quarta-feira, julho 06, 2016

Ciao!!!




Eu sou uma linda e graciosa bailarina.
Em algum cantinho da minha mente ou em uma realidade alternativa, óbvio.
Às pessoas com DNA de bolinha de pinball e desprovida de coordenação motora, como eu, só restam admirar e se emocionar com histórias de vida de pessoas determinadas e talentosas.
O livro sobre a vida de Michaela DePrince me ganhou na capa. E foi uma das melhores escolhas que fiz neste ano.

O voo da bailarina – Elaine DePrince e Michaela DePrince – Best seller
(Taking flight: from war orphan to star ballerina – 2014)
Personagens: Michaela Mabinty DePrince

Mabinty Bangura nasceu no interior de Serra Leoa e se considerava afortunada por ser a única filha em uma família onde era vista como um ser humano – e tão importante quanto um menino. No entanto, perdeu o pai, assassinado por um grupo de rebeldes violentos, os debils. O período difícil no orfanato e a fuga do país. A adoção por pais norte-americanos, um novo nome, Michaela, e a vida em outro país, a determinação em se tornar bailarina e as dificuldades em prosseguir na busca por um sonho descoberto por causa de uma foto de capa de uma revista.

Comentários:

- Mabinty Bangura foi muito amada pelos pais biológicos, que incentivavam a filha a sonhar e estudar para poder ir muito além das fronteiras de Serra Leoa. Só que a ação dos rebeldes violentos mudou tudo. O pai, que a amava, protegia e incentivava, foi morto trabalhando na mina. O tio, que desprezava as mulheres, tomou o dinheiro que os pais guardavam para ela. A mãe adoeceu e morreu. Considerada uma “boca a mais” e “feia” por causa das manchas de vitiligo, a “criança do diabo” foi abandonada em um orfanato, onde se tornou a Número 27.

- Viveu a angústia de não saber se teria chances como as demais crianças de ser adotada por um casal estrangeiro. Testemunhou novamente a violência – algo realmente chocante para qualquer um, ainda mais uma criança, testemunhar – e os debils mais uma vez interferiram no caminho de Mabinty, fazendo com que todos no orfanato fossem obrigados a fugir para Guiné e, de lá, para Gana. Muita instabilidade e incerteza que foram compensados quando o (aparente) impensável aconteceu: a mesma família que tinha escolhido a Mabinty Suma, a Número 26, também quis adotá-la. Uma chance para, além de ter uma família que a amasse, realizar o sonho descoberto na capa de uma revista em Inglês que ela encontrou no período no orfanato: se tornar uma bailarina, como a moça de tutu rosa da foto.

- A narrativa de Michaela é objetiva, sem firulas, sem pena de si mesmo. Como se estivesse na nossa casa nos contando a história dela, repleta da percepção sobre si mesma em diferentes ambientes, seja em meio a hostilidade e à violência ao seu redor na África ou diante do mundo novo aberto na casa dos DePrince nos Estados Unidos. Ela relembra os momentos ruins, as descobertas, os sonhos, as realizações, o amor que encontrou nos pais e irmãos adotivos. Elaine e Charles DePrince tiveram cinco filhos, sendo que dois meninos eram hemofílicos e foram contaminados com HIV e morreram antes da chegada das meninas, e um coração enorme e casa aberta para crianças. As meninas ganharam mais um nome, Mia e Michaela, antes de seus nomes de batismo. E mais tarde, veio Isatu, que escolheu ser chamada de Mariel, para combinar com as irmãs.

- Michaela conta que a mãe cumpriu a promessa de levá-la para aprender a dançar. E o talento natural e o corpo favorável para a prática da dança a fizeram se destacar, progredir e se dedicar – e até mostraram para ela que o vitiligo não seria empecilho para nada. Um amor reforçado após ver – decorar e repetir – a coreografia de um dos mais conhecidos balés de Tchaikovsky, O quebra-nozes. Ela explica o encanto que sentia com as músicas, a orientação e problema que teve nas escolas – incluindo a falta de outras bailarinas negras em quem se inspirar, o fato de que muitos professores não investirem em alunas negras sob a alegação de que elas não tinham o biótipo físico exigido de uma bailarina –, além do apoio que recebeu para evoluir e do quanto cobrava de si mesma para ser melhor.

- A incrível história de uma garotinha nascida em Serra Leoa, órfã ainda criança e que deixou a violência para trás e encontrou uma forma de aperfeiçoar a expressar seu talento, se tornou conhecida durante o documentário First Position, de 2011, que acompanhou jovens bailarinos que participavam do Youth American Grand Prix (YAGP), o maior concurso internacional de bolsas de balé.

- Houve problemas. Houve acusações de que a adoção das meninas tinha sido irregular; que elas estariam melhores com suas famílias biológicas e inclusive apareceram pessoas clamando serem parentes delas. Houve racismo – e nem sempre das outras meninas, mas das mães (exatamente). Michaela tem uma voz clara e concisa sobre cada um destes tópicos e demonstra maturidade ao focar no que de melhor recebeu da vida: o carinho dos pais biológicos, o carinho, apoio e amor da nova família, a dedicação e a persistência para lapidar e evoluir no talento para a dança, para que se torne a jovem de tutu rosa na capa. A jornada de Michaela está apenas começando. Ela ainda tem muito a contar. E vai poder dizer que fez parte de um projeto como o Lemonade e convidada pela própria Beyoncé

- Já mencionei antes em algum lugar por aqui que eu adoro as composições de Tchaikovsky – desde que ouvi um daqueles CDs comprados junto com a revista Caras. Claro que ouvi outros compositores, mas tem algo nas obras dele que desperta aquela bailarina imaginária que existe em mim. E foram justamente balés de Tchaikovsky que Michaela cita: O Quebra-nozes, A Bela Adormecida e O Lago dos Cisnes. Sem contar que, em um dos vídeos dela para o First Position, a música que ela está dançando é uma que eu uma vez imaginei (dentro do meu restrito conhecimento) como seria uma coreografia para ela. Sim, eu conheci a música, se chama “Bolero” e toca enquanto sobem os créditos do filme Moulin Rouge – está no 2º CD da trilha sonora, como dizia uma amiga, “o CD obscuro” (deu pra notar que eu gosto do filme?). Estes pequenos detalhes me aproximaram da história de Michaela e só reforçaram o que disse lá no início: foi uma das minhas melhores escolhas neste ano. E se você gosta deste tipo de livro, é uma excelente opção.


Bacci!!!

Beta
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