sábado, abril 09, 2016

Ciao!!!





Foram pelo menos três visitas à livraria – eu acho. Sei que passei por ele nestas oportunidades e não dei atenção. Até que numa destas vezes, #MadreHooligan achou a capa bonita, parou, pegou, olhou o resumo e anunciou para que eu – duas baias à frente caçando ainda nem sabia o quê – ouvisse:
“Ela se chama Roberta!”.
“Quem?” (eu quase arrumando um torcicolo e voltando a jato até ela).
“A protagonista deste livro”.

E foi assim que A maleta da sra. Sinclair veio parar aqui em casa...

A maleta da sra. Sinclair – Louise Walters – Essência
(Mrs. Sinclair’s Suitcase - 2014)
Personagem: Roberta Pietrykowski

Roberta Pietrykowski levava uma vida sem emoções, trabalhando em uma livraria e recolhendo pedaços de outras vidas que encontrava nos livros. Até o dia em que recebeu a maleta da sra. Sinclair e encontrou uma carta assinada pelo avô dela. A partir da dúvida que o texto lançou sobre a história da própria família, Roberta tenta entender o que houve enquanto sua vida passa por mudanças. Ao mesmo tempo, o leitor conhece uma história durante a segunda guerra mundial que vai exigir uma escolha por amor.

Comentários:

- As pessoas têm motivos próprios para comprar livros. Às vezes, é a fidelidade à autora ou ao autor. Há também a recomendação de amigos e amigas. E ainda o caso de “amor por uma capa à primeira vista”. No meu caso, eu ainda acrescento o fator “cismas” (quando a intuição me avisa de que PRECISO ler o livro) e o óbvio: quando encontro um livro onde a protagonista tem meu nome. Não é comum. Por isso, quando encontro (ou neste caso, encontram para mim), levo na hora.

- É uma história que mistura duas narrativas temporais. Em 2010, na Inglaterra, temos Roberta Pietrykowski, de 34 anos, funcionária na livraria Old & New, que tinha uma vida sem emoções e bem normalzinha. Envolvida em um caso sem paixão, trabalhando para um chefe que era também o melhor amigo, acompanhando as aventuras e desventuras das colegas de trabalho e lidando com os clientes. O que destoava era a curiosidade pelos pedaços de vidas que encontrava – recibos, cartas, cartões-postais – nos livros antigos que manuseava para avaliar e revender. Em um deles, encontrou uma carta datada de 1940, escrita por Jan Pietrykowski, o avô dela, para a avó, que ele chamava de Dorothea, que poderia fazê-la questionar a história da própria família. Afinal de contas, a carta estava em um livro guardado na maleta que pertencia a “sra. Sinclair” que o pai dela levou para doar na livraria.

- Em 1940, somos apresentados à sra. Dorothy Sinclair, uma mulher que viu os sonhos de juventude e de realização pessoal não se concretizarem. De certa forma, a guerra veio ajudar a cimentar o fracasso do casamento. Ela só não morava sozinha na cabana em Lincolshire porque abrigou duas jovens, Nina e Aggie, que vieram de Londres por causa de um programa de trabalho no interior. As três mulheres independentes não eram bem vistas pela comunidade local, que acreditava ter o direito de julgar a partir de presunções. A localidade recebeu um esquadrão de pilotos poloneses para ajudar no combate à Luftwaffe durante os bombardeios na Inglaterra. A chegada dos jovens e homens causou comoção na comunidade. E o líder deles, Jan Pietrykowski, se encantou por Dorothy Sinclair. 

- Entrelaçando as histórias de 1940 e 2010, conhecemos mais sobre sra. Sinclair, uma mulher que teve vários sonhos roubados dela, carregava as dores disso, sofreu o fardo de ser mulher em um mundo que valoriza a “honra machista” e relega a mulher a um plano de subserviência. Justamente a guerra permitiu a ela uma trégua neste quadro: trazendo o charmoso Jan Pietrykowski à sua porta para um gesto de gentileza, que se tornou amizade e encantamento mútuo. No entanto, em um mundo incerto e imprevisível, Dorothy poderia realizar um sonho, mas isso teria um preço.

- Por incrível que pareça, a gente pensa que 70 anos são suficientes para o mundo evoluir, e percebe similaridades na forma como as mulheres foram e são tratadas nos dois períodos da história. No entanto, a narrativa também mostra que, em 2010, Roberta vivia de forma solitária. Tinha um caso confortável, sem os arroubos de uma paixão, uma gata, o amor pelos livros e um trabalho que também lhe era confortável. A carta do avô para a avó iniciou uma peregrinação pela história deles em um momento em que as situações em sua vida deixam de ser confortáveis, o sofrimento também vai afetá-la e ela vai precisar rever alguns conceitos, inclusive o da vida solitária.

- A autora conta a reconstrução da história de uma família, a partir do olhar e da curiosidade da última descendente. Até que ponto somos autores da nossa própria história? Será que existe destino? De que forma deixamos outros controlarem a nossa vida? O que é necessário para uma pessoa se sentir feliz consigo mesma? Será que somos capazes de reconhecer o amor? Estes são alguns dos aspectos abordados no livro de estreia de Louise Walters, uma história forte, melancólica, singela e extremamente real. Afinal de contas, quantas Dorothys e Robertas existem por aí?

- Links: Goodreads livro Inglês e Português e autora; blog e facebook da autora; site da editora; Skoob.

Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Estou com esse livro prontinho pra ler. E que me chamou a atenção mais do que a sinopse foi a capa :D
    E achei a capa da edição brasileira a mais bonita entra as demais!

    Bjs Beta!

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  2. Eu poderia imaginar como seria uma situação de guerra. Tudo por assistir filmes e ler livros e ouvir relatos de sobreviventes, sem ter qualquer experiência nesse sentido. Para entender um pouquinho o que essas mulheres viveram naquela época, com esse diz-que-diz maldito, ainda mais com uma guerra pelo quintal. Tudo deveria ser muito mais intenso e sem meias-palavras sob risco de ataque bélico iminente !!!

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