Cap. 1351 – Fátima e Pontmain: Aparições de paz em tempo de guerra – Renan II de Pinheiro e Pereira
Ciao!!!
Como
várias pessoas, já tive fases mais próximas e mais distantes de fé – no meu caso,
católica. Acho que todo mundo passa por momentos em que suas crenças são
colocadas em dúvida. Imagina então quando ocorrem as aparições, em tempos
difíceis, presenciadas por poucos, que mobilizam muitos e podem ser colocadas
em xeque? É o ponto de partida para este livro.
Fátima e Pontmain: Aparições de paz em
tempo de guerra – Renan II de Pinheiro e Pereira – Ecclesiae
(2015)
Maio,
na tradição católica, é o mês de Maria. E eu já conhecia o básico do básico
sobre a aparição dela aos três pastores em Fátima, Portugal - que completa 100 anos neste sábado. Mas nunca tinha
ouvido falar da aparição de Pontmain, França. E muito menos de que as duas
teriam tantas interligações.
De
acordo com a pesquisa e os levantamentos de Renan, foi registrada uma aparição
da Virgem Maria em Pontmain. Na época, o país estava em guerra contra a Prússia
e alguns jovens moradores da aldeia estavam no Exército – parentes e amigos
rezavam para que eles voltassem sãos e salvos. Na noite de 17 de janeiro de
1871, dois irmãos de 12 e 10 anos e duas garotas de 11 e 9 viram a imagem da
Virgem Maria. Vários moradores se reuniram na casa do irmãos e, mesmo sem ver o
que eles viram, as pessoas acompanharam e rezaram durante três horas.
Anos
depois, entre abril e outubro de 1915, um anjo apareceu a três garotas
portuguesas em Fátima, povoado próximo à cidade de Ourém, em Portugal. Uma
delas, Lúcia, depois voltaria a vivenciar outra experiência, desta vez ao lado
dos primos Jacinta e Francisco – e a Virgem Maria apareceu para eles no dia 13
de maio a outubro (excetuando agosto, quando os pastorzinhos foram impedidos de
ir ao local das aparições). Tanto em
1915 quando em 1917, Lucia e mais tarde os primos tiveram que lidar com
perseguições, descréditos, ataques. Ao mesmo tempo, o interesse crescia e as
pessoas iam até Fátima para acompanhar sinais da aparição que só interagia com
as três crianças.
Nos
dois locais, a mensagem da Virgem Maria pedia oração, pedia sacrifício, pedia
que rezassem o terço para que a paz viesse e alertava que sem isso, haveria
ainda confrontos ainda piores.
Renan
detalha o histórico de aparições, desde o tempo da Bíblia até os mais recentes
e quais os critérios usados pela Igreja Católica para comprovar a veracidade do
fato. São muitos detalhes que eu nunca havia associado ou realmente ouvido
falar – e olha que fui catequista por 7 anos, participei de estudos da Bíblia,
mas a gente debatia outros assuntos. Mostra as circunstâncias além da religião
nos casos de Pontmain e Fátima, as aparições ocorreram em países em tempo
turbulentos – seja de guerra, de perseguições religiosas por motivos políticos.
Aponta ainda as ligações entre os dois momentos – mesmo sendo menos conhecido,
Pontmain, tem elos com Fátima – ambos foram presenciados por crianças, os
pedidos de oração, o fato de que nem todos ouviam e viam mas sentiam os sinais da presença da Virgem
Maria – em Fátima, a aparição de 13 de outubro, quando havia sido prometido um
milagre, é descrita como o “dia em que o sol bailou”, em um fenômeno
presenciado por quem estava até a quilômetros dali.
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| Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Juiz de Fora - 13/10/2014 |
Permite
também um mergulho na devoção Mariana, uma das mais fortes na Igreja Católica.
A Virgem Maria foi consagrada por Jesus como a mãe dos homens, então é a
intercessora pela humanidade. Quando Maria surge lembrando as ofensas a Deus e
dos sacrifícios (nunca além das possibilidades de cada um) como reparação,
ressaltando a força das orações – especialmente do terço – pelos pecadores e
pela paz, é a mãe que quer indicar aos seus filhos o melhor caminho e
preveni-los de encontrar o pior.
Não
é o tipo de leitura a que estou acostumada. Se você for curioso ou interessado
no tema, será uma leitura que poderá enriquecer seu ponto de vista. O livro
relata fatos de meados do século 19 e início do século 20, as pessoas
atualmente podem ler estas histórias e fazer todo tipo de questionamento cético
– e houve quem os fizessem à época, especialmente nas situações relativas à
Fátima. Afinal de contas, não estamos falando de algo que está congelado em um
momento do tempo. As pessoas vão até estas cidades para encontrarem uma parte
importante de si mesmas – seus próprios milagres.
Vivemos
uma época de falta de cuidado com o próximo, de extremismos, de tantas coisas
erradas que a gente não pode perder a fé – independente da crença – em nossa
capacidade de ser o melhor da raça humana e construir dias melhores. Para nós e
para os que virão. Para os que acreditam, esta é a mensagem de Maria em
Pontmain e em Fátima, que, a propósito, recebeu este nome a partir de uma jovem
de origem árabe batizada em homenagem à filha favorita de Maomé. Viram como as
coisas sempre são muito mais ricas que à primeira vista?
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| Fátima preparada para canonização de Jacinta e Francisco Imagem Rádio Vaticano |
Bacci!!!
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