sábado, junho 03, 2017

Ciao!!!





Tem alguma coisa errada com este livro. Ou comigo. Eu me recuso a considerar o que a autora tentou me convencer nas páginas finais. Há limites para milagres e magias. E este livro não tem nem um nem outro.
Mas este texto tem spoilers porque estou irritada e não consigo desabafar sem os detalhes irritantes!

Proibida de amar – Lilian Peake – Sabrina 292
(Passionate Intruder – 1982 – Mills & Boon)
Personagens: Sharon Mason e Richard Montgomery

Sharon embarcou para uma viagem para uma ilha afastada na Escócia em busca de isolamento, paz e sossego – tudo que estava faltando na vida dela. No entanto, a presença de uma equipe de filmagem no local e o fato de ter que dividir o chalé emprestado por um amigo da família com um homem grosseiro. Richard tinha certeza de que Sharon era culpada da morte do noivo e não estava disposto a deixá-la impune.

Comentários:

- Se você gosta do estilo ogro machista encontra mocinha sofredora e a faz comer o pão que ele amassou pessoalmente, é livro pra você. Não é para mim. Me enganei com a sinopse achando que seria mais light, mas a trama parte para a overdose das atitudes canalhas, violentas e humilhantes. Tudo sempre temperado com a mentalidade de que a mulher causou aquilo, mas que o amor será a chave para a verdade que a libertará.

- Oi? Oi? Oi? Oie! Para tudo. Vamos com calma. Muita calma. Primeiro vamos dar graças a Deus que se atualmente a sociedade ainda não é um primor de justiça e igualdade, mas pelo menos melhorou alguma coisa em relação ao padrão descrito neste livro. Por exemplo, estamos mais cientes de que qualquer coisa vagamente parecida com o que Richard faz ao longo da trama está loooonge de ser amor; varia entre o abusivo e a violência, portanto, deveria ser denunciado às autoridades competentes. O livro vende a ideia de que era a jornada de sofrimento rumo ao amor e à redenção de uma heroína abnegada que errou duas vezes ao se comprometer com homens egoístas e que hesitavam em usá-las conforme a conveniência dele.

- O problema todo começou quando a inocente Sharon aceitou ser a noiva de Barry Irwin, o famoso campeão inglês olímpico de iatismo, que era aparentemente perfeito e impecável, mas tinha pés de barro e um caráter duvidoso com relação à noiva. Ele morreu em um acidente quando naufragava durante uma tempestade e a imprensa divulgou que a noiva estava com ele, gritou que queria ser salva primeiro e a prioridade fez com que o herói nacional morresse. 

- Nem precisa ser muito inteligente para saber que não era Sharon que estava no barco. Só que a imprensa inglesa – que deve ter os maior número de jornalistas com a mente em espaços nunca antes visitados pelo ser humano durante a aula de apuração – deduziu que era a noiva e publicaram as matérias a acusando pela morte dele. Daí para várias outras no país se acharem no direito de ligarem e mandarem cartas ameaçadoras e obscenas para a casa dela foi um pulo (o livro é de 1982, porque hoje em dia seria cyberperseguição). O resultado foi o esgotamento nervoso nela e nos pais e a alternativa foi sair de Londres em busca de refúgio. E assim, ela foi parar na Escócia.

- É neste ponto que o livro começa, com Sharon achando que vai ter sossego e isolamento e encontrando uma equipe de filmagem de cinema e se desentendendo de cara com o roteirista que era nada mais nada menos que o famoso escritor Richard Montgomery. Neste relacionamento de farpas e faíscas, surge "desejo" entre eles. O homem não perde uma chance de maltratá-la, seja com palavras ou mesmo com atos. Para completar, ainda tem outro a assediá-la, o que torna ainda pior as reações de Richard que a julga uma provocadora que brinca com os sentimentos dos homens. Óbvio que ele a reconheceu como a noiva apontada pela imprensa como a responsável pela morte de Barry Irvin e quis fazer justiça. (Oi?) Por isso, a pediu em casamento dizendo que a protegeria do escândalo que paralisou temporariamente as filmagens na Escócia.

- Ela recusa, mas ao ser retratada na mídia como pivô de outro escândalo, acaba cedendo. Pensou que o sofrimento acabou? Que nada. Como marido, Richard é vergonhoso. Esfrega na cara de Sharon que tem um relacionamento muito próximo com a estrela do filme, Lucille; permite que Lucille não perca uma chance de mostrar a Sharon que ela está sobrando. Afinal de contas, Richard deixa claro que sabe que ela tem um segredo e fica irritado porque ela não conta. Sharon se cansou de pedir a ele que acreditasse na inocência dela, mesmo sem que ela possa revelar a razão por causa de uma promessa.

- A essa altura eu já tinha perdido a conta de quantas vezes quis arremessar o livro pela janela, mas já que tinha embarcado nesta cilada, agora ia até o fim. Na reta final, temos um marido se impondo pela violência contra a noiva não só uma, mas duas vezes. Ela correndo atrás dele no retorno das filmagens e sendo humilhada publicamente. Sofrendo a segunda tentativa de estupro, sendo salva pelo marido para ser xingada por ele... Todo o suplício de Sharon (e nosso, por tabela) dura 113 páginas e ¾ da página 114.

- A partir disso, a autora tenta me convencer do fundo do coração dela de que Richard tinha razão em agir daquele jeito porque era um homem desesperadamente apaixonado e queria descobrir o segredo que Sharon guardava. Tudo que ele fez foi justificado por um amor tão grande! Mas ele se sentia desesperado por não poder esclarecer tudo – ou seja, o suposto papel de Sharon na morte de Barry. Já que a imprensa sensacionalista é que tem razão sempre no que fala sobre tudo e todos, vou fazer a criatura sofrer de todas as formas por existir! Quer maior prova de amor que isso?


- Sério, nunca acreditem que isso aí que contei (que é a versão condensada de 119 páginas de tortura) é amor ou romance. Porque não é. É abuso. É violência psicológica, física e moral. É procurar a Delegacia mais próxima, se possível, a Especializada em atender violência contra a Mulher e denunciar. É cadeia pra Richard. E festival de processos contra os jornais que a difamaram. 

A redenção de Sharon terminaria com alguém que a amasse de verdade, sem querer brincar de júri, promotor, juiz, executor e carcereiro a partir de supostas informações que nem lhe competiam. 

- Agora ele entra pra conta de “mais um que li pelo bem do Literatura de Mulherzinha e pela conscientização de que amor e violência não convivem jamais” e vou procurar algo realmente divertido e encantador para ler!

- Links: Goodreads livro e autora; Fiction DB; Skoob.

Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Olá, Beta!

    Resenha com spoiler?! Sabendo o quanto você detesta spoilers consigo ter uma ideia do quanto esta história mexeu com suas emoções e te enfureceu!rs Adoro quando você faz resenhas assim!kkkkkk...

    Estou numa correria só, por isso tenho estado desaparecida do blog. Não esqueci do Literatura de Mulherzinha não, mas estas últimas semanas foram bem agitadas.

    Também estou cansada de livrinhos assim! E têm autoras que mesmo no século XXI ainda querem nos "vender" essas histórias. Direito delas, claro. E meu direito não lê-las. O pior é quando lemos essas coisas nos livros de escritoras que amamos, que nos são queridas.

    Não vou dizer que nunca li nenhum livro em que o suposto mocinho maltrata de diversas formas a mocinha e acabei amando o livro. Já aconteceu. Várias vezes. Whitney, Meu Amor é um exemplo. Embora eu tenha xingado o Clayton de tudo que foi nome que me recordei e quase não o tenha perdoado. A questão é que ele se arrepende. Não acredita que agiu certo e sofre muito ao longo da história. E jamais, jamais mesmo, esquece o que fez contra a Whitney. E o livro é do século XIX, quando as coisas não eram flores e bombons. Eu perdoei o Clayton, mas nunca esqueci o que ele fez. Ainda fico furiosa quando penso nisso.

    Mas odiei muitas histórias por maus-tratos assim, por terem violências praticadas pelos mocinhos. Exemplos? Rede de Sedução - Penny Jordan, Amor e Vingança - Sophia Johnson, O Amor do Pirata - Johanna Lindsey (nesse aqui tem estupro do começo ao fim. Não pude evitar o spoiler! Acho que é um livro que a pessoa deve ser alertada da quantidade de violência que vai encontrar), entre muitos outros.

    Vou passar bem longe de "Proibida de Amar".

    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Céus esse Richard é surtado gente, tratamento psiquiátrico nesse homem, transtorno bipolar com certeza, uma hora era um doce com a Sharon, no instante seguinte tremendamente agressivo, por pouco ela não apanhava dele, mas levou dois empurrões dele que caiu no chão. Não vale uma segunda leitura!

    ResponderExcluir