domingo, janeiro 24, 2016

Ciao!!!


Perdi a conta de quantas vezes falei “coitadinho do Ian” ou alguma variação disso.
Vamos discutir DNAs literários, mudança de narrador e passo marcado para os lados?

Destinado: As memórias secretas do Sr. Clarke – Carina Rissi – Verus
(2015)
Personagens: Ian Clarke, Sofia Alonzo-Clarke e Elisa Clarke

Abençoado com uma família feliz, Ian Clarke está às voltas com os preparativos para o baile de aniversário de 17 anos da irmã, Elisa. No entanto, o reaparecimento do celular-máquina do tempo que tirara e devolvera Sofia a ele o deixou temeroso. E não foi o único problema, por conta de uma situação constrangedora, ele foi forçado a tomar uma atitude que deixou a irmã irritada com ele. Como as coisas ruins costumam vir em trio, no dia seguinte, Elisa desaparece. Agora ele e Sofia estão em uma corrida contra o tempo – e pelo tempo – para encontrá-la antes que não seja mais possível salvar a reputação dela.

Comentários:
- Tenho algumas considerações sobre a trama. A primeira é que confesso que minha maior motivação para ler este livro era ver a próxima parte da trama pelos olhos e observações do Ian Clarke. Como em outros livros de chick-lit, ele é o personagem perfeito que se torna o amor eterno (ou quase) de uma heroína (dependendo do caso, exageradamente) imperfeita que ele ama do “jeito que ela é”. Além disso, a segunda coisa é que Carina Rissi sempre se assumiu como fã da Jane Austen, então destacar o DNA emocional de Mr. Darcy em Ian não é exagero: nobre, educado, cavalheiro e lindo. Não é à toa que muitas leitoras da série são apaixonadas pelo personagem.

- A terceira é que fui capaz de estabelecer outro paralelo óbvio – não sei se intencional da autora – com a série Outlander (que sofri li os três livros relançados só depois de Perdida e Encontrada). E como o sofrido Jamie Fraser, Ian viu toda a sua vida mudar ao encontrar uma viajante do tempo pela qual ele se apaixona perdidamente e com quem acabou se metendo (acidental ou voluntariamente) em um monte de confusão...

- O problema é que elementos que me tiraram do sério e praticamente minaram a minha paciência com a série da Diana Gabaldon apareceram aqui. E era algo que eu poderia ter previsto se tivesse prestado atenção no título completo deste livro Destinado: As memórias secretas do Sr. Clarke. Sim, tive problemas com muitos dos flashbacks usados na história. Eles me deixaram com a sensação de serem paradas abruptas na trama que fica interessante depois que engrena de vez (ou seja, por volta do capítulo 8). Mal comparando, imagina uma aula de dança onde você está louca para soltar a sua bailarina interior e tudo que a professora manda fazer é dar passinhos para lá e para cá e, depois de muito tempo, você percebe que terminou no mesmo lugar onde começou. Já posso imaginar a frustração de algumas pessoas que amaram ler cenas que antes foram narradas por Sofia, agora na visão de Ian. Eu entendo e respeito o gosto de vocês. Então entendam o meu posicionamento de querer ver Ian narrando a próxima parte, não o que já passou. Até porque ele é um narrador muito bom, mesmo nos momentos de total desorientação e desespero, ele tem uma voz muito clara que prende a nossa atenção.

- A vantagem é que a Carina Rissi, abençoadamente ao contrário da Diana Gabaldon, não transforma o livro em um jorro de informações que não serão utilizadas depois. Tudo faz parte de um contexto amplo que quando se encaixa revela uma trama simples – o quanto Ian seria capaz de se sacrificar por amor à Sofia e a tudo que ela trouxe para a vida dele – que ganha graves fatores complicadores por conta da curiosidade e interferência de outros personagens, que geram consequências inesperadas e que podem ser definitivas. Claro que houve momentos em que me tive vontade de gritar com Sofia por não compreender que Ian estava agindo dentro do padrão em que foi criado, portanto não entendia muito do que acontecia ao redor e que ele nunca merecia que ela ficasse zangada com ele. Afinal de contas, ele apenas estava sendo Ian e não tinha culpa do efeito que isso gerava nas pessoas e nem por saber lidar com problemas de forma (aparentemente) menos atabalhoada e destrambelhada que ela.

- No final das contas, Ian como narrador foi uma bênção, mas eu preferia o destaque à jornada que ele enfrentava neste livro e menos revival do que já foi contado antes. Elisa e Lucas mereciam uma história só deles, talvez um conto, como a própria autora lançou recentemente o No mundo da Luna: a entrevista. E agora vamos torcer para que Ian tenha o sossego que merece depois de tanta agitação e possa ser feliz ao lado da família. Ah, claro, não contei quase nada da trama. Afinal de contas, não posso estragar as surpresas criadas pela autora. Se você quiser saber, recomendo que leia, tire suas próprias conclusões e depois volte aqui para contar o que achou.

Série Perdida:
Perdida: um amor que ultrapassa as barreiras do tempo - 2013 
Encontrada: à espera do felizes para sempre - 2014
- Destinado: as memórias secretas do sr. Clarke - 2015
- Prometida: uma longa jornada para casa - 2016


Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Ah, eu sabia que eu tinha motivos fortes para ficar encantada com aquela silhueta maravilhosa masculina pela estampa de capa ! Mas eu juro que eu não lembrava ou não sabia sobre essa quedinha de sua autora por Mr. Darcy de Jane Austen ! Eu não li "Encontrada" e "Perdida", mas confesso que estou com vontade de lê-los por conta de "Destinado", exclusivamente para eu entender Ian Clarke completamente e direitinho mesmo.

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