domingo, abril 17, 2016

Ciao!!!  



Sim, confesso, escolhi o livro pela foto da capa. Não li título, nem nome de autora, nem sinopse. Me Rendi ao ver a foto e me mudar de mala e cuia para um universo alternativo romântico-fofo.
E não é que a intuição estava razoavelmente certa?

Namorado de aluguel – Kasie West – Verus
(The fill-in boyfriend – 2015 - HarperTeen)
Personagens: Gia Montgomery e Hayden

Gia, a garota mais popular e invejada do colégio, estava em uma enrascada. O namorado universitário rompeu com ela do lado de fora da festa que ela ajudou a organizar e justo no dia em que o apresentaria às amigas e acabaria com a intriga de uma delas. Agora, para se salvar, ela convenceu um estranho a se passar por Bradley. E esta “mentirinha” foi o ponto de partida para uma jornada de reavaliação de si mesma e de suas prioridades.

Comentários: 
Dei uma avaliada no cara enquanto ele lia. Não dava para ver muita coisa, mas ele não era feio. Cabelo castanho, pele morena. Podia até ser alto, porque a cabeça ultrapassava o apoio do encosto, mas era difícil ter certeza. Não fazia o meu tipo. Cabelo um pouco desgrenhado, meio magro, óculos... mas teria que ser esse” (p.9) 
- Após ser dispensada pelo namorado e acusada de não gostar dele, mas querer apenas para exibi-lo para as amigas, Gia se viu encrencada e com medo de passar por mentirosa. Afinal de contas, Jules estrava à espreita à espera de uma prova de que ela não era perfeita para apresentar à Laney e à Claire. Motivada pelo orgulho ferido e por não querer dar o braço a torcer, Gia convenceu um total estranho a ir se trocar para entrar com ela no baile – e o rapaz aceitou a proposta.

- Este é o ponto de partida para um livro fofo, de certa forma, previsível (ok, já vimos esse filme antes, no real ou na ficção), mas que se tornou uma excelente companhia em um período marcado por bloqueio criativo, literário, cansaço e algumas decepções com o excesso de vida real. Eu precisava embarcar para algum lugar onde, após os contratempos, o amor vencesse no final.

- Achei o que procurava na jornada imperfeita e praticamente forçada de Gia ao encontro de si mesma. É uma trama de leitura rápida, que não fica enrolando no que se propõe a comprar. Desde a “mentirinha” e o esforço e desgaste para manter o que disse às amigas, ao mesmo tempo, tentar descobrir mais sobre o “dublê de Bradley”, Gia vai percebendo como as pessoas compreendiam o que para ela era atitudes automáticas e passa a não gostar tanto do que descobre sobre si mesmo. E quando a gente entra na maré da “pausa para reavaliação” sobra para tudo: incluindo o relacionamento com a família, com o irmão mais velho (sim, Drew teria sérios problemas comigo pelo que fez). A garota passa a entender o que realmente ela precisa para se sentir bem e feliz consigo mesma – por tabela – um ser humano além da fachada para quem convive com ela. 
- Raramente encontramos profundidade quando a procuramos dentro de nós mesmos. A profundidade é encontrada no que podemos aprender com as pessoas e as coisas que nos cercam. Todo mundo, todas as coisas, têm uma história, Gia. Quando você conhece essas histórias, descobre experiências que a preenchem, expandem sua compreensão. Você acrescenta camadas à sua alma”. (p. 154) 
- Não será fácil, vai ter muitos desencontros, muitos conceitos reavaliados, muito sofrimento para quem não estava acostumada a lidar com os sentimentos. Talvez vocês pensem que, ao final das contas, não passou de uma tempestade em copo d’água. Mas se forem mais velhos, façam uma pausa – sincera – e busquem no fundo do baú mental aquela pastinha “momentos da adolescência onde só a morte pareceu a solução diante deste mundo cruel repleto de pessoas mesquinhas que não entendem como sou solitária e sofro”. Sim, atire a primeira pedra quem conseguiu passar pela adolescência sem um pingo de tempestade em copo d’água. Obviamente, eu não consegui, por isso, de certa forma, encontrei este ponto de identificação com a garota que começa a se ver incomodada pelo pedestal da popularidade. 
O visto, o conhecido, dissolve-se em iridescência, torna-se fugaz, raio de luz que não era, era, para sempre” (p.79)
- Claro que Gia terá que se resolver sozinha, ninguém poderá fazer isso por ela. Mas ter Hayden por perto se torna uma experiência além do jardim que ela vivia até então. Hayden e sua família totalmente destoante da perfeição aparente da vida de Gia. Ser testemunha do sofrimento dele – que também tinha enfrentado um trauma recente – a aproxima dos próprios sentimentos passando da confusão inicial até o momento decisivo para o relacionamento deles. 
- Não faça isso, a menos que seja de verdade – cochichei a centímetros de seus lábios. Era para ser uma piada, mas minha voz saiu ofegante e séria” (p.94)
- Não será fácil, afinal de contas, vai dizer que nunca repetiram aquele mantra de que “mentira tem perna curta” no seu ouvido desde que você foi pego em flagrante por ter dito algo que não era verdade? E um relacionamento que nasceu a partir – e em torno – de uma ficção precisaria se fortalecer para se tornar real. O livro te convida a acompanhar isso e torcer por eles. Eu gostei, foi uma delícia de Sessão da Tarde. E, podem ter certeza de que eu vou adorar repetir quando estiver precisando acreditar que neste mundo superficial e disposto a tudo pelo ódio, coisas boas acontecem e pessoas boas, e maravilhosamente imperfeitas, existem.

- Links: Goodreads livro e autora; site da autora; Skoob.

Bacci!!!

Beta
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Um comentário :

  1. Ser abandonada pelo namorado, que tornou-se ex-namorado em instantes, em frente à porta de entrada de um baile é uma safadeza enorme !!! Fácil de compreender essa atitude impulsiva dessa garota para não ficar envergonhada e não ter de enfrentar maledicências de sua "amiga". Uma leitura agradável de sessão de tarde realmente, que fez-me ter lembranças dessa faixa etária repleta de coisas estúpidas.

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