sábado, janeiro 30, 2016

Ciao!!!




Escrito em 1988, é uma história que correu mundo e ajudou a divulgar o nome do autor, Paulo Coelho e, por tabela, do Brasil. Conseguiu leitores anônimos e famosos apaixonados, somando mais de 65 milhões de exemplares vendidos ao redor do planeta.

Agora, em seu relançamento, finalmente desembarca no Literatura de Mulherzinha.

O Alquimista – Paulo Coelho – Sextante
(2015) 
“As ovelhas, entretanto, tinham ensinado uma coisa muito mais importante: que existia uma linguagem no mundo que todos compreendiam, e que o rapaz havia utilizado durante todo aquele tempo para fazer a loja progredir. Era a linguagem do entusiasmo, das coisas feitas com amor e com vontade, em busca d ealgo que se desejava ou em que se acreditava” (p.75)
Há um tempo, bem antes de conceber que um dia haveria internet – e por tabela, sites, blogs e redes sociais -, eu era apenas uma leitora obsessiva em desenvolvimento. Como estudava, ainda não tinha dinheiro para comprar meus livros, então recorria à estante da minha prima, à biblioteca e, quando juntava dinheiro, aos sebos e livrarias. Foi assim que li muitos romances antigos da Harlequin (saudosa época da parceria com a NC), vários do Sidney Sheldon e Paulo Coelho.

Sim, eu lia Paulo Coelho. Li vários e tenho alguns, diga-se de passagem. Estão devidamente encaixotados à espera de uma mudança que não termina. Deixei de ler quando vi que não se comunicava mais comigo como antes – ou seja, hora de novas descobertas, novos encontros. Dentro da minha família, isso causava polêmica. Houve quem criticasse esse meu interesse (nada diferente de quem também me criticava por “ser tão inteligente” e “ler romance de banca”, como se fossem excludentes) por achar que era algo raso, simplório, “modinha”, que não valia a pena perder tempo. Como o tempo era meu, continuei lendo. 
“Quando vemos sempre as mesmas pessoas – e isto acontecia no seminário – terminamos fazendo com que elas se tornem parte da nossa vida. Se a gente não for como elas esperam, ficam chateadas. Porque todas as pessoas têm uma noção exata de como devemos viver nossa vida” (p. 32)
O curioso é que tentei puxar pela memória como e qual foi o primeiro livro dele que li e não me lembro: estou na dúvida entre O Alquimista e Brida. E o mais curioso ainda é lembrar que este é o primeiro livro dele que comento no Literatura de Mulherzinha – o que só comprova que tenho muito ainda a por em dia por aqui.

Não sou especialista em Literatura (não estudei para isso, quem sabe um dia?), então só posso analisar por que este livro fez tanto sucesso a partir do meu ponto de vista como leitora. Na minha modesta opinião, é a narrativa de uma história simples que encontra eco em qualquer pessoa. Quem nunca se imaginou em uma jornada semelhante a de Santiago? Quem não tem um sonho secreto a ser realizado? Quem teme realizar o sonho e depois não encontrar outro que mantenha a esperança de vida, de sonho, de ter esperança em um mundo cada vez mais imerso em demandas pautadas pela interpretação que poucos fazem de algo que guia a vida de muitos – sejam as leis e sejam preceitos religiosos – e pelos elementos que alimentam o lado mau da Força: egoísmo, vaidade, poder, guerra, dor, miséria, e que fazem poucos lucrarem com a desgraça de muitos. 
“- O mal não é o que entra na boca do homem – ponderou o Alquimista. – O mal é o que sai dela” (p.126)
Santiago é um pastor de ovelhas da região da Andaluzia. Ele tem um sonho repetido sobre um tesouro escondido perto das pirâmides no Egito. Depois de ter o sonho decifrado por uma cigana, decide seguir a intuição e partir atrás do tesouro. Não será uma viagem fácil, haverá contratempos, dúvidas, desafios, traições. Ao mesmo tempo, terá encontros marcantes com um sábio – o Alquimista – e com o amor, novas experiências, conhecimentos e mudança de vidas. No fim das contas, era algo muito simples e, como todas as coisas simples, exigia uma capacidade de observação e um conhecimento mais complexos que o que ele então possuía. 
“Cada momento de busca é um momento de encontro”, disse o rapaz ao seu coração. “Enquanto procurei meu tesouro, todos os dias foram dias luminosos, porque eu sabia que cada hora fazia parte do sonho de encontrar. Enquanto procurei esse meu tesouro, descobri no caminho coisas que jamais teria sonhado encontrar, se não tivesse tido a coragem de tentar coisas impossíveis aos pastores” (p.140)
Por isso se torna uma trama fácil de entender por uma quase adolescente ainda cheia de ideias na cabeça e por uma adulta que sabe que nem sempre tudo se torna realidade. A única coisa que não mudou nestes 20 anos que separam uma da outra é um sonho que ainda não foi realizado. Reler O Alquimista serviu para me lembrar de que, à minha maneira, talvez eu tenha virado vento, mesmo sem perceber. Em muitos momentos, a vida tenha me conformado em esperar, o que se transforma em convite para a incerteza e a dúvida. Mas não desisti e, enquanto isso, fiz e estou fazendo tantas outras coisas que enriqueceram a minha jornada.

E pelo visto, não fui a única a ser provocada a reagir de alguma forma diante do livro. Várias pessoas viram na jornada do pastor espanhol o desejo de sua própria jornada, se questionaram quais seriam suas lendas pessoais, por que estão neste mundo, do que abriram mão para viver (ou não) aquele sonho ditado pelo coração. Talvez este seja o segredo de O Alquimista: está aberto a conversar com quem o procura. Mesmo que a pessoa não acredite. Mesmo que acredite. E posso garantir, com ou sem pedigree, nem todos os livros conseguem essa façanha de conquistar os leitores para a jornada que oferece. 
“Porque não vivo nem no meu passado, nem no meu futuro. Tenho apenas o presente, e ele é o que me interessa. Se você puder permanecer sempre no persente, então será um homem feliz. Vai perceber que no deserto existe vida, que o céu tem estrelas e que os guerreiros lutam porque isso faz parte da raça humana. A vida será uma festa, um grande festival, porque ela é sempre e apenas o momento que estamos vivendo” (p.97)


Bacci!!!


Beta
Reações:

3 comentários :

  1. a história é linda, inspiradora e atrativa
    essa edição me deixou apaixonada
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  2. Tenho esse livro há muito tempo, comecei a lê-lo três vezes antes de, finalmente ler e me apaixonar. Li inúmeros livros do Paulo Coelho, e assim como você, os livros deixaram de conversar comigo.
    A história de Santiago nos toca e nos faz refletir sobre nossos sonhos. Outro livro que me emociona é "As margens do Rio Piedra eu sentei e chorei" vale a pena ser lido!
    Bju
    Fabi
    www.fabianacorrea.com

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  3. Ora, eu virei pela contramão: eu nunca li um romance desse autor porque eu tenho antipatia ferrenha por ele, que não diminuiu, muito pelo contrário, depois que eu li suas citações nesta postagem, pois eu reconheci idéias de outras pessoas ditas de forma diferente, ou seja: não criadas por ele. Sem demérito aos seus leitores, mas ele está em minha lista de "talvez vir a ler para poder comentar com calço."

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