cada mudança que ela tenta fazer na linha do tempo, a gente se pergunta se será suficiente ou se, como dizem os árabes, Maktub – está escrito.

Mai riamarti non potrei
Ma i giorni che mi dai
Son qui dentro di me
Mai
Riamarti forse mai
Ma domani quando andrai
Qualche cosa lascerai

- O mérito do livro é mostrar que precisamos aproveitar cada momento, porque na vida real, certos milagres não acontecem: não é possível revisitar o passado e tentar intervir no destino. A gente precisa ter a exata noção do que e de quem estamos arriscando – e o quanto sacrificamos nossos verdadeiros sentimentos e sonhos – ao investir em certos comportamentos. Não podemos prever o futuro, fica a lição que se aproveitarmos o melhor que o amor – por um parceiro, pela família, por amigos – nos oferece sem nos deixarmos afogar por nossos medos e inseguranças, tudo (seja lá o que for) valerá a pena.


Bacci!!!

Beta


- Ps.: Quem viu as resenhas recentes, já percebeu que estou em uma vibe total de músicas italianas. Para quem não conheceu a música citada (que começou a tocar em loop na minha mente durante a leitura – sim, meu cérebro apronta isso comigo - até eu procurar a letra e perceber que tinha muito a ver com o livro), ela se chama Mai (Nunca) e é um dos sucessos de Peppino de Capri (para dar um descanso aos rapazes do Il Volo, minha companhia constante nas últimas semanas). Se quiserem ouvir, eis o áudio versão LP “batata frita” (entendedores vintage entenderão).
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