terça-feira, abril 25, 2017

Ciao!!!




Ao fuçar no Baú da Beta, encontrei um dueto histórico sobre irmãos gêmeos que passam por muito sofrimento na batalha pelas mulheres que amam. Até comentei sobre eles, no início do Literatura de Mulherzinha (destacando a confusão feita pela tradução dos nomes nos gêmeos nos dois livros), mas são livros que merecem uma versão turbinada.
Então, eis a história do gêmeo irresponsável que penou com uma das personagens femininas mais irritantes que li em toda a minha vida.

A dama inesquecível - Louisa Rawlings - Clássicos Históricos 37
(Wicked stranger - 1993 - Harlequin)
Personagens: Elizabeth Babcock e Armand Bouchard

Um baile em Paris durante o governo de Luiz XVIII foi onde Elizabeth e Armand se conheceram. Ele, se passando pelo irmão conde e general. Ela, a filha patinho feio da rica família Babcock, dos Estados Unidos. Até então, ele não tinha a menor intenção de se casar. Já ela mantinha os pretendentes à distância. Só que Armand se apaixonou e precisou vencer a resistência de Elizabeth, provocada por um trauma do passado. E, parece reprise, mas a troca de identidade pode complicar a situação de novo...

Comentários:

- A história dá sequência à jornada de Armand, o gêmeo Bouchard sem as obrigações do irmão, que era Conde de Montecalvo e general do Exército francês. Ele é um personagem importante em O Jardim das Tulherias e uma das decisões tomadas lá o persegue neste reencontro. Por isso, ele não se satisfaz mais sendo irresponsável, com uma vida nômade, sem parada, sem casa, sem raízes que o prendessem. Só que agora, aos 39 anos, sentiu necessidade de finalmente dar um sentido à própria vida. Queria se firmar como negociante e buscava investimentos para realizar transporte marítimo, quem sabe com rotas entre Europa, América e Caribe? Para isso, precisaria de dinheiro.

- Ele recusou a ajuda do irmão, porque queria fazer algo por conta própria. Mas aceitou fazer um favor para Jean-Philippe: se passar por ele em um baile da Corte. Afinal de contas, o conde não queria sair de perto da esposa grávida. Neste baile, Armand como o “falso Jean-Philippe” conheceu os Babcocks, uma rica família norte-americana. E a atenção dele foi atraída para a filha menos atraente deles: Elizabeth, que tentou de todas as formas espantá-lo, mas encontrou alguém que não a temia.

- Meses depois, em Nova Iorque, os Babcocks se surpreenderam ao encontrar o conde. E não acreditaram quando ele disse ser o gêmeo, Armand, presumiram que o conde tinha motivos para estar sob disfarce na cidade. Obviamente, o que era para ser um segredo foi convenientemente espalhado para os amigos de igual status social. Por um lado, isso garantiu a Armand portas abertas em bancos e apoios onde ele nem cogitava e deu a chance de ele ficar perto de Elizabeth.

- Gente, Elizabeth é intragável. Desde que li pela primeira vez, ela ganhou cadeira cativa na lista de heroínas que não suporto. O título A Dama Inesquecível só deve ser levado a sério se você considerar que todos os motivos pelos quais ele se justifica são negativos: Elizabeth é mal-educada, destemperada, arrogante, egoísta, ferina, impulsiva. Passei raiva o livro inteiro com ela. Porque odeio mocinha passiva, tapetinho-de-ogro, mas detesto heroína burra, movida pelo próprio umbigo, que machuca de propósito e quer que tudo seja do jeito dela. Sim, ela foi muito magoada e humilhada cinco anos antes. Consigo compreender isso. Só que ela se transformou em um demônio que saía maltratando a torto e direito, desconfiando de forma doentia de tudo e de todos e agindo como bem entende e depois não conseguindo lidar com as consequências de ser uma megera monstro.

- Ela apronta demais para os meus nervos. E se eu não perdoo comportamento semelhante em protagonistas masculinos, por que o faria com uma mulher? Ah, é a forma de ela demonstrar força. Nops, ela só demonstra o quanto é capaz de jogar sujo quando se sente prejudicada pela vida. Como se tornou um poço infinito de rancor por não ter a mesma (aparente) vida perfeita de esposa amada e venerada das irmãs mais bonitas. E se sente injustiçada por ser a solteirona, mas espanta todo mundo com estardalhaço e veneno de sobra.

- Por isso, o relacionamento de Elizabeth com Armand é marcado pelo confronto. Ela vê maldade em todas as ações dele. T-O-D-A-S. Ela se recusa a dialogar porque está convicta de que está sempre certa e ele totalmente errado. Em nenhum momento, ela parte do princípio que ele pode ter outro ponto de vista, outra motivação. Ela já vai com 20 pedras para cima dele. Armand fica o livro inteiro batendo em pedra dura, tentando abrir a cabeça dela para além dos muros construídos pelo rancor. E paga muito caro por isso em alguns momentos. Ele também pisa na bola, claro, por uma escolha infeliz após ser mais uma vez vítima do destempero dela. Enfim, vira um efeito dominó de erros-consequências-reações-mágoas. A gente sabe que o final será feliz, mas admiro a persistência de Armand, porque eu teria mandado Elizabeth catar coquinho no inverno da Sibéria para ver se a ensinava a ser gente.

Gêmeos Bouchard
No Jardim das Tulherias – Clássicos da Literatura Romântica
A dama inesquecível – Clássicos Históricos 37


Bacci!!!

Beta
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