Cap. 1134 – Enquanto Bela dormia – Elizabeth Blackwell

Ciao!!!



Conto de fadas? Bela Adormecida? Opa, tô dentro!
No fim das contas, foi uma surpresa por ir de encontro – e conseguir destoar – de todo um imaginário já estabelecido.

Enquanto Bela dormia – Elizabeth Blackwell – Arqueiro
(While Beauty Sleept - 2014)
Personagens: a jornada de Elise

Desde nova, Elise enfrentou batalhas para ficar viva. A varíola levou irmãos e a mãe, mas serviu como motivo para ela se candidatar a uma vaga no castelo, onde se tornou criada. Por ser discreta, subiu nos cargos e passou a trabalhar direto com a rainha Lenore e, mais tarde, com a princesa Rosa. Foi testemunha e, por vezes, uma das protagonistas em uma trama de poder, loucura, inveja, ganância, ambição e morte, mas que se tornou um conto de fadas com direito ao “e viveram felizes para sempre”.

Comentários:

- Ao lado de Jasmine, Aurora/Rosa de Bela Adormecida é a minha princesa favorita. Algo a ver com a música do balé de Tchaikovsky, com o vestido que ficava azul (pelas graças de Primavera) e com o príncipe Felipe, que realmente tem que se esforçar para salvar a princesa. Portanto quando vi um livro que oferecia uma releitura da história, claro que veio para a lista dos desejos. E assim que apareceu aqui em casa, eu li.

- O que posso dizer da experiência? Bem, se tirarmos toda a magia da história (as bruxas, a maldição de morte e o feitiço que transforma a maldição em sono até o primeiro beijo de amor) é exatamente o resultado do trabalho da autora. Ela trouxe a trama da Bela Adormecida para a realidade em um reino do período medieval. Ah, mas não sobra nada interessante, você pode pensar? Mentira: ficaram os seres humanos, capazes das melhores e das piores atitudes. Tudo narrado sob o ponto de vista de uma daquelas pessoas que deveriam permanecer invisíveis: uma jovem, que se tornou criada e virou uma peça importante em um jogo de vida ou morte disputado no castelo.

- Temos um casal que se ama sofrendo por não conseguir ter filhos. Temos uma mulher que ambiciona um poder que não poderia ter e encontra outras formas de exercer o controle das pessoas e situações conforme seus desejos. Temos outra mulher que teve o coração partido pela inveja. Temos uma criada, com um segredo de nascimento que se vê ligada a uma família real e em dúvida entre esta lealdade e o amor. Temos uma princesa mimada e protegida pelo medo dos pais em perdê-la. 

- É uma história que se desenrola ao longo de anos, onde cada gesto terá uma consequência e um desdobramento. Cada atitude pode revelar mais sobre quem cometeu. Imaginei a trabalheira que a autora teve em pegar as referências e encontrar formas de usá-las no livro, que funciona bem como a possível versão real de um conto de fadas.  

- Minha única crítica é o excesso de anúncios de “desgraça a caminho”, ainda mais porque todos conhecem um pouco o conto, a gente já imaginava o que poderia ocorrer, só não sabia como. Por isso, os anúncios de “desgraça a caminho” só servem pra gerar angústia em leitoras desesperadas como eu.

- Vida e morte são a força motriz de muitas histórias e esta aqui não seria diferente. O livro narra uma jornada de beleza, de amor, de amizade, de lealdade, mas de sofrimento, de maldade, de dor e de perda. Vale a pena ler porque sabemos que nem sempre a vida é um conto de fadas. Por que então não podemos enxergar o bom e o ruim da vida através dos padrões dos contos de fadas?


Bacci!!!

Beta

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