sábado, junho 25, 2016

Ciao!!!!


Nada como pegar livros para adolescentes para relaxar de dias intensos e corridos. E me lembrar de como eu era nesta época, além de achar que o mundo era menos complicado que agora...

Confusões de um garoto – Patricia Barboza – Verus Editora
(2016)
Personagens: José Carlos de Almeida Júnior, Zeca

A vida de Zeca jamais seria a mesma após aquele verão. Primeiro porque parecia que todas as mudanças físicas vieram juntas, ele tinha ficado mais alto, mais forte e superou a mudança da voz. De repente, todo mundo estava prestando atenção nele. Além disso, o garoto não entendia os sentimentos pela melhor amiga, Júlia. E tentava acompanhar a mente incompreensível das irmãs gêmeas e da mãe. Ou seja, as confusões habituais de um adolescente de 14 anos.

Comentários:

- Estamos acostumados a ver tramas narradas por garotas, independente do estilo. É interessante, mas por exemplo, afasta muitos garotos dos livros por conta da bobagem de achar que estão lendo “coisas de garotas”. Por isso, um livro narrado por um garoto oferece um ponto de vista diferente que pode chamar os leitores para saber se compartilham das mesmas experiências.

*** Veja como a Patrícia Barboza pesquisou sobre o universo masculino no #LdMnaBienalJF ***

- Nesta fase da vida, os garotos – já que estamos focados na jornada de Zeca – também passam por várias mudanças, sejam o estirão e as modificações corporais ou a mudança da voz. No caso dele, ainda tinha o fato de conviver bem com os pais separados (creiam, nem sempre isso é possível) e tem a relação habitual com as irmãs gêmeas mais novas (ou seja, não entende quase nada que se passa na cabeça delas). Quando a história começa, ele está aprendendo a lidar com o novo corpo, com a nova voz, com todo mundo estranhando a mudança que ele sofreu durante o verão, com a surpreendente atenção que passou a chamar das meninas. Ah, sim, o típico humor instável da idade. A divergência de interesses com quem antes era amigo pra todas as horas.

- Zeca passa também pela descoberta de como se relacionar com as garotas, a timidez, os foras, as rejeições, a dúvida quando o interesse pode ser real, o ciúme que vem do “além” (que você custa a admitir que é ciúme). Neste caso, ele sempre conta com o apoio dos pais para tentar colocar ordem na confusão mental e emocional que se instala (o que é uma baita sorte dele, porque nem todo mundo tem coragem ou faz isso, preferindo, às vezes, ouvir quem não tem nada de bom para acrescentar)

- E ainda encontra espaço para outros temas que se tornaram comuns nesta idade, como o bullying – que não está mais nem perto de ser aquilo que outras pessoas mais velhas que eu enfrentaram, o tal “ah, todo mundo teve um apelido na vida”. O bullying tem todo um desejo de maldade e de ferir a pessoa em uma proporção que os apelidinhos irritantes nunca tiveram. (Sim, tentaram colocar em mim apelidos irritantes. Sim, soube lidar com eles. Não, não é uma boa lembrança para quem tentou colocar os tais apelidos em mim).

- Como não li a primeira versão, de 2010, não posso listar onde estão os acréscimos da edição revisada e lançada agora pela Verus. De qualquer forma, pra quem já trilhou este caminho, vale para matar a saudade (ou não) de grandes dilemas existenciais vividos entre os 12 e os 15 anos. Além disso, é uma opção para sala de aula para discutir medos, autoestima, formação da identidade, individualidade, laços de amizade, laços de afetividade. Ótimo para levar para os adolescentes para mostrar que cada um deles não está sozinho ao enfrentar os problemas, confusões e outros balacobacos desta fase da vida.


Bacci!!!

Beta
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Um comentário :

  1. Muito legal a resenha! Obrigada pelo carinho e espero voltar em breve! Beijos enormes!

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