domingo, outubro 23, 2016

Ciao!!!


Vou chamá-la de Lokabrenna ou, em tradução livre, o Evangelho de Loki. Loki, esse sou eu. Loki, o Portador da Luz, o incompreendido, o esquivo, o belo e modesto herói desta específica trama de mentiras. Adicione uma pitada de sol, mas, pelo menos, é tão verdadeira quanto a versão oficial e, ouso dizer, mais divertida. Até o momento, a história, como ela é, tem me garantido um lugar desfavorável. Agora é a minha vez de subir ao palco.
Que se faça a luz”.
Então, precisa de mais alguma explicação do motivo deste livro estar aqui?

O Evangelho de Loki – Joanne M. Harris – Bertrand Brasil
(The Gospel of Loki – 2014)
Personagens: Aquele que Vos Fala decide dar a SUA versão dos fatos.

“A épica história do deus trapaceiro” mostra todos os fatos do início ao Ragnarök pela ótica de um de seus participantes – Loki, aquele de quem todos desconfiavam e quem o Oráculo profetizou que ajudaria a trazer o Caos de volta. Cansado de ser retratado de froma desfavorável, ele decide dar a sua versão e não poupa ninguém ao apontar as lições que aprendeu no caminho e explicar as razões que o levaram a decidir por determinadas atitudes. Em um livro repleto de sarcasmo, dúvidas, ele revela o seu lado – seja ele melhor, pior, mais vulnerável, implacável, rancoroso e, quem diria, até mesmo, esperançoso.

Comentários:

- Ao contrário da Mitologia Greco-Romana, que li nas enciclopédias que havia em casa, não sei muito sobre a Mitologia Nórdica. A minha principal referência tinha sido a fase Asgard em Cavaleiros do Zodíaco. Aí veio o Marvel Cinematic Universe e, pronto, me vi – logo eu, a sem paciência com vilões - subitamente interessada no príncipe ovelha negra de Asgard. “Então eu-eu sou o monstro sobre o qual os pais contam histórias aos filhos à noite!” E nas mãos de um ator que soube aproveitar o papel – Tom Hiddleston, um dos meus amores descarados (caso seja a sua primeira visita ao Literatura de Mulherzinha) – me fez querer saber mais e, estou tentando ler, na medida do possível, tudo que aparece sobre o assunto. Aí quando vi nas redes sociais que este livro seria lançado, preciso dizer que comemorei? 
No final das contas, palavras são o que resta quando todas as ações estão completas. Palavras podem estilhaçar a fé, dar início a uma guerra, mudar o curso da história. Uma narrativa pode fazer seu coração bater mais rápido, derrubar paredes, escalar montanhas... Ei uma boa trama pode até levantar os mortos. E é por isso que o Rei das Histórias se tornou o Rei dos deuses porque escrever e fazer história estão apenas a uma página de diferença
- Temos um narrador sincero – sim é estranho usar este termo vindo de quem vem. Acredite se puder, ele não nos engana, conta tudo – sob seu ponto de vista, claro – de bom e ruim que aprontou e também como aprontaram com ele. Afinal de contas, ele está contando coisas que já aconteceram e possui uma visão mais ampla de suas atitudes e consequências, por isso consegue admitir quando errou a mão e fez o que não devia (há uma cena na reta final que ele mesmo admite que alguém deveria tê-lo parado, mas como não aconteceu, as consequências viraram uma bola de demolição).

- Temos um narrador divertido. Loki é sarcástico e debochado para falar de si mesmo, imagina dos outros? Os melhores exemplos estão nas descrições e na análise que ele faz dos demais deuses e deusas quando chega em Asgard. Não idealiza ninguém. Na verdade, se diverte mostrando que todos eles estavam longe de merecer endeusamento, porque tinham falhas como qualquer outro ser vivente. 
Bem, não me culpem por ser atraente. Demônios são assim, em sua maioria. Além disso, não era como se a competição fosse acirrada. Chefes de guerra suados, peludos, sem um pingo de polidez ou destreza, cujas ideias de diversão se resumiam a matar alguns gigantes, lutar contra uma serpente, e, em seguida, comer um boi e seis leitões sem ao menos tomarem banho antes, enquanto arrotavam uma canção popular. É óbvio que as mulheres flertavam comigo. Um bad boy sempre chama a atenção, e eu sempre tive boa lábia”.
- Ele relata a jornada desde o tempo em que estava no Caos, um demônio do fogo, sem consciência plena de algo além do que encontrava ali, sob comando de Surt. Até ser recrutado por Odin, que enxergou um propósito que só ele poderia executar e fez promessas que o levaram a segui-lo. Fala sobre as habilidades que possuía, que recebeu e que desenvolveu. As experiências que teve e como mudaram a sua percepção, suas preferências. Seus medos. 
Eu podia ter escolhido qualquer forma: a de um animal, ave ou até um simples rastro de fogo. Mas, assim como aconteceu, assumi a forma com a qual talvez você esteja familiarizado: a de um jovem com cabelos vermelhos e certo je ne sais quois
(Obrigada, Marvel por não colocar o Tom ruivo no filme. Seria demais para meu coraçãozinho)

- Mas apesar das promessas de Odin, não era fácil viver em Asgard sendo o “elemento destoante”, variando entre o “adorado” por conseguir algo para os deuses ou que os divertia com suas “traquinagens” e ser o detestado, odiado, culpado por tudo que deu errado para os outros, mesmo quando ele não tinha nada a ver com o assunto. Rendeu antipatias à primeira vida que duraram para sempre. Rendeu perda de simpatias ao longo do caminho. Até finalmente se tornar a minoria que tanto temia.

- E claro, digamos que ele também não colabora. Porque há momentos em que ele corre de braços abertos a toda velocidade para a confusão. Ou provoca acintosamente os desafetos. Ou arruma inimigos e para escapar tem que colocar outros na linha de tiro. Ou atua nos bastidores explorando as fraquezas e vulnerabilidades para que outros quebrem cara. Ou mesmo se vingando de alguma afronta recebida. Eu disse que ele era um narrador sincero: em nenhum momento quer te convencer de que é um fofo indefeso injustiçado. Sim, ele aponta que foi injustiçado, que muitas das suas atitudes foram reações aos maus tratos que recebeu em Asgard mesmo com Odin prometendo algo totalmente diferente e que ele só queria acolhimento e a sensação de realmente pertencer ao lugar – embora a gente pode presumir que, quem nasceu no Caos, não vai se satisfazer com Ordem por muito tempo. Mas não vai tentar de convencer de que é fofo e indefeso, porque não é.
Sabedoria não é tudo. Sobrevivência requer um elemento de trapaça. Caos e subterfúgio. Todas qualidades que possuo (se assim posso dizer) em abundância
- Enquanto isso, fica se questionando e começa a se perguntar porque foi recrutado por Odin. Quer respostas e para isso precisa procurar, provocar, pesquisar. E se envolve com todo tipo de gente. Ao longo da narrativa, vemos Loki compartilhando que não devemos confiar em várias coisas, pessoas, etc. percebemos que usa o charme e a inteligência para escapar de inimigos, atiçar situações que eram convenientes para ele. Só que vai chegar um momento em que ele irá perceber que há limites até para a capacidade e habilidade dele em encontrar alternativas para sobreviver. Será que no fim de tudo até mesmo o mestre trapeceiro foi trapaceado? Para descobrir, só lendo. Afinal de contas, não podemos confiar em ninguém e se tem uma coisa que “Aquele que Nos Fala” não sofre é de insegurança.

- Você é bom a esse nível? – perguntou Thor.
Sorri.
- Melhor – respondi. – Eu sou Loki

- O livro faz parte de uma série. Pelo que entendi, é uma espécie de prequel. Não achei os outros livros, mas já deu pra notar que vou ficar atenta para ler, né? 
Atualizado em 18-01-17: Então, estava eu surtando alegremente na livraria quando tropecei em um dos livros que não tinha achado e desvendei a charada! Os livros foram publicados pela Rocco Jovens Leitores. Hoje não deu para comprar, mas já foram para a lista.

Série Runemarks:
The Gospel of Loki - O Evangelho de Loki
Runemarks - Runas
Runelight - Luz das Runas


Bacci!!!

Beta


ps.: Dedicatória do livro: “Para Anouchka, sempre e sempre”.
Blogueira-leitora-cinéfila compulsiva: “Olha, é o mesmo nome da menininha no filme Chocolate”
Uma semana e 334 páginas depois, blogueira-leitora-cinéfila compulsiva chega à orelha com os dados biográficos da autora: Joanne M. Harris (...) foi professora durante 15 anos, período no qual publicou o best-seller Chocolate (1999), adaptado para o cinema e indicado ao Oscar, estrelado por Johnny Depp e Juliette Binoche

Leitora pamonha com cara de pastel de vento por segundos até:
“O QUÊ? TEM LIVRO? CADÊ?!”
Reações:

10 comentários :

  1. Olá! Tudo bem?
    Não conhecia o livro e fiquei curiosa. A capa é linda! Sem falar que amo mitologia! Dica anotada! Parabéns pela resenha! Bj

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    1. Oi, Sophia. Espero que você tenha oportunidade de ler. E fisicamente a edição brasileira é linda. Obrigada pela visita :)

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  2. Olá!
    Estou muito interessada nesse livro porque conheço pouco da mitologia nórdica também, mas saber que é o Loki que narra todas as histórias é muito legal e dá bem mais vontade de conferir a obra.
    Beijos.

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    1. Oi, Carolina. O narrador faz toda a diferença, pode crer! Obrigada pela visita :)

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  3. Conheço muito pouco sobre a mitologia nórdica e confesso que quando vi o livro na divulgação confundi tudo e achei que era de outra série/franquia. Tipo, a mais perdida!!!
    Sua resenha me deixou curiosa e empolgada. Acho que seria mais do que interessante ler o livro - e eu sempre tenho uma quedinha por vilões então....rs
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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  4. Olá,

    Confesso que não posso ser considerada fã de quadrinhos e hqs, porém amo super heróis, assisto tudo quanto é de desenhos e filmes, e sou mega apaixonada pelo Loki, o cara é malvado (eu amo os malvados *----*) e é sarcástico (até mesmo no filme), então estou louca de curiosidade sobre esse livro, e não vejo a hora de poder lê-lo. Adorei demais a dica!

    Beijos,
    entreoculoselivros.blogspot.com.br

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  5. Olá, tudo bem?
    Realmente eu já conhecia a obra e vi presa em sua resenha porque fiquei bastante curiosidade e atenta, adoraria mesmo ter a oportunidade de realizar a leitura, ótima resenha!
    Beijinhos da Morgs!

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  6. GENTE COMO É QUE EU NÃO SABIA DESSES LIVROS? JUNTO EU... QUEROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!
    Adorei ler os trechos que você selecionou, só me deixou ainda mais ansiosa para ler e rever o Loki! <3 Quem não ama ele?

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  7. Oi Beta,
    A capa desse livro é espetacular! Linda demais! Sempre tive curiosidade em saber mais do Loki, seu personagem me agrada de maneira estranha, acho que pelo seu sarcasmo desprovido. Quero muito ler esse livro é espero fazer essa leitura em breve.
    Bjim!
    Tammy

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  8. Eu estou maluca para ler esse livro!!! Ameei seu post e saber mais sobre a obra. E essa capa maravilhosa?! O Loki é meu anti-herói favorito e irei adorar saber mais sobre ele :D
    Beijos!!

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