domingo, maio 29, 2016

Ciao!!!





Eu torcia para que isso acontecesse! Sabia que, com o lançamento da minissérie da BBC, havia uma boa chance de relançamento do livro, com capa baseada na minissérie.
Porque eu tinha o firme propósito de não ver a minissérie antes de ler o livro.

O gerente noturno – John le Carré – Record
(The Night Manager – 1993 -)
Personagens: espiocratas, burocratas, aliados e inimigos, Richard Roper e Jonathan Pine

O gerente noturno Jonathan Pine se vê duas vezes no caminho do milionário, filantropo Richard Onslow Roper, que vem a ser “o pior homem do mundo”, mas que sempre escapa impune. E se torna aquele que poderia colocar um fim nisso. Cooptado por uma agência de inteligência inglesa, ele abre mão da vida sem emoções de gerente noturno de um hotel, resgata o passado de soldado acostumado a se infiltrar no lado inimigo, se torna um foragido pronto para ser cooptado pelo grupo que enriquece negociando armas e drogas. No entanto, além dos riscos óbvios, Jonathan e quem o apoia precisarão enfrentar inimigos e interesses além do que imaginavam para saírem vivos da missão.

Comentários.

- Eu pensava o seguinte: preciso ler o livro antes, porque já sei que a minissérie vai me ganhar. E também sei (pelo que acompanhei de repercussão nas seis semanas em que foi exibida) que pegou a base da trama do livro, mas atualizou o contexto, porque se passa em 2015, não em 1993. Mas isso é assunto para depois. 
Não há ninguém melhor do que um inglês bom, nem ninguém pior que um inglês ruim. Já o observei. Acho que o senhor é um dos bons. Mr. Pine, o senhor conhece Richard Roper?” (p.18)
- Voltando ao que interessa: para minha felicidade, o livro também me ganhou. Acabou com as minhas unhas, é verdade. Aquele “universo claustrofóbico” citado no resumo da contracapa é absolutamente comprovado – e desde o início do livro. O autor nos apresenta a trama – com narrativa em terceira pessoa – por meio da jornada de dois homens que queriam justiça: o gerente noturno Jonathan Pine e o funcionário de uma agência de inteligência do governo inglês, Leonard Burr. E também nos apresenta o estilo de vida de quem se enriquece com o caos, com a ganância e com a ambição de grupos e governos interessados em manter o mundo da forma mais conveniente aos próprios interesses. Neste caso personificados na entourage que acompanha, diverte e entretém Richard Roper enquanto ele permanece livre negociando morte e caos.

- Jonathan tentou se afastar da vida de soldado, mas acabou completamente tragado para a confusão quando atendeu ao pedido de Sophie, a então amante do dono do hotel onde trabalhava no Cairo. Ele se envolveu com a mulher proibida que sabia demais. Ao intervir pensando em “fazer o bem” levou-a à morte. Então se mudou para a Suíça – onde o próprio Richard Roper foi se hospedar. Por meio dos meandros burocratas e espiocratas (juro que nunca tinha atentado pra possibilidade desta palavra existir antes deste livro), ele foi localizado por Burr com o canto da sereia: poderia ser o instrumento que faltava para que finalmente justiça fosse feita e Roper pagasse pelos crimes que cometeu. Poderia voltar a ser o soldado. Poderia vingar a morte de Sophie. Poderia sossegar a própria consciência.

- Burr trabalha nos bastidores para criar toda a identidade que permita Jonathan ser aceito por Roper e seu grupo quando chegar a hora, mas é um trabalho demorado onde ele tinha apenas uma certeza: não poderia confiar em muitas pessoas. Sabe aquela coisa de que “o segredo é a alma do negócio”? O livro comprova. Ainda mais porque manter Roper ativo é a meta dos integrantes de alguns governos. Se existe a espionagem, existe também a contraespionagem para antecipar e se prevenir de ser desmascarados e presos.

- O autor nos coloca junto com Jonathan no período em que construiu a identidade “criminosa” dele. A gente acompanha as reações dele no decorrer do plano – e especialmente quando as coisas não seguem como o previsto. Viramos o “ombro” dos desabafos mentais de por que está fazendo isso e como reage diante das complicações – como o interesse por Jemina “Jeds” Marshall, a amante de Roper.

- Ah, sim, depois que o plano engrena, prepare o coração, porque o tempo todo nós – e Jonathan – sabemos que ele pode ser desmascarado se falhar, ou se o plano vazar ou se Roper intuir que ele é um infiltrado. Ao mesmo tempo, estamos na Inglaterra vendo como Burr e seus aliados são boicotados, cerceados e monitorados na disputa entre agências na Inglaterra e até mesmo com integrantes dos serviços de inteligência nos Estados Unidos. Tudo fica por um fio. E lá se foi uma madrugada (“ah, vou dormir depois deste capítulo” virou uma leitura non-stop de 200 páginas!) e algumas unhas roídas até finalmente o livro chegar ao ponto final.

- Puxando pela memória, não me lembro de ter lido thriller de espionagem – já vi filmes. Ou seja, O gerente noturno abriu uma nova porta para mim. E eu gostei. Além disso, entendi porque os produtores escolheram o livro para adaptar em minissérie. Ele é extremamente visual – você consegue criar as imagens na sua mente do que o autor descreve e perceber os sentimentos dos personagens, mesmo quando eles estão fingindo.



- Ah, caso você também leia o livro antes de ver a minissérie e não quiser spoilers, não leia a carta escrita por John Le Carré para este relançamento, falando sobre as adaptações dos livros dele para cinema e TV, da surpresa ao saber o que os produtores de The night manager pretendiam mudar na trama original (e o susto que ele levou com algumas destas alterações) e como ver a minissérie fez com que ele reavaliasse algumas coisas que colocou na história original e até mesmo a forma como compreendia os personagens. Provavelmente mesmo com algumas falhas, só do autor dizer que entrou para a lista seleta das adaptações favoritas das suas obras, deve ter sido um elogio e tanto para todo mundo envolvido na produção. Aliás, espero ver algumas delas na temporada de premiação do Emmy, Golden Globes e afins (expectativa óbvia diante do festival de críticas positivas recebidas dos dois lados do Atlântico).

- Agora sim, com o livro que terá lugar cativo na estante já na pilha da minha mãe (que disse achar o Hugh Laurie bonitão – e ela nem viu House), estou pronta para ver a minissérie no primeiro tempo livre que tiver!


Bacci!!!


Beta
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Um comentário :

  1. Quando uma pessoa pensa estar quieta em seu canto, cuidando de sua vida, sem ter que penar em uma vida de soldado ... Eu não sou muito amiga e simpatizante de espionagem, mas eu gosto de uma trama inspirada, jogando com inteligência de parte a parte em um jogo adulto e perigoso e traiçoeiro de gato e rato. Então eis um livro, que tornou-se minissérie, que tem tudo para atrair minha atenção e minha concentração.

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