sábado, junho 04, 2016

Ciao!!!



Ah, laços de família, crime, suspense e polícia. Um homem sob suspeita tenta reconstruir a vida, mas será possível conseguir isso sem acertar as contas com o passado?
É Nora, né, gente? Então já sabe que tem todas as chances de ser bom!

A casa da praia – Nora Roberts – Bertrand Brasil
(Whiskey Beach – 2013)
Personagens: Abra Walsh e Eli Landon

Eli precisava recomeçar a vida interrompida após o assassinato da esposa. Inocentado do crime, mas ainda não totalmente livre da suspeita. Por isso, voltou para Bluff House, a casa do penhasco na Whiskey Beach, na costa de Massachusetts. Com apoio de Abra, a jovem que ajudava a avó dele nos cuidados com a casa, Eli começou a se refazer. No entanto, o crime pelo qual não foi condenado ainda o persegue. E diante de outro assassinato e estranhos fatos, Eli descobre que está envolvido de algo muito complexo e que só desvendar a verdade poderia libertá-lo de vez.

Comentários:

- Ah Nora quando resolve fazer a gente brincar de montar quebra-cabeças é pra deixar um maluco. Ela encontrou um ritmo que funciona para a história, fazendo a gente conhecer a Bluff House, a relação da casa com a família de Landon e com a comunidade. Aquela sensação de, não importa as condições do tempo e o clima, a casa de estrutura sólidas no penhasco, resistirá.

- E é desta sensação de sobrevivência à tempestade de que Eli precisa. Tinham sido meses horrorosos desde o dia fatídico em que ele a encontrou morta na casa onde moravam. Justo após uma briga pública porque ele descobriu que ela o traiu. No entanto, apesar de ser o suspeito óbvio e ter sido levado a julgamento, nada foi provado contra ele. para indignação do policial que investigou e da família de Lindsay.

- O livro trata da reconstrução de Eli enquanto ser humano. Ele foi destroçado pelo fim do casamento e da vida como ele conhecia até então: a de advogado criminalista com um status social e um padrão de vida. Mesmo inocentado, tudo isso se desfez. Ele precisava recomeçar e o tempo foi um parceiro. E quando foi possível, a distância da família – que pisava em ovos preocupada com ele – também se tornou outro. para isso, nada melhor que tomar conta de Bluff House enquanto a dona da propriedade, a ativa avó Hester, se recuperava das consequências de um tombo daqueles feios.

- Um dos pilares que conduzem Eli de volta à vida é Abra. A jovem que também já teve a cota de sofrimento na vida e aprendeu a se equilibrar para enfrentar e vencer os desafios. A gente sabe o que vai acontecer, mas Nora conduz a relação deles com leveza, com humor, com aquelas coisinhas típicas de dia-a-dia: bilhetes, lembretes, implicâncias, fazendo-se presente mesmo quando não está ali. Não tem lenga-lenga. São dois adultos se relacionando após passarem por experiências ruins.

- Só que a morte de Lindsay ainda paira e incomoda Eli. Ninguém gosta de ser culpado por algo que não cometeu. E quando outros fatos demonstram que este passado ainda estava bem vivo e em aberto, Eli percebe que terá que concluir isso, descobrindo por que algumas coisas aconteceram e estão ainda acontecendo. Abra se dispõe a ajudá-lo e se vê arrastada para a confusão. E só mesmo descobrindo e encaixando as peças, Eli conseguirá chegar à própria liberdade e à paz de espírito possível após tanta tormenta.

- De certa forma, o desfecho não me surpreendeu (nestas horas, o bom tempo que li Agatha Christie faz diferença – aliás, devia reler para colocar no Literatura de Mulherzinha). E não é demérito, porque mais importante que um “OH!!!” no final é a coesão da jornada. É entender como assuntos aparentemente díspares estavam relacionados (tudo é citado na história por uma razão, não tem nada desperdiçado, pelo menos que eu tenha notado).

- A redenção e libertação de Eli vai passar pelo teste da persistência em lutar pela própria inocência – especialmente quando tudo está contra ele. Por um determinado momento, imaginei que o personagem que Eli descreve como “seu Javert pessoal” (quem leu ou viu o filme de “Os Miseráveis" vai entender a referência) fosse se tornar mais ostensivo, apesar de que Nora conseguiu me deixar angustiada sempre que o nome era citado, apenas por saber que a pessoa existia e o que ela pretendia. Entre traições, intrigas, fofocas, inveja, violência, traumas, amores, o afeto da família, Eli irá se reencontrar. Abra (de quem eu gostaria de ter toda aquela disposição para o equilíbrio e o autoconhecimento) irá ajudá-lo. É muito bom, tem momentos engraçados e românticos, é tenso e com certeza vale muito todo o seu tempo investido na leitura (seja em casa, no ponto de ônibus, no ônibus, de dia, de noite). Não esperava menos que isso de Nora Roberts.


Bacci!!!


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