segunda-feira, setembro 05, 2016

Ciao!!!


Recebi a recomendação da Rosana Gutierrez: “Você vai adorar!”. Um livro que fala de protagonista em período de crise, usando uma metáfora de um fenômeno astrológico, é a dica do dia no Especial Brasil.

Ah, sim, eu adorei!

Quando Saturno voltar – Laura Conrado – Globo Livros
(2015)
Personagens: Déborah Zolini e o “retorno de Saturno”

Déborah estava conformada em um emprego como assessora de comunicação de um time de futebol da série B, em um noivado com o dr. Sérgio que andava entre morno e frio. Durante uma viagem ao Chile, foi alertada sobre o que ainda estava por vir, as influências do retorno de Saturno no mapa astral trariam muitas mudanças, “riso e choro”. E realmente, desde a volta da viagem, as certezas que a conformavam começaram a ser demolidas.

Comentários:

- O “retorno de Saturno” é uma referência à volta do planeta ao ponto onde estava quando você nasceu. É o tempo da trajetória dele em torno do sol, entre 28 e 30 anos. Dizem que é um período de mudanças, de estabelecer planos e compromissos a longo prazo.

- No caso de Déborah, pouco antes do aniversário de 29 anos, ela se via presa em um emprego que não pagava bem, a sobrecarregava com várias funções fora do que deveria fazer, estava em um relacionamento morninho morninho com o Sérgio, que estava quase virando um relacionamento à distância. A família era a mesma confusão de sempre. Até que ela conheceu Henrique na volta de uma viagem a trabalho ao Chile e começou a questionar o que sentia pelo namorado.

- Por Saturno, pela vida, pelo ponto a que chegam as insatisfações pessoais, o mundo em que Déborah se deixava conformar começa a ruir. Coisas ruins começam a se revelar, oportunidades que ela nunca pensou explorar surgem. Deborah precisa perder o medo para se jogar e ver o que pode render o retorno do planeta do Senhor do Tempo.

- Com uma linguagem bem leve, a trama flui. Temos uma heroína diante do questionamento trazido pela “ crise dos 30” (como dizem os psicólogos): o que houve com os meus sonhos, por que ainda não os realizei, será que consigo realizá-los, será que não é hora de buscar novos horizontes? Por que a gente se conforma com um relacionamento que não parece tão bom só pra não ficar sozinha? Será que a gente precisa do olhar de outro para se sentir bem? Por que é tão difícil se sentir bem consigo mesma?

- E claro, o fato de ela trabalhar em um time de futebol (com o subtexto do machismo automático enfrentado por ser um elemento feminino neste universo), de ser uma jornalista explorada por patrões abusados (ah, esse povo que acha que o serviço pode ser um favorzinho, um quebra-galho que não precisa ser remunerado porque "é fácil e qualquer um faz) claro que aumenta as possibilidades de identificação. E no meu caso, o fato do futebol ser um elemento tão presente na vida dela, torcedora fanática de um time mineiro que disputou e venceu a Libertadores (o livro não fala, mas eu acho que é o Atlético), também ajudou a entender os sofrimentos, angústias e forma de Déborah de ver a vida. 

- Embora o amor seja um dos fios condutores, não é o palanque da redenção da heroína. Ela precisa aprender a amar si mesma, com todos os prós e contras e apesar dos pesares. Precisa aprender a se libertar dos laços que a prendem e a impedem de ser plenamente ela, em todo o seu potencial. Não busca o amor romântico, mas o amor real, com seus encontros, desencontros e outras jornadas no meio-tempo. Ou seja, diverte, dialoga com a gente e inspira. Vira uma boa dica de leitura, né?

Ah, sabia que o “retorno de Saturno” inspirou até música dos Detonautas? Descobri na pesquisa:

Letra  


Bacci!!!

Beta
Reações:

8 comentários :

  1. Oie
    Sabia que vc ia gostar.
    Muito gostoso de ler. Essa autora é muito boa.
    Bjs

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  2. Oiii
    Eu não sabia sobre esse livro, achei bem interessante, a temática o assunto, deve ter sido uma leitura adorável, uma da qual eu adoraria ter, irei colocar na lista, parabéns, fiquei curiosa com o desenvolver.

    Beijos

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  3. Olá!

    Não conhecia esse livro, mas curti a premissa. Adoro futebol e sou uma quase jornalista, então com certeza vou me identificar com essa história.

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  4. Oiii!!

    Eu já ouvi falar sobre esse livro mais ainda não tinha lido. Na verdade não me lembro de resenha sobre ele e gostei das suas considerações. Legal ser inspriado em uma música do detonaltas.
    Quero ler!

    Beijinhos

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  5. Olá, que excelente dica, eu super amo livros que nos fazem pensar muito e rever nosso pensamentos e conceitos. A famosa crise dos 30 que nos pensar se estamos no camimho certo, com o cara certo e tal, não conhecia mas me interessou muito, sua premissa ficou instigante, a dica está anotada e pretendo conferir em breve. Bjs

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  6. Confesso que não conhecia esse livro e até tenho imensa curiosidade, me tiraria da zona de conforto e com isso me atraiu bastante!
    Abraços

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  7. Oie
    já li o livro assim que lançou e foi uma leitura bem tranquila e rapida, porem, esperava mais da autora, mesmo assim pretendo dar mais uma chance

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Ah, senhor, eu não tive crise de trinta anos. Foi mais uma insatisfação em pílulas contra tudo o que eu tinha sentido e vivido em meus trinta anos (eu sequer sentia-me com trinta anos e não sinto-me com trinta anos agora, quando tenho mais uma quinzena de aninhos a somar). Saturno, ou Tempo, é um pestinha que devora e esconde tudo o que existir, o que poderia ser cruel às vezes - e é ! - mas é balsâmico também !

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