terça-feira, outubro 11, 2016

Ciao!!!



Pensem em um ser humano quicante de felicidade. 
Pois é, fui eu quando F-I-N-A-L-M-E-N-T-E!!! consegui colocar as mãos neste livro. Rolou abraço apaixonado, sentir o cheiro, folear com reverência. Há anos eu estou atrás desta biografia, mas a gente sempre se desencontrou. Para vocês terem ideia, ele era o #1 na minha “Lista dos Desejos”. 


Agora finalmente ele saiu da lista e terá lugar cativo e bem amado na minha futura estante.

*** Texto originalmente escrito pro Livrólogos, que a Rosana gentilmente permitiu que fosse publicado no Literatura de Mulherzinha. Obrigada, Rô! ***

Renato Russo: o filho da revolução – Carlos Marcelo – Planeta
(2016)

Parece que foi ontem que eu tentei aprender a cantar músicas da Legião Urbana ouvindo o rádio. E parece que foi há cinco minutos que recebi a notícia que Renato tinha morrido (sim, sei onde estava, o que estava fazendo e nunca esqueci a data). Afinal de contas, sou – e sempre serei – uma Legionária em treinamento (podem ter certeza, tem gente em estágios muito mais avançados que eu).

Na versão revista e ampliada, Carlos Marcelo inclui relatos de livros e outros materiais publicados depois da primeira edição, em 2009. A mais completa biografia não trata apenas de Renato Russo, mas de todo um período onde talentos de diferentes origens explodiram em Brasília. Um fenômeno que surgiu entre os filhos de classe média, de funcionários públicos, diplomatas, que tinham (e também buscaram) influências em outros países, especialmente no cenário musical Inglês. Da convergência do que apreenderam, do repertório pessoal, da forma de sentir, ver e se expressar sobre a vida, as pessoas, o cenário do país naquela Brasília durante a ditadura e a abertura política. 
Metade do que acho legal de escrever letra de música e de escrever para a Legião é inventar meu pequeno universo” (Entrevista ao Estado de São Paulo, 1995)
Muito já foi dito a respeito de Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo. Por quem o conhecia, por quem não o conheceu, por quem tinha certeza de entendê-lo através das músicas que ele deixou. A biografia conta esta história por meio de diferentes vozes, personagens, pesquisas, referências. Contextualizou a trajetória pessoal, relacionando com a cidade que se tornou a base dele na vida: Brasília, o sonho no cerrado construído por Juscelino e que passou anos procurando por uma identidade (ou até mesmo como é comentado no livro – procurando por uma alma).

Neste processo, surgiram bandas que nos colocam para cantar e dançar até hoje. Paralamas, Capital Inicial, Plebe Rude. Todos, à sua maneira, foram testemunhas deste tempo e transformando e criando uma cara para o rock brasileiro distinta de tudo que foi feito antes. E se tornando a referência.

E neste contexto, nasceu Legião Urbana. Aquela que, como dizia o lema, a todos venceria.

- Renato, você fica repetindo o tempo inteiro ‘A Legião são vocês, a Legião são vocês”. Mas, se é isso mesmo, por que você não atende nenhum pedido de música durante os shows?
Impertubável, Renato esclarece:
- A Legião são os fãs. Mas as músicas e os shows são meus”.

Da cabeça, dos sentimentos e das mãos de Renato surgiram músicas que falavam de uma geração, de uma juventude que queria romper com o mundo que a restringia, de experiências com drogas, de amor, de tristeza, de alegria, de rompimentos, de depressão, de sonhos, de frustrações. Uma trajetória que abarca qualquer um que se identifique com um verso, um refrão ou com uma música do primeiro ao último acorde. As pessoas entravam em catarse, os shows saíam de controle. Era como se alguém colocasse voz e palavras naquilo que estava preso no nosso peito, martelando na nossa cabeça, engasgado na garganta – e eu, modestamente, acho que justamente esta identificação é o fator que fez a Legião Urbana derrotar inclusive o mais implacável de todos os rivais: o tempo. As pessoas não deixam as músicas caírem no esquecimento e passam uns para os outros como se elas tivessem acabado de tocar pela primeira vez

(Ah, caso não tenha dado pra perceber, sou um caso perdido em se tratando deles, ok? Eu usei Faroeste Caboclo em uma aula – tenho testemunhas. E neste ano tive a chance de dizer isso por telefone ao Marcelo Bonfá no encerramento de uma entrevista, em um daqueles momentos em que a jornalista deu voz à fã).

A biografia compensou toda a expectativa que eu tinha a respeito. Conseguiu reconstruir – e me colocar – na jornada de um homem extremamente intenso, sensível e inteligente. Que tinha uma visão apurada de um mundo que o deixava deprimido, mas, ainda assim, encontrava lampejos de poesia nele e compartilhava conosco. Não é nada fácil deixar o emocional tão exposto em seus auges e decadências, forças e vícios, mesmo que por trás de metáforas, frases e palavras criadas a partir de uma base melódica. Não devia ser fácil ser Renato Russo, o livro deixa isso bem claro. Não é endeusar, nem atirar pedra, é encontrar o valor de uma vida que acabou de forma precoce, mas deixou uma obra consistente que nos emociona não importa quando e onde.

Se você se interessa por Renato, por Legião e por este momento, pegue esta biografia, siga uma adaptação da sugestão que está no encarte de O descobrimento do Brasil“Leia no volume máximo!” 


Bacci!!!


Beta
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