quarta-feira, julho 13, 2016

Ciao!!!


13 de julho de 2014 marcou um dia importante para a história do futebol alemão. Foi quando a equipe se tornou quatro vezes campeã mundial, ao vencer a Copa no Brasil.
Gustavo Hofman fez parte do grupo de jornalistas que esteve ao lado dos alemães durante a permanência deles no país. O resultado desta experiência se tornou este livro.
E nada mais justo que publicar hoje sobre ele, né?

40 dias com a campeã do mundo: histórias e bastidores da Alemanha no Brasil – Gustavo Hofman – Via Escrita
(2014)

*** Pausa para uma saudade: OOOOEEEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! ***

Numa destas estradas da vida, eu me correspondia por e-mail com uma alemã. As duas interessadas em falar de futebol, saber mais da cultura de outros países e praticar Inglês. Ela me disse algo que me fez refletir. Não está literal, mas foi mais ou menos assim: “A Copa do Mundo possui mais de 30 seleções. É óbvio que a maioria sairá frustrada. Apenas uma ganhará. Não entendo porque vocês, brasileiros, acham que devem ser sempre os campeões”.

Vi que ela tinha razão. A vontade do brasileiro em ser campeão escancarava as portas para outras coisas não tão legais como a arrogância, a soberba e o fato de subestimar os adversários. O agravante é que há muito tempo não temos uma Seleção que mostre esta soberania em campo. E na Copa de 2014, óbvio, isso não ocorreu.

Gustavo Hofman, a partir da observação do cotidiano dos alemães, que foram para Santa Cruz de Cabrália, na Bahia, reparou em toda a organização ao redor da equipe. Sem perder a simpatia, tudo tinha seu tempo. Fizeram festa, interagiram com a comunidade, com a torcida adversária e trabalharam. Trabalharam muito. Souberam equilibrar tudo que deveria ser feito. Logo o time que ficou entre os quatro primeiros nas últimas quatro copas: foram vice em 2002 (perdendo para o Brasil), derrotados nas semifinais em 2006 (na prorrogação de final eletrizante contra a campeã Itália) e em 2010 (para a Espanha, que também se tornaria campeã). 

Sendo que, como cansou de ser noticiado no Brasil após o 7 x 1, após a derrota de 2002, começou uma reformulação no futebol do país que transformou a Bundesliga (Campeonato Alemão) no mercado forte atual, incentivou o trabalho nas categorias de base que abriu as portas para uma geração que está amadurecendo desde 2006, quando foram 3º lugar na Copa disputada na casa deles, e veio batendo na trave nas EuroCopas e na Copa do Mundo seguintes. Estava na cara de quem acompanhava que, mais cedo ou mais tarde, este trabalho daria certo. Adivinha onde e quando os anjos resolveram dizer “amém”?

O que as observações de Gustavo Hofman destacam foi que o caminho da Alemanha até o tetra não foi tão pavimentado como a maioria deve pensar. Afinal de contas, a lembrança dos brasileiros majoritariamente envolve o massacre do Mineirão, os vídeos simpáticos (Bahêa! Bahêa!) e Podolski arrasando como social media nos perfis dele em redes sociais. No entanto, no diário do jornalista, consta o desespero dos colegas alemães com a teimosia do técnico Joachin Löw em improvisar jogadores nas laterais e deixar Philip Lahm no meio campo. Alguns jogos foram mais complicados por conta dos adversários que souberam explorar esta deficiência (como no insano jogo contra a Argélia, pelas oitavas de final).  Além disso, as contusões perseguiram a equipe, que perdeu Marco Reus no último amistoso antes da Copa e penou com jogadores em condições abaixo do ideal ao longo da competição (Hummels foi um dos que se machucou).

Os capítulos são separados pelos dias de cobertura. Para minha tristeza (porque eu iria escrever até a quantidade de formigas que encontrei no caminho), não são longos, porque o jornalista poupa o público não entendido da narrativa de rotinas e vai direto aos pontos que interessam. Correr atrás da notícia, cavar informações da agenda da equipe, cumprir o acordado com a assessoria (nada de “jeitinho brasileiro” funcionaria). Ainda há algumas fotos, feitas por ele mesmo, de registros de momentos da cobertura, da equipe que estava lá, das visitas dos jogadores alemães à comunidade que os recebeu, das viagens pelo Brasil seguindo o time.

O livro também mostra que o trabalho do jornalista de TV vai muito além do que a pessoa vê. Sei que isso soa óbvio, mas juro que tem gente que não compreende isso, portanto é importante destacar. Coberturas especiais dessa magnitude significam na prática dias longe da família, se alimentando quando sobra tempo, sofrendo com problemas além da nossa capacidade de resolver (somos dependentes da tecnologia. Ficar sem sinal de celular ou internet é suficiente para desesperar quem tem prazo para entregar materiais. Experimenta dizer que não encontrou uma saída para ver qual será o seu destino...), atenção o tempo todo para não perder o detalhe que pode mudar o rumo de uma pauta ou mesmo se tornar a manchete do dia (como a tentativa da Federação Alemã de Futebol de levar Bastian Schweinsteiger para um exame de ressonância magnética sem que a imprensa soubesse). 

E mesmo em um intenso clima de competição, ainda bem que existe respeito entre os colegas de diferentes emissoras. Tanto que Hofman cita os nomes de todos que passaram esses 40 dias na cola da Alemanha e dá mérito aos colegas que conseguiram furos antes deles. Além, claro, de compartilhar a emoção de participar de uma Copa do Mundo em casa. Para ele (e creio que para todos), era um sonho de infância que se tornou realidade.

Bacci!!!

Beta
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Um comentário :

  1. Oh, eu fiquei com muita raiva de futebol, principalmente de futebol brasileiro, depois daquele 7 x 1 miserável dessa última Copa Mundial !!! Sequer importei-me com Olimpíadas e seu futebol por conta daquele fiasco miserável (que eu acredito piamente ter sido uma encomenda, apesar de seleção alemã jogar muito bem em minha opinião ignorante). Aliás, alemães foram mesmo uma seleção simpática ! Postagem jóia !

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