sábado, fevereiro 13, 2016

Ciao!!!



Estou naquela turma que conhece o David Duchovny majoritariamente do “Arquivo X”. Não, a fanática no seriado era a minha irmã. Eu via por tabela e geralmente chiando (o episódio dos insetos? Da criatura de olhos vermelhos que ficava numa árvore? Do cara da escada rolante? SOCORRO).
Não sabia que ele escrevia. E foi um bom cartão de visitas.

Holy Cow: uma fábula animal – David Duchovny – Editora Record
(Holy Cow – 2015 – King Baby)
Personagens: Elsie Q

Elsie era uma vaca feliz com a sua rotina, até que fez a descoberta que mudou o sentido de tudo para ela: percebeu que estava em uma fazenda e qual o destino dela e dos outros animais. Em choque, começou a pesquisar e descobriu que as vacas eram sagradas. Portanto, a solução era ir para a Índia. Só que o plano de fuga se torna conhecido e ela ganha companheiros inesperados no plano. Com um humor peculiar e observações irônicas sobre tudo que presencia, Elsie narra uma jornada sobre identidade, sonhos e descobertas.

Comentários:

- Gente, que narradora deliciosa é a Elsie Q. Ela rumina e divaga, mas faz a história andar. Podia bem dar um tutorial de narração em primeira pessoa para outras colegas personagens por aí, hein? Como já antecipei, ela era uma vaca feliz em sua “bovinidade” (amei este termo do resumo oficial) até descobrir que qual era a verdade fora da rotina ordenha-pasto-soneca. Como desde sempre o conhecimento traz choque e desconforto. Neste caso, resultou em inconformismo que levou à busca por mais conhecimento que culminou em um plano de fuga desta realidade para uma idealizada: ir para a Índia, onde as vacas são sagradas.

- Claro que ela não irá sozinha. Conseguirá parceiros tão interessados quanto ela em fugir da fazenda rumo aos seus paraísos idealizados, onde imaginavam que não estariam mais em risco. Ao lado de Jerry, o porco, e Tom Turquia, o peru que não se permite engordar, Elsie embarca em uma jornada. Claro que, como comenta o *chamado por ela de* cow-autor, alguns trechos vão parecer meio inverossímeis, mas ele atribui às licenças literárias da narradora, quase aquela coisa de “quem conta um conto aumenta um ponto” somado com “dourando aqui e ali a pílula”.

- No entanto, nunca pensei que o mundo pudesse ser tão divertido sob o ponto de vista de uma vaca. Elsie discute com a editora, que dá muitos pitacos para a obra não somente ficar vendável como livro, mas também como possível adaptação cinematográfica. (E sim, dá para enxergar como animação, das engraçadas, adultas e sarcásticas): lotando de referências que agrade ao público-alvo – porque ela mira nas crianças para acertar os adultos. Exercita um olhar crítico em cima dos humanos que muitas vezes são criaturas extremamente irracionais, com hábitos absolutamente inexplicáveis quando analisados de fora.

- Sob a condução espirituosa, marrenta, crítica e divagante de Elsie, a gente compra o plano maluco elaborado e praticado por uma vaca, um peru e um porco. E não, não é piada. Eles acabam servindo como uma possibilidade de nos analisamos como reagimos diante de sonhos e obsessões. Como a gente encara fatos inevitáveis da vida. Como a gente se depara com a realização dos sonhos. E com as frustrações que a vida se encarrega de colocar no caminho de quem idealiza demais e não se prepara para outros. Elsie se torna senhora do próprio destino e nos diverte muito ao compartilhar conosco a sua história.


Bacci!!!


Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Uma perspectiva de vida vista pelos olhos de uma vaca ... Eu não sabia que esse ator era autor, sequer sabia também que ele tinha uma veia cômica. Eu adoraria matar minha curiosidadezinha simples em saber como foi que uma vaca ocidental ficou sabendo que vacas são sagradas pelas terras hindus, que estão um tanto quanto muito, muito, muito longe de seus pastos verdejantes, por detrás de suas cercas ...

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