sábado, maio 13, 2017

Ciao!!!


Como várias pessoas, já tive fases mais próximas e mais distantes de fé – no meu caso, católica. Acho que todo mundo passa por momentos em que suas crenças são colocadas em dúvida. Imagina então quando ocorrem as aparições, em tempos difíceis, presenciadas por poucos, que mobilizam muitos e podem ser colocadas em xeque? É o ponto de partida para este livro.

Fátima e Pontmain: Aparições de paz em tempo de guerra – Renan II de Pinheiro e Pereira – Ecclesiae
(2015)

Maio, na tradição católica, é o mês de Maria. E eu já conhecia o básico do básico sobre a aparição dela aos três pastores em Fátima, Portugal - que completa 100 anos neste sábado. Mas nunca tinha ouvido falar da aparição de Pontmain, França. E muito menos de que as duas teriam tantas interligações.

De acordo com a pesquisa e os levantamentos de Renan, foi registrada uma aparição da Virgem Maria em Pontmain. Na época, o país estava em guerra contra a Prússia e alguns jovens moradores da aldeia estavam no Exército – parentes e amigos rezavam para que eles voltassem sãos e salvos. Na noite de 17 de janeiro de 1871, dois irmãos de 12 e 10 anos e duas garotas de 11 e 9 viram a imagem da Virgem Maria. Vários moradores se reuniram na casa do irmãos e, mesmo sem ver o que eles viram, as pessoas acompanharam e rezaram durante três horas.

Anos depois, entre abril e outubro de 1915, um anjo apareceu a três garotas portuguesas em Fátima, povoado próximo à cidade de Ourém, em Portugal. Uma delas, Lúcia, depois voltaria a vivenciar outra experiência, desta vez ao lado dos primos Jacinta e Francisco – e a Virgem Maria apareceu para eles no dia 13 de maio a outubro (excetuando agosto, quando os pastorzinhos foram impedidos de ir ao local das aparições).  Tanto em 1915 quando em 1917, Lucia e mais tarde os primos tiveram que lidar com perseguições, descréditos, ataques. Ao mesmo tempo, o interesse crescia e as pessoas iam até Fátima para acompanhar sinais da aparição que só interagia com as três crianças.

Nos dois locais, a mensagem da Virgem Maria pedia oração, pedia sacrifício, pedia que rezassem o terço para que a paz viesse e alertava que sem isso, haveria ainda confrontos ainda piores.

Renan detalha o histórico de aparições, desde o tempo da Bíblia até os mais recentes e quais os critérios usados pela Igreja Católica para comprovar a veracidade do fato. São muitos detalhes que eu nunca havia associado ou realmente ouvido falar – e olha que fui catequista por 7 anos, participei de estudos da Bíblia, mas a gente debatia outros assuntos. Mostra as circunstâncias além da religião nos casos de Pontmain e Fátima, as aparições ocorreram em países em tempo turbulentos – seja de guerra, de perseguições religiosas por motivos políticos. Aponta ainda as ligações entre os dois momentos – mesmo sendo menos conhecido, Pontmain, tem elos com Fátima – ambos foram presenciados por crianças, os pedidos de oração, o fato de que nem todos ouviam e viam  mas sentiam os sinais da presença da Virgem Maria – em Fátima, a aparição de 13 de outubro, quando havia sido prometido um milagre, é descrita como o “dia em que o sol bailou”, em um fenômeno presenciado por quem estava até a quilômetros dali.

Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Juiz de Fora - 13/10/2044
Permite também um mergulho na devoção Mariana, uma das mais fortes na Igreja Católica. A Virgem Maria foi consagrada por Jesus como a mãe dos homens, então é a intercessora pela humanidade. Quando Maria surge lembrando as ofensas a Deus e dos sacrifícios (nunca além das possibilidades de cada um) como reparação, ressaltando a força das orações – especialmente do terço – pelos pecadores e pela paz, é a mãe que quer indicar aos seus filhos o melhor caminho e preveni-los de encontrar o pior.

Não é o tipo de leitura a que estou acostumada. Se você for curioso ou interessado no tema, será uma leitura que poderá enriquecer seu ponto de vista. O livro relata fatos de meados do século 19 e início do século 20, as pessoas atualmente podem ler estas histórias e fazer todo tipo de questionamento cético – e houve quem os fizessem à época, especialmente nas situações relativas à Fátima. Afinal de contas, não estamos falando de algo que está congelado em um momento do tempo. As pessoas vão até estas cidades para encontrarem uma parte importante de si mesmas – seus próprios milagres.

Vivemos uma época de falta de cuidado com o próximo, de extremismos, de tantas coisas erradas que a gente não pode perder a fé – independente da crença – em nossa capacidade de ser o melhor da raça humana e construir dias melhores. Para nós e para os que virão. Para os que acreditam, esta é a mensagem de Maria em Pontmain e em Fátima, que, a propósito, recebeu este nome a partir de uma jovem de origem árabe batizada em homenagem à filha favorita de Maomé. Viram como as coisas sempre são muito mais ricas que à primeira vista?

Fátima preparada para canonização de Jacinta e Francisco
Imagem Rádio Vaticano
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Bacci!!!

Beta
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