sexta-feira, novembro 13, 2015

Ciao!!!


Depois de morar um bom tempo na pilha “próximas leituras”, finalmente criei vergonha na cara e li.
Resultado?
Ai que livro lindo!
Dos livros que David Levithan escreveu em parceria, este se tornou – DISPARADO – o meu favorito.

Invisível – David Levithan e Andrea Cremer – Galera Record
(Invisibility – 2013 - Penguin)
Personagens: Elizabeth e Stephen

Stephen era um adolescente invisível. Desde que nasceu, nunca se viu, nunca viu ninguém e nunca foi visto por ninguém, nem mesmo os próprios pais. Após ficar sozinho no mundo, levava uma vida de espectador do cotidiano alheio em Nova Iorque. Até o dia em que o impensável aconteceu: uma vizinha, recém-chegada ao prédio, não só o viu como conversou com ele. Vinda de uma mudança por motivos traumáticos, Elizabeth ainda se sentia perdida no mundo. A aproximação com o vizinho começou a ajudar a por coisas em perspectivas. Até o dia que ela descobriu a verdade sobre ele. E isso desencadeou uma série de consequências que não teriam mais volta e que nenhum deles poderia imaginar ser possível.

Comentários:

- A narrativa é em primeira pessoa em capítulos intercalados entre Stephen e Elizabeth. Os dois vivendo momentos de estagnação. Ela, que veio para Nova Iorque com a mãe e o irmão caçula após um problema em Minessota, ainda buscava um propósito para sair dos sentimentos de fúria e revolta. Ele, invisível, órfão de mãe e com um pai distante, estava perdendo as forças de permanecer conformado na única existência possível: ver as vidas dos outros sem ser visto.

- Tudo mudou quando Elizabeth o viu. Ele não esperava ser visto e por um momento achou que era normal. Até perceber que apenas ela o via. Demorou para Elizabeth perceber e a revelação a deixou chocada e despertou os questionamentos de por que ele era assim e por que só ela podia vê-lo.

Sei que não posso continuar assim. Sei que esta felicidade foi construída sobre uma base pouco sólida, e que, a qualquer momento, o vento pode surgir.
Mas estou me divertindo. Eu a divirto. O que torna fácil esquecer”. (p. 72)

- Na busca pelas respostas, Elizabeth descobriu muito além do que imaginava sobre si mesma, sobre Stephen e despertou um inimigo que poderia destruir tudo em nome do ressentimento e da vingança. Mas se houvesse uma chance – por menor que fosse – de dar a Stephen a chance de ser como todos os outros, ela tentaria.

- Temos quase um conto de fadas onde a maldição impede os protagonistas de serem felizes. E é preciso enfrentar um inimigo que tem o poder de desfazer a maldição – mas, com certeza, não tem o interesse em fazer isso. Temos a história do aprendiz que precisa se preparar para o confronto, mas que não consegue compreender que precisa respeitar o tempo, até por saber que eles não têm tanto tempo sobrando. Temos relações de afeto (ou não) familiar. Temos o processo de aprender a estabelecer laços de confiança, após não ter mais razão para confiar ou acreditar nos outros. Temos personagem disposto a tudo para conseguir o que quer, sem o peso na consciência de sacrificar outras vidas no processo. Tem gente se colocando em risco por uma causa que pode estar perdida desde o começo. Sinceramente, não entendi até agora como ninguém teve a coragem de fazer um filme a partir deste livro.

Uma soma de imagens, um mosaico de reflexos. É na percepção do outro que se borda a própria individualidade. Mas e quando se é uma folha em branco? Quando não há nada? Nenhuma representação?

- Sem contar que é possível fazer todo tipo de analogia do universo criado por David Levithan e Andrea Cremer. Podemos discutir a solidão, a necessidade (às vezes exacerbada) de só nos reconhecermos enquanto pessoas/seres a partir do olhar do outro, a dificuldade de lidar com o que você não consegue entender ou com o que não corresponde às suas expectativas, como se adaptar às mudanças e se está preparado para as descobertas (ainda mais as muito inesperadas) sobre si mesmo, além do quanto você seria capaz de se sacrificar por outra pessoa...

Não é solidão, na verdade. Porque a solidão vem da ideia de que você pode estar envolvido no mundo, mas não está. Ser invisível é ser solitário sem o potencial de ser outra coisa além de ser solitário. Por isso, depois de um tempo, você se retira do mundo. É como se estivesse num teatro, sozinho na plateia, e tudo o mais estivesse acontecendo no palco”. (p. 106)
- As possibilidades de interpretações são variadas e possíveis. E não precisa ser invisível como Stephen para entender as dores e os sonhos dele. Por tudo isso, desenvolvido de forma cuidadosa pelos dois autores, Invisível se junta aos livros solo de David Levithan na lista dos meus favoritos (afinal de contas, quem acompanha o Literatura de Mulherzinha sabe o quanto adoro os livros dele).
  

Bacci!!!


Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Fantasioso. Psicológico. Simbólico. Foram estas idéias que este fato literário sobre este personagem nunca ter sido visto desde que nasceu suscitou em mim. Mas eu nunca pensei em que isto poderia significar em agonia para uma pessoa que nunca foi vista mas não tem controle sobre isso, sequer prazer com isso.

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