terça-feira, fevereiro 09, 2016

Ciao!!!



Oi, Rick Riordan!

Amigas de confiança sempre me falaram bem de você, mas nossos caminhos ainda não tinham se cruzado. Até que você lançou este livro. Aí meu aniversário me levou à uma farra consumista na livraria – cortesia da minha prima – e você veio aqui para casa.
E posso antecipar: você fará este caminho mais vezes.
Beijos.

Magnus Chase e os deuses de Asgard: A espada do verão – Rick Riordan – Intrínseca
(The sword of Summer – 2015)
Personagens: a corrida de Magnus Chase para evitar o Ragnarök

Magnus Chase vivia nas ruas de Boston desde que ficou órfão. Até que descobre que parentes o estavam procurando. E justamente no dia do 16º aniversário, ele morreu em uma luta com um lorde de um mito nórdico. Considerado herói de valor, foi levado por uma Valquíria para Valhala. Se você está achando muita loucura, imagine só quando ele descobre que é o ponto principal de uma profecia sobre um gesto que pode desencadear o Juízo Final em menos de uma semana. Pois é, a encrenca estava só começando.

Comentários:

- Nem virei com a lenga-lenga de “por que nunca li Rick Riordan antes?”. Meu destino pós-Harry Potter me levou a outras jornadas. Até que ouvi falar da nova série dele e percebi duas coisas: “ei, o garoto é a cara do Kurt Cobain” (uai, gente, posso não ser expert, mas conheço músicas dele) e, como vocês me conhecem, “está escrito ASGARD ali?”. E como cresci com a mitologia greco-romana ao alcance de uma enciclopédia, não tenho tanta intimidade com a mitologia nórdica além das versões apresentadas em Cavaleiros do Zodíaco (a saga de Asgard tem imagens lindas. E Shiryu sangrando. Normal) e nos filmes da Marvel (preciso dizer alguma coisa?). Então, lá estava eu pouco depois do meu aniversário, divando com um vale-presente na livraria. Depois de revirar todos os cantos e estar com três livros na mão a caminho da vendedora, dei meia volta e fui atrás do novo Rick Riordan. Estava na hora da gente se conhecer, né? Claro que estourei o limite do presente. Mas valeu a pena!

- Li este livro em dois dias (se estivesse de férias ou folga, teria sido em horas - e não, não é exagero). Amei o humor – mesmo nos piores momentos vividos pelos personagens, não fica forçado. A história não roda, não encalha, ela avança e não para. Rick Riordan poderia dar tutorial para algumas colegas escritoras sobre como oferecer uma leitura que flui e transformar todas as informações em algo útil para o desenvolvimento da trama e do personagem. O Magnus Chase que encontramos na primeira página estará bem diferente quando nos despedimos dele já se perguntando quando sairá o próximo livro (ou se você estiver em modo leitora compulsiva escorpiana: “Cadê? Por que ainda não foi lançado?”).  

- Magnus Chase (pausa para o chilique: ele é canhoto *.*) sempre desconfiou que havia algo diferente com ele, só não conseguiria imaginar o tamanho da encrenca. E nem que teria que morrer para as peças do quebra-cabeça da própria vida dele começarem a aparecer e ele ter que montar enquanto estava envolvido em um problema ainda maior. (Não estou dando spoiler. Ele conta parte disso na primeira frase). Morando nas ruas desde a morte da mãe, que se sacrificou para que ele fugisse, Magnus se assustou ao perceber que era procurado por dois tios e uma prima (sim, sei quem ela é – mas ainda preciso ler os livros onde está para saber mais sobre ela, ok?). No reencontro com tio Randolph, não conseguiu entender nada só que devia ser protegido para não ser morto no dia do aniversário. 


“Escolhido por engano, não era a sua hora 
Um herói que, em Valhala, não pode permanecer agora 
Em nove dias o sol irá para o leste 
Antes que a Espada de Verão a fera liberte”

- Então ele se vê invocando uma espada para usar em uma batalha contra um ser que controla o fogo numa ponte de Boston. E morre para salvar os outros e acorda em Valhala, Hotel Valhala para ser mais exata. Nem dá tempo direito de absorver o que é o lugar ou entender como e o motivo que o levou até lá. Uma profecia vai novamente mudar os rumos de Magnus Chase e colocá-lo em uma corrida contra o tempo, com aliados improváveis, em busca da espada que pode desencadear ou atrasar o Ragnarök, o Juízo Final. Para isso, usando Boston como referência e ponto de partida, viaja pelos nove mundos. Aliás, a forma como o autor usa a cidade é intrigante e instigante – coisa que é resultado de uma pesquisa profunda e bem usada. Aposto que deve ter gente passeando por lá, caçando as referências e as relações. É o que eu faria se algum dia a visitasse.

- E é desta forma que Magnus vai descobrindo mais sobre suas origens, entendendo as atitudes da mãe que, de certa forma, o preparou contando vários mitos nórdicos. Com o apoio de um grupo de “azarões” (cada um possui características específicas que os levam a ser depreciados ou subestimados pelos outros), o anão Blitzen, o elfo Hearthstone, a ex-valquíria Samirah Al-Abbas (amei Sam, sou totalmente tiete dela), parte em uma jornada onde vão superar seus limites, usar suas inteligências e habilidades porque cada erro pode mesmo ser fatal. E que para conseguir o que quer, precisa se envolver com outras criaturas – incluindo aí, gigantes e deuses – que também possuem seus próprios interesses e não hesitam em usar Magnus e os amigos para conseguir o que querem sem se colocar em risco. E ainda tendo a possibilidade de contar (?) com os conselhos e dicas de nada mais nada menos que Loki, o deus da trapaça, que está realmente interessado no desfecho da jornada do rapaz.

- Nem preciso dizer que me deu vontade de sair correndo atrás de um livro sobre Mitologia Nórdica e ler já (já passou da hora, né?). O autor tem domínio sobre os personagens e apresenta os deuses de uma maneira que a gente consegue imaginá-los – inclusive de formas diferentes ao que já foi mostrado em outros lugares (claro que recorri às minhas referências em CdZ e Marvel, né? Cada um usa o que tem). Gente, o que é o Thor? E a Freya cercada de gatos? Queria ter visto um pouco mais sobre Heimdall. Ah, sim, você vai ter uma ideia literalmente da expressão “ficar de bode” depois de conhecer Otis.

- E não importa se é filme, livro ou sei lá o que, uma coisa se mantém: charmoso, persuasivo, inteligente, magnético, afiado e nada digno de confiança, Loki rouba a cena (ainda mais porque tive crise de risos ao ver que compartilho um gosto muito específico com ele – e não é o Red Sox).

Site da imagem
Claro que, mesmo com a descrição do autor, minha mente decidiu sozinha fazer algumas ligações e após uma pesquisa – que incluiu o imparcial e democrático reino do Twitter – vi que não estava só na minha percepção.
(Ah, a propósito, feliz aniversário Tom Hiddleston, tudo de muito bom para você!!!).

- Enfim, divertido demais, bom demais, empolgante, bem escrito. Estou esperando pelo próximo – ainda mais pelo gancho das duas cenas finais. Prometo não demorar tanto para ler.



Série Magnus Chase e os Deuses de Asgard
1. A espada do verão – The Sword of Summer 
2. O martelo de Thor – The hammer of Thor


Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Ah, mas que premissa interessantíssima: ter de morrer para poder cumprir uma profecia após viver sozinho miseravelmente por anos a fios pelas ruas de uma cidade cruel. Esse autor não tem dó de seu personagem principal, principalmente por colocá-lo em um ambiente regido pela mitologia nórdica, que é bastante severa inclusive para com seus deuses e seus semi-deuses pelo pouco conhecimento que tenho a respeito. UAU !!!

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