quarta-feira, abril 13, 2016

Ciao!!!




Pois é, mea culpa, não tinha lido O escaravelho do diabo. Afinal de contas, morro de medo de insetos e aquele besouro na capa não era a mais atraente das criaturas criadas por Deus.
Aí finalmente, alguém tem a ideia de transformar um livro da coleção Vaga-Lume em filme e começam justo por ele, considerado um dos melhores da série. Resultado: tive que ler!

O escaravelho do diabo – Lúcia Machado de Almeida – Editora Ática
(1985 – Coleção Vaga-Lume)

A morte do universitário Hugo dentro de casa foi o início de uma série chocante de crimes na, até então, pacata cidade de Vista Alegre. Ele foi assassinado e ninguém sabia por quê, por quem e como. Da mesma forma, outras pessoas também foram mortas em circunstâncias inexplicáveis. O irmão de Hugo, Alberto, percebeu os pontos comuns: todas as vítimas eram ruivas e sardentas e, dias antes de serem mortas, receberam uma encomenda pelos Correios: um escaravelho. Ao lado do inspetor Pimentel e do Subinspetor Silva, Alberto inicia uma corrida contra o tempo para impedir mais vítimas e encontrar o assassino.

Comentários:

- Comentário absurdo de leitora compulsiva surtada - passei o livro inteiro pensando: “Eddie Redmayne, fique longe de Vista Alegre!” Ruivo e sardento? Estaria correndo muito perigo!

- Uma situação extrema: Hugo é encontrado morto, com uma espada cravada no coração, dentro de casa. Ninguém sabe o que houve. Ninguém sabe por que queriam matar um rapaz tão simpático, bem-apessoado, sem problemas familiares. O irmão caçula, Alberto, fica cismado e passa a dividir o tempo dele entre as aulas na Faculdade de Medicina e o acompanhamento direto da investigação.

- Outros casos são registrados. Alberto percebe o link das vítimas: todas eram ruivas e receberam uma espécie de escaravelho antes de morrer. E a cada pista, ele, o Inspetor Pimentel e o subinspetor Silva tentam determinar quem estaria por trás dos crimes e impedir as próximas vítimas. Surgem suspeitos, pistas falsas. A única certeza é de que seria necessário muito esforço para seja lá quem fosse o assassino não escapar impune, já que parecia sempre estar um passo à frente dos investigadores.

- A autora conseguiu criar uma trama envolvente, obedecendo os critérios da série e ainda se destacando como um dos melhores títulos da Vaga-Lume: jovem como protagonista para que o leitor possa se identificar com ele. Após uma perda, se envolve na investigação para conseguir justiça (ok, na vida real, isso seria meio difícil – duvido que a Polícia Civil aceitaria a situação narrada no livro de alguém que não é policial. Mas é ficção e funciona bem pra trama, então vida que segue). Alberto é observador e começa a encontrar os links entre as vítimas, descobre significados ocultos no modus operandi de quem é responsável pelas mortes. Ele se vê cercado de possibilidades e suspeitos, embora nenhuma delas pareça fazer sentido.

- Como todo livro da Coleção Vaga-Lume, a história tem que caber no formato de pouco mais de 100 páginas, então a gente percebe o esforço da autora em dar conteúdo à trama e aos personagens e, ao mesmo tempo, sofre com alguns cortes abruptos porque a história tem que “andar” para chegar aos próximos desdobramentos.

- Sobre o final, sim, errei quem era a pessoa culpada. Eu tinha outra pessoa em mente. Em um livro curto, ela monta um jogo instigante de gato e rato, com caçadores às cegas, escaravelhos em forma de mensagem, agitação que isso causa em uma cidade pequena, o agravamento quando a imprensa descobre e o segredo policial se torna público e a reviravolta no final. Imagino que alguns leitores possam ter ficado chateados, mas a motivação apresentada por ela fez sentido.

- Excelente material base para um filme. Ele estreia amanhã, dia 14, com o Marcos Caruso, um de meus atores favoritos, como Inspetor Pimentel. Fizeram várias adaptações pensando em atrair público ao cinema – um dos motivos de maior polêmica foi o fato de Alberto ser um adolescente ao invés de universitário (e pelo que vi no trailer, o nome da cidade também mudou). Do alto da minha cadeira de sofrimento com as adaptações de Harry Potter, posso me solidarizar com os leitores apaixonados do O Escaravelho do Diabo e orientar a ver primeiro antes de julgar. Talvez vocês se surpreendam. Espero que saiam da sessão não como eu estava após A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, mas como eu saí rindo à toa após ver O prisioneiro de Azkaban (Alfonso Cuáron, amocê!)


- Agora é esperar pra dar muito certo e outras pessoas se inspirarem nos livros do Marcos Rey para fazer roteiros de filmes!


Bacci!!!

Beta
Reações:

3 comentários :

  1. Amo a coleção Vagalume. Amo. Tráfico de Anjos, Açúcar Amargo, Um Inimigo Em Cada Esquina... Todos modelaram meu lado leitor. Mas os livros de Marcos Rey tinham, a meu ver, algo a mais. E quero, como você, que os livros dele vão à telona. Sozinha No Mundo TEM de virar filme.

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  2. Não consigo achar o resumo do capitulo 10 tô ficando com ódio desse livro..😒😒👊👊👊 me ajuda

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  3. Ora, eu li muitíssimo pouco de Coleção Vagalume: três livros apenas, bastante esparsamente, mas eu li "Sozinha no Mundo" e tenho certeza de que ele seria um argumento muito bom para um filme realmente. Outros dois livros que eu li eram uma aventura infantil, que cairia muito bem como desenho animado de metragem longa para poder dar certo como filme. Marcos Rey arrasaria como argumento de filme muito certamente mesmo !!!

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