sábado, novembro 21, 2015

Ciao!!!



Gente, que livro bom! Justamente por mostrar que perdoar não é um caminho fácil e que nem sempre é garantia que vai levar à redenção imediata.
Especialmente quando a pessoa está tão confusa sobre o que realmente quer.

Doce perdão – Lori Nelson Spielman – Verus
(Sweet Forgiveness - 2015)
Personagens: Hannah Parr e as Pedras do Perdão

A vida de Hannah Parr estava quase perfeita. Apresentadora de um programa de televisão em Nova Orleans, queridinha do público, namorava o prefeito, com quem esperava se casar. Até ser surpreendida com o passado batendo à porta. Primeiro, porque ela recebeu uma das cartas com as Pedras do Perdão, de uma pessoa que a havia atormentado. Depois por ela se ver empurrada em busca de reconciliação com algumas pendências para poder ter paz. Só que as coisas se complicam, muito. E talvez o perdão não seja a garantia de paz.

Comentários:

- Perdoar é difícil. Dependendo do caso e dos envolvidos, soa como missão impossível. Envolve a superação de dor, mágoa, tristeza, rancores e outros sentimentos negativos (pelo menos, nunca vi alguém pedir perdão por fazer o outro feliz). Pior ainda é o “se perdoar”, porque, como já disse em outros textos, muitas vezes somos nossos piores críticos e inimigos.

- Hannah Parr vai descobrir isso, ao longo da jornada narrada em Doce Perdão. Ela batalhou e construiu um nome na TV de Nova Orleans. Era amada e respeitada. Mas lidava com a queda da audiência do programa. E, apesar de sido avisada, não atinou para a cobra venenosa que estava de olho no cargo dela e disposta a tudo para tirá-la do caminho. Afinal de contas, o foco de Hannah estava no súbito descontrole que surgiu em sua programada vida rumo ao sucesso. Ela esperava se casar com o prefeito Michael Payne, mas ele nunca a assumia oficialmente. E ainda tinham as Pedras do Perdão. Ela foi uma das 35 primeiras pessoas a recebê-las de Fiona Knowles, a autora do livro que tinha se tornado uma febre nacional e incentivou uma onda de revelações, tentativas de reconciliação e expiações de culpas.

- No entanto, será mesmo que valia a pena revelar todos os segredos? Hannah carregava alguns há mais de 20 anos. O motivo que Fiona queria o perdão dela era apenas a ponta do iceberg. O outro envolvia uma desavença com a mãe, que beirava a irreparável. Uma série de circunstâncias – algumas despertadas por ela mesma (que mirou no que imaginava ver e acertou onde não queria) – a empura para este reecontro com as certezas que ela imaginou ter sobre o próprio passado e o peso que poderia pagar se estivesse errada. Afinal de contas, era mais confortável acreditar na versão que conhecia ao longo da vida, sobre a separação dos pais, sobre ter sido preterida pela mãe e outros fatores de relacionamentos onde ela era coadjuvante e terminou protagonista de um rompimento doído, que fez de tudo para ignorar.

- Hannah não será uma participante ativa desta jornada. Pelo contrário, ela reluta horrivelmente. De tanto relutar, adiar, contornar, tentar manipular, só consegue agravar a situação. Em muitos momentos, chega a ser cruel, porque a gente percebe o tamanho da encrenca onde ela está entrando muito às cegas por causa de um misto de teimosia, ambição e de certa inocência (por acreditar que tudo terminaria como ela esperava). De tanto adiar o sofrimento, ela acaba levando pancadas mais doídas. Como o livro mesmo diz, quanto mais a gente briga pra não cair, pior torna o tombo.

- Sob as asas da busca do perdão do próximo e de si mesmo, o livro discute relações familiares, alienação parental, abuso sexual, valorização das aparências, ambições, ética profissional, autorrespeito, relacionamentos destrutivos, fama, traições, amor verdadeiro. Como disse, perdoar é algo complexo por envolver uma série de circunstâncias, além dos sentimentos de outras pessoas. Pode ser que leve ao sofrimento. Pode ser que o sofrimento seja uma ponte para a liberdade de coisas que pesam na alma. De qualquer forma, Hannah vai (penar um pouco para) descobrir. E você pode aprender alguma coisa na jornada dela.


Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Perdão não é meu forte ! Não ultimamente ... Eu sei muito bem que esquecer não é perdoar e que perdoar não é esquecer mas uma pessoa tem de ter um estado específico de espírito para que seu perdão seja sincero e verdadeiro. Ao menos quanto ao perdão que ela conceder. Perdão a receber tem a ver com sua contraparte mesmo.

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