sábado, novembro 14, 2015

Ciao!!!



Eis um livro inesperado e, atualmente, não muito útil na minha vida. Afinal de contas, o fato de ter ouvido muitos “nãos”, me preparou para lidar com rompimentos e seguir em frente.

No entanto, seria livro vital para Thomas Maddox, por exemplo? Teria facilitado a vida dele com a (pamonha) da Liis...

Vire a página: Livro de atividades para esquecer o seu ex – Rebecca Beltrán e Adrià Fruitós – Verus
(Pasa página: cuaderno de actividades para olvidar a tu ex – 2015 – Penguin)

Virar a página. Deixar para lá. Superar. Esquecer. Atribua o significado que quiser. Sou de uma geração que cresceu com limites e cobranças. Aprendi desde pequena que “não” era “não” mesmo. Valia tanto para os brinquedos ou coisas que eu queria quanto para pessoas que queria mais próximas, mas não conseguia.
De tanto aprender desde sempre que nem sempre querer é poder e nem tudo é do jeito que a gente quer, consegui me preparar para o momento do “não” nos relacionamentos. Quando chega ao ponto de entender que não tem mais futuro. Não tem mais salvação. Não está fazendo bem a ninguém. Não é mais possível. Não adianta insistir porque, enfim, acabou.

Os mais velhos te diriam que o tempo ajuda a amainar, a colocar cada coisa em seu lugar e a perceber que existe sim vida e existe um novo começo após o fim. Um segundo após o outro. Uma hora após a outra. Um dia após o outro. No início, qualquer coisa ajuda a lembrar. A trazer a dor da perda. A trazer de volta uma esperança – que você sabe inútil – de que, talvez, se insistisse daria certo desta vez.

No entanto, atualmente, tudo é fácilmente descartável. E – em alguns casos – falsamente intenso. Este excesso dá a falsa segurança de que somos especiais e, portanto, tudo dará certo. Em muitas vezes, por não estar preparado para o “não” (seja do parceiro, da parceira, do sonho rompido ou as das expectativas não cumpridas), a pessoa não sabe lidar com “o fim”.

Neste livro, a jornalista espanhola Rebecca Beltrán criou, com a ajuda das ilustrações de Adrià Fruitós, um conjunto de mais de cem atividades para ajudar a esquecer e a superar um relacionamento encerrado. É uma forma de deixar o ex no passado – ao qual ele já deveria pertencer – mas que, por questões que escapam ao controle frio da lógica, nem sempre ocorre assim. Desta forma, escrever, desenhar, cortar, rabiscar, listar, ler frases motivacionais seriam facilitadores do processo de se libertar das lembranças do ex. É uma forma de dar uma mãozinha ao tempo de recuperação emocional. E a sessão exorcismo pode ajudar quando se chega ao estágio em que se está pronto para ela. Perceber isso é crucial, até mesmo para não desperdiçar o tempo.

Digo isso por experiência própria. Tanto faz se acabou porque você decidiu ou se porque decidiram por você. Dói. Incomoda. Por algum tempo, a gente passa a se ver em “duo” e a transição para a individualidade é dolorosa e repleta de sentimentos variados. Quando a realidade se impõe, é a hora do exorcismo. Ou seja, dar ao falecido o relacionamento o devido “muito obrigada”/ “descanse em paz”/ “já foi tarde”.

É uma jornada pessoal. Alguns colocam os sentimentos para fora em forma de música (antes de Sam Smith, Adele, Amy Winehouse, houve o “Both Sides” do Phil Collins. E #MadreHooligan pode te contar sobre a pancadaria musical entre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins), em forma de livro, ou mesmo na simplicidade de reconhecer toda a memorabilia, guardar em uma caixa e colocar longe dos olhos e do coração.

O livro Vire a Página pode contribuir para o processo do “bye bye” ao se oferecer como um catalisador para o “deixar este período para trás”. Afinal de contas, a vida continua. Um novo relacionamento pode surgir e você precisa estar preparado para vivê-lo plenamente, sem sombras indesejadas. Nada como um dia após o outro para nos permitir novas histórias e novos amores.

Entenderam porque teria sido um livro muito útil para o Thomas Maddox?!


Bacci!!!


Beta
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Um comentário :

  1. Um livro que viria atrasado às minhas mãos atualmente, embora não tenha perdido seu encanto de interesse. Eu conheci muito bem aquele sentimento consciente onipresente de estar em agonia amorosa profunda sem ponto de apoio por ter-me apaixonado pelo homem erradíssimo perfeito (uma maldição). Virei-o em abóbora !

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