segunda-feira, junho 27, 2016

Ciao!!!


Ou se preferirem, unidos por David Levithan.
Senta que lá vem história!
Eu só conheci o Vinicius pessoalmente no dia 16, primeiro dia da Bienal – mas já o tinha entrevistado antes para a matéria especial para o G1 Zona da Mata com autores que estariam no evento. 

E depois de ler a sinopse do 1+1= a matemática do amor, uma das primeiras perguntas que fiz a ele foi: “Você já leu David Levithan?” e ele me disse que gostava muito do autor, especialmente de Todo Dia.

Pronto: assim nasceu uma amizade recheada de abraços (eu e ele temos DNA de Olaf, só pode) selada com uma foto que foi para a pastinha das que irei revelar em breve!

Ainda não li os livros dele – além do 1+1 escrito em parceria com Augusto Alvarenga, tem O garoto quase atropelado, lançado na Bienal do RJ no ano passado. 

Ambos vão aparecer por aqui assim que possível (leia-se: eu melhorar da crise alérgica/garganta cortesia deste clima de Jotunheim sem Loki; cumprir alguns compromissos previamente assumidos e ter um pouquinho mais de tempo depois que organizar coisas ainda pendentes). 

E serão os dois, porque se o 1+1 me ganhou na sinopse, O garoto quase atropelado ganhou #MadreHooligan na capa e agora temos livros especialmente autografados aqui em casa ;)

Geralmente antes de um escritor, há um leitor. Por isso, a minha primeira pergunta foi mesmo como tudo começou. 

É muito curiosa esta história, porque a minha mãe é professora e sempre gostou muito de ler. E ela me conta que, quando eu estava na barriga dela, ela ficava lendo historinhas infantis para mim e todo mundo ria, falava que ela era louca, que eu não estava ouvindo. Mas ela acreditava que eu estava ouvindo e captando a mensagem que ela estava passando com aquelas historinhas. Eu sempre fui uma criança que preferia ganhar um gibi da Turma da Mônica e logo depois do X-Men, Homem Aranha, assim de aventura conforme fui crescendo, do que carrinhos e bonecos”.

No entanto, lá atrás ele pensou em seguir um outro caminho para contar histórias. Até que veio a mãe... 

Quando eu tinha 11, 12 anos, o meu sonho era trabalhar com histórias em quadrinhos e eu comecei a produzir. Eu criava umas histórias em quadrinhos, criava uns personagens e ficava escrevendo, fazendo aqueles desenhos. Só que a minha mãe, que me colocou no rumo na primeira vez, incentivando a leitura, veio e me deu um balde de água fria, porque ela falou pra mim de uma forma muito sincera que eu desenhava mal. E eu com meus 14 anos fiquei muito frustrado e parei de desenhar. Depois de um tempo, de uma reflexão íntima eu percebi que, eu realmente gostava era de criar histórias. Eu desenhava realmente muito mal e o que me dava prazer quando eu estava desenhando era criar histórias, criar o envolvimento dos personagens e a partir daí eu comecei a escrever”. 


Depois da mãe, outra professora deu o empurrão – inesperado – para que o futuro jornalista descobrisse o talento como criador e narrador de histórias. Afinal de contas, ela confiscou a primeira que ele escreveu (Quatro Caminhos e nunca foi publicada).

Eu levava para a escola, os meus amigos iam lendo os capítulos, acompanhando e dando feedback na hora. Até que provavelmente estava atrapalhando a aula de Literatura e a professora chamada Fabrícia, nunca esqueço, e ela pegou os originais e falou que queria conversar comigo no final da aula. Eu já fui preparado para o esporro, mas ela perguntou o que era e eu disse que era algo bobinho que estava escrevendo. Ela perguntou se podia ler e, mesmo morrendo de vergonha de mostrar o que eu escrevia para as outras pessoas, eu deixei. Ela não apenas leu, como levou esses capítulos originais para um outro colégio onde dava aula. Depois de duas semanas levou cinco meninas que tinham lido todos os capítulos pra conversar comigo. Eram pessoas que eu nunca tinha visto na vida. Eu fiquei aterrorizado e, ao mesmo tempo, encantado e muito feliz. A partir dali, eu vi que o que eu escrevia poderia tocar pessoas que eu nunca havia tido contato”.

Agora, depois de três livros publicados – dois atualmente disponíveis no mercado pela Faro Editorial – Vinícius Grossos se surpreende com os retornos e o carinho que recebe de quem leu suas histórias. 
“Para mim, é impressionante porque eu sinto isso por outros escritores e eu não tinha ainda a compreensão de que talvez os meus livros pudessem causar o mesmo efeito que livros tipo Quem é você, Alaska? e Todo Dia causam em mim. Agora na turnê do 1+1 eu visitei quatro cidades e a galera ia para o lançamento, levava presentes, levavam cestas de chocolate, levava cartinhas, canecas com a capa dos meus livros, mimos assim que... gente! A pessoa se propõe a comprar o livro, já se propõe a entrar numa fila ficar lá 2h, 3h esperando pra ter um pouquinho de contato comigo e ainda leva presente? Na Bienal do Rio, uma leitora de Salvador, cidade onde nunca estive, chegou lá com uma cesta cheia de presentes, de bichinhos de pelúcia, cocada e chocolate. E minha mãe e meu pai estavam no dia e ficaram 'por que você está ganhando presentes? O que você fez?'. Ninguém acredita que o escritor vá receber este tipo de mimo, sabe? Foi algo muito surpreendente, foi quando eu realmente percebi que as pessoas olhavam pra mim e viam em mim um cara especial que contava histórias especiais para elas e isso é incrível”.

E quem são os autores favoritos de Vinícius? Como eles o inspiram? 

Eu amo a escrita do Markus Zusak, o mais conhecido é A menina que roubava livros, mas não é o meu favorito. Eu amo A Garota que eu quero e Eu sou o mensageiro, os dois estão no meu top 10 porque ele consegue fazer situações cotidianas se tornarem muito interessantes com a forma como ele conta a história. E é isso que eu me proponho a fazer nos meus livros: pegar histórias cotidianas, que poderiam ser suas, do seu vizinho, do sua amiga ou do seu familiar e transformar aquilo numa história atraente e interessante. Eu amo também a narrativa do John Green e do David Levithan, por mais que eles tenham alguns que não me agradam tanto, mas tem livros deles que me tocam de uma forma que eu falo ‘meu Deus, esses caras são demais!’. Eu amo a J. K. Rowling, por mais que ela escreva outro um estilo que não é o meu, mas a forma como essa mulher escreve, narra a história e descreve os lugares é incrível. Eu também gosto muito do Stephen Chbosky, autor de A Vantagem de ser Invisível, graças a sensibilidade da escrita dele”.

Snap do Vinícius
Para quem quiser seguir o mesmo caminho e se tornar um (a) autor (a) de histórias, Vinícius considera que a perseverança é a principal dica a ser seguida. 

Eu já tomei não de todas as editoras do Brasil e de algumas no exterior. Comecei em 2009, fui publicado por uma editora que serviu como gráfica em 2014 e por uma editora grande em 2015. Olha quanto tempo passou! Em nenhum momento, eu desisti. Eu ficava desanimado, chorava, gritava, queria explodir todo mundo, depois colocava a cabeça no lugar e falava ‘eu vou conseguir’. Gente, é difícil? É! Mas tem espaço para todo mundo”.

Sobre a escolha de tema, Vinícius destacou que a proximidade e a intimidade com o assunto ajudam na hora de contar a história. 

Escreva sobre coisas que você conhece, principalmente no primeiro livro. Tudo bem que a gente pode fazer pesquisa, mas, se você escrever sobre um lugar que você realmente conhece, vai conseguir colocar ali um olhar peculiar, delicado, diferente do que se você for fazer uma pesquisa no Google e for descrever Nova York. Tenta escrever sobre sentimentos que você já viveu e tenta não seguir muito a maré, sabe? Tenta colocar realmente a sua impressão do mundo. Pensa um pouquinho, ‘será que daqui a 10, 20 anos vou olhar para trás, para este livro e vou sentir orgulho dele?’ Se for sentir orgulho dele, então escreva”.


Bacci!


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