sábado, maio 06, 2017

Ciao!!!



Acho que invoquei Asgard inteira. Ou todo o Olimpo. E por fim já implorava misericórdia a Jared Leto (ainda na fase antes de tosar o cabelo). Só isso pra me impedir de planejar uma morte bem dolorida para a protagonista deste livro.

Sabe aquela coisa: a mulher pode levantar ou afundar um homem? Pois é, a criatura desta história é praticamente um iceberg para o pobre protagonista.

Fuga da Tempestade – Lee Wilkinson – Harlequin Jessica 2 histórias 216 (Desejo e Êxtase)
(Running from the storm – 2012 – Mills & Boon Modern Romance)
Personagens: Caris Belmont e Zander Devereaux

Caris e Zander viveram uma paixão arrebatadora à primeira vista, que terminou após uma briga, quando ela fez as malas e foi embora. Três anos depois, ao cuidar da venda de uma propriedade antiga, enorme e linda, ela se surpreende ao reencontrar Zander. Mas ele sabia que a reencontraria e queria esclarecer o rompimento para ter paz de espírito. E da mesma forma que antes, estavam presos em um lugar por causa do clima. Desta vez, fugir parecia impossível para Caris, que se recusava a enfrentar o que Zander a queria fazer encarar...

Comentários:

- Pessoas adultas que agem como crianças mimadas me irritam profundamente. Não importa se é o protagonista, a protagonista, o coadjuvante, o vilão. É pedir muito para minha paciência, combalida e testada ao extremo na vida real, que ela resista a piti de personagem fictício. Uma hora tem que estourar, né? E sobrou para Caris. Sim, para quem estava com saudades, este é daqueles posts mal humorados com spoilers em excesso para meu padrão, mas preciso desabafar!

- Caris era a filha que se esforçou para ser amada pelo pai, que queria um herdeiro, mas só teve ela. Até Direito ela estudou para agradar. Aí conheceu um homem bonito e em uma série de circunstâncias que você pode atribuir como sequência de “acasos”, ele a ajudou, eles ficaram presos por causa do mau tempo, eles se aproximaram, eles ficaram íntimos e eles começaram a viver uma grande paixão. Eles foram morar juntos, para desagrado do pai dela que a colocou no dilema: “você só será promovida à sócia se se dedicar 100% ao trabalho, nada de sexo, nada de casos”. E ela escolheu o bonitão.

(E pelamordeDeus, outra protagonista feminina que conta com a fé e a esperança para se proteger?! Na primeira vez dos dois, Zander hesita porque não tem camisinha. E a criatura diz que “está tudo bem, por razões médicas estou tomando pílulas”. Oi?!?!?! Ok, ver The Normal Heart e Clube de Compras Dallas em sequência me deixou muito neurótica e impressionada com o impacto do sexo não seguro. Fora que a Aids é uma das encrencas que podem acontece com quem não se protege. E o fato de ser bonito, lindo, espetáculo, gostoso não garante que é saudável. Aqui vai ser porque é um romance dedicado a sonhar, bla bla bla, mas a vida real não nos permite isso mais. Nem em sonho. Fim do momento ativista panfletária.)

- Até aí, beleza, uhu, patinho feio descobrindo que tem asas e que pode voar sozinho. Nem pense em subir o som do “I believe I can fly” porque logo em seguida a gente descobre que o patinho feio era suicida. Ela se implode e implode o relacionamento dos dois. Com gosto. Ok, pessoas adultas e normais têm inseguranças. Às vezes, elas paralisam a pessoa. Ok, mas o que a gente precisa fazer se quiser manter a sanidade, mais cedo ou mais tarde, é lidar com elas. É fácil? Nops, ninguém diz que é. Mas é necessário. Parece que Caris perdeu esse memorando ou nasceu sem capacidade de atualizar esse aplicativo mental. Em todas as situações do livro quando foi confrontada com uma causa de insegurança, a criatura opta pela pior decisão – fugir. Sim, estilo “amanheceu, peguei a viola, botei na sacola e fui viajar”. Simplesmente se recusa a lidar com o problema e resolvê-lo, não importa as consequências.

- Precisa ser gênio pra saber o que acontece? Óbvio que o trem – no caso, protagonista de nome exótico (culpa do cartório, segundo ele) - volta com força total e nada compreensivo para a tática de varrer as encrencas para baixo do tapete e empurrar tudo para um porão mental que ela faz de conta que não existe. Confesso que, quando ela fez isso pela segunda vez e as consequências desse “me recuso a lidar com isso” foram graves, meu Hulk interior pediu licença para invadir o livro e sair esmagando o que encontrasse pela frente. Foi necessária uma dose elevada de Jared Leto combinado com reprise de Loki sofrendo em Thor e uma dose extra de Spock tudibão em Star Trek para acalmar meu espírito. Porque foi grande a tentação de jogar o livro para o alto, sair correndo e gritando para o meio da rua implorando pra Heimdall abrir Bifrost, me tirar desta galáxia onde as pessoas não se comunicam, se estrumbicam e me deixam doida e me levar para Asgard, onde sou apaixonada pelo príncipe que quer muito ser rei. 




- Ah, preciso destacar que a história tem boa parte narrada em dois tempos – “três anos antes” quando eles se conheceram e “três anos depois” quando Zander força o reencontro para o momento “lata d’água na cabeça”. Em algumas partes, custei a entender o que estava acontecendo - e calma que ainda tem uma bomba na reta final. Mas depois quando entendi o quadro geral e o tamanho do ninho de mafargatos que é a mente e a autoestima de Caris, só me resta dizer, ao melhor estilo, bordão das redes sociais: foge, Zander, é cilada!

... Ou então sou eu que estou exigindo demais da vida. Hora de ver Magic Mike de novo e me lembrar de que roteiros são desnecessários quando se ouve o “All right, all right, all right” malemolente do Meu Rei*...


Bacci!!!

Beta

* Para quem não entendeu, durante a transmissão do Globo de Ouro de 2014, a tradução simultânea durante o discurso do Matthew McConaughey disse que a frase que a esposa dele usava para empurrá-lo para a gravação de Clube de Compras Dallas: “Go work, McConaughey!” como “Vai trabalhar, meu rei!”. Sim, verdade, tive várias testemunhas do fato (e não foi a única pérola da noite). Desde então, o moço aqui em casa virou “Meu Rei”.
Reações:

Um comentário :

  1. Oi, li um livro desta autora, não lembro qual, mas não faz diferença, não gostei, e agora passo longe das estórias dela.

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