sábado, janeiro 23, 2016

Ciao!!!



Gente, eu juro que tentei, que me esforcei muito. Mas no fim das contas, serei obrigada a recorrer a um dos clichês mais canastrões para explicar minha relação com o estilo da Marian Keyes.

“O problema não é você. Sou eu”.

A mulher que roubou a minha vida – Marian Keyes –
(The woman who stolen my life - 2015)
Personagens: Stella Sweeney e uma vida que desmoronou

A esteticista Stella Sweeney tinha uma vida normal e rotineira até tudo desmoronar. Em três linhas temporais, ficamos sabendo sobre casamento, doença, crise, rompimentos, fama repentina, falsas amizades, solidão, angústia. No fundo, é a jornada de uma personagem sem autoestima, insegura, diante  das intempéries que surgem em seu caminho e nem sempre podendo contar com ajuda das pessoas mais próximas. Até que tudo passa a fazer sentido, mesmo que seja para ela descobrir que talvez não fosse como tinha imaginado que seria.

Comentários:

- Vejo tantos elogios à escrita da Marian Keyes e nunca consegui avançar em paz em um livro dela. Tanto que há resenha somente de Casório no Literatura de Mulherzinha e olha que eu tenho outros três, além do que acaba de chegar às livrarias. Cansei de ler vários comentários sobre como as pessoas choram de rir. Aí eu pego pra ler e sofro como se estivesse numa canção escrita em conjunto pela Adele e pelo Sam Smith. Por isso é que fui obrigada a recorrer ao clichê: o problema sou eu. Há algo em mim que não se conecta às histórias que li ou tentei ler até agora.

- Recorri ao A mulher que roubou a minha vida com a esperança de quebrar esta “barreira/maldição/cisma”, mas logo me vi na sofrência. A trama não andava. Fiquei meio perdida nas linhas temporais que narravam momentos distintos e não consegui entender o quebra-cabeça que a autora elaborou. De certa forma, as peças soltas, na ordem em que foram apresentadas, me deixaram agoniada.

- O motivo é a angústia em que Stella está afundada. Nós a encontramos em um estágio de crise existencial profunda. Com um filho adolescente com o qual não se entende. Insatisfeita com o corpo, com as roupas, com o rumo que a vida tomou. Forçada a escrever um livro sem ter a menor ideia do que colocar no papel, com a pressão de ser algo tão bom ou melhor que o Best seller acidental “Uma piscada de cada vez”, que a tinha colocado entre as pessoas conhecidas o suficiente para merecer uma turnê e entrevistas em programas famosos na Irlanda e nos Estados Unidos.

- Ao longo do andamento da história, vamos catando as demais peças para montar o quadro sobre a personagem. Stella era uma esteticista casada com Ryan, um homem que sempre pensou nunca ter desenvolvido completamente o seu potencial para a genialidade; com dois filhos Betsy e Jeffrey, naquela fase horrenda da adolescência onde os pais viram inimigos; uma família onde cada qual está imerso em seus problemas de vidas idealizadas; amigas confusas diante de crises.

- No entanto, esta rotina confortável que ela levava foi rompida após uma situação totalmente imprevista. Uma doença rara a transformou em observadora muda da rotina familiar. Ela não percebe profundamente, mas a gente pode ver como cada um reagiu à doença, que tinha uma evolução lenta rumo à cura. E como isso desgastou laços que já não estavam muito sólidos por outras razões, ao mesmo tempo, criou novos e inesperados vínculos que depois vão se desdobrar em situações desejadas, embora complexas.

- Foram muitas páginas até entender onde é que a pobre Stella estava afundada. E confesso que fiquei com muita raiva do egocentrismo de Ryan, da insensibilidade da irmã Karen e do egoísmo dos filhos que não entenderam a doença que ela enfrentou e superou. Há um momento onde eles alegam que tudo que ficou explícito que estava errado na família foi culpa de “Stella ter ficado doente”. Oi? A encrenca é que Stella não tem autoestima nenhuma e precisa da validação deles – ou de qualquer pessoa – para se sentir pertencente a algo. E isso escancara a porta para que até a vida que ela reconstruiu seja destruída. Será que ela dá conta de se reerguer, mesmo após tudo não ter funcionado e de seu entorno também estar fora da casinha da normalidade?

- Enfim, foi muita angústia até entender o que houve, muita angústia com o comportamento dos personagens (e suportar altas doses imaturidade e egoísmo), muita angústia em uma história que roda demais até explicar onde está e onde pode chegar. Por isso que eu disse, acho que o problema sou eu. Juro que não queria. Mas ainda não foi desta vez que deixei de me sentir a excluída.


Bacci!!!


Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Ora, eu sou uma pessoa que não compreende humor de estadounidenses, seja em filme, seja em livro, seja em talk-show, principalmente se for comédia declarada. Portanto eu não compreendi onde havia humor nessa narração de uma história repleta de angústia, gerando angústia de leitor, com tanto egocentrismo e egoísmo e imaturidade e insensibilidade por toda parte em uma família inteira e em uma vida arrasada.

    ResponderExcluir