sábado, outubro 17, 2015

Ciao!!!



MITOS GREGOS.
Tô dentro.
Sim, foi este o critério de escolha ao ler a sinopse.
Nem pesquisei autora, se era parte de série. É o primeiro livro da autora que leio e gostei muito.
Aliás, merecia virar filme ou seriado, por dar o protagonismo às mulheres fortes e inteligentes.

A irmandade perdida - Anne Fortier – Arqueiro
(Lost sisterhood - 2014)
Personagens: Diana Morgan e Nick Barrán

A avó havia contado histórias de mulheres guerreiras para Diana, criando na garota o interesse por um assunto que se tornou a obsessão de estudo dela, que se formou em filologia. Até que na saída de uma palestra, recebe o convite irresistível para ir até Amsterdã se quisesse saber mais sobre as amazonas. Em um impulso, Diana aceitou e se viu embarcando em um mistério, onde não sabia com onde estava, se quem estava com ela era confiável, se era possível que estavam mesmo na trilha das guerreiras. O problema era que alguém não queria que ela chegasse sabe-se lá onde. E estava disposto atitudes drásticas para isso.

Comentários:

- Não sei onde li que, com este livro, Anne Fortier era a versão feminina do “Dan Brown”. Em alguns pontos, a comparação procede. Afinal de contas: mistério com viés histórico – checked. Indefinição sobre aliados e inimigos – checked. Expertise da protagonista sendo colocada à prova – checked. Corrida contra o tempo: cheked. Mistério que se revela caçada mortal – checked. Guardando os respectivos estilos, ainda mais porque eu gosto das aventuras do Robert Langdon, este livro tem alguns pontos que falam diretamente nos ouvidos (literários) que eu escuto: referências a mitologia/história/lendas gregas e personagens femininas no comando.

- Porque Diana (aham, o “entendeu a referência” já começa no nome da protagonista) é a chave de toda a trama, mesmo quando nem ela entende o motivo. Desde pequena ela ouviu a avó contar estas histórias e lendas sobre amazonas, mas havia uma dúvida sobre a sanidade mental da mãe de seu pai, que fugiu da casa com a ajuda dela, antes que fosse levada para uma “instituição adequada”. Agora, adulta e filóloga (estudiosa de linguagens), a obsessão pela história/lenda das amazonas, que sempre rendeu a ela antipatia no mundo acadêmico de Oxford, foi o motivo de um inesperado convite para uma viagem misteriosa a Amsterdã, que na verdade não era o destino final. Ela foi para outro lugar, uma escavação no norte da África onde um lugar que poderia comprovar que ela estava certa em acreditar. Só que uma explosão quase coloca tudo abaixo e joga Diana longe da Inglaterra e na busca por respostas.

- Respostas que a levam a refazer uma jornada que acompanhamos, ao mesmo tempo, em capítulos alternados. A autora nos leva ao norte da África em 1.250 A.C., quando acompanhamos a jornada de Mirina e Lilli, irmãs que ficam órfãs e são obrigadas a deixar a tribo nômade onde moravam e partem em direção ao Templo da Deusa da Lua. Dificuldades, doenças e perigos marcam a viagem e a chegada ao local onde esperavam por milagre e salvação.

- Ao mesclar as duas narrativas, a autora permite que quem está lendo faça o contraponto entre passado e presente. Desta forma, podemos entender o caminho que Diana está fazendo e aprender uma nova visão da história tradicional (confesso que ela até mudou minha opinião sobre Paris, o príncipe troiano e ofereceu uma versão diferente e igualmente interessante sobre os fatos que levaram à Guerra de Troia). Enquanto isso, não temos a menor noção do futuro de Diana. Intuímos que ela pode confiar na melhor amiga, a arqueóloga Rebecca, incapaz de guardar segredos desde criança. Não sabemos se ela pode confiar no “muso inspirador” James Moselane, nobre e interessado em artefatos antigos; muito menos no desconfiado, arredio e misterioso Nick Barrán, responsável pela escavação no norte da África. Ele evita que ela morra na explosão e gruda nela como chiclete, por achar que ela pegou algo da escavação.

- Sim, Nick é lindo e atrai mais encrenca para o caminho de Diana. É o parceiro “não-sei-se-devo-confiar-mas-algo-diz-que-sim”. Arrogante, sexy, complexo, em outras circunstâncias seria aquele cara que a gente não sabe se joga pra fora de casa ou pra cima da cama, sofá, superfície sólida mais próxima para meras finalidades acadêmicas. Claro que ele tem uma história igualmente complicada e o caminho de Diana vai levá-lo para uma jornada que ele nem poderia imaginar.

- A cada novo personagem a trama se amplia e se complica, porque demora um pouco para a gente perceber de que lado pessoa está e como podem atrapalhar na jornada. O importante é que o fio condutor da trama está com as mulheres – sejam as amazonas do tempo antigo, a filóloga e a família dela e este mito que ela está perseguindo. Os homens são parceiros ou inimigos. Aqui pode esquecer o “donzela em perigo”, porque todas lutam com as armas que possuem, seja força bruta, habilidade com armas ou a inteligência em decifrar linguagens e interpretar informações. Neste ponto, ganha do Dan Brown, porque o professor Langdon sempre tem uma parceira no pique-pega da vez, mas ele é o destaque do livro. Afinal de contas, uma garota superpoderosa da academia envolvida em aventuras é algo inspirador, né?  

- Por isso que eu disse que merecia virar filme ou seriado, eu gostaria de ver essas mulheres botando para quebrar. Gostei de ver justiça ser feita no final. Gostei de entender os sacrifícios que foram feitos em nome de uma causa, seja a lealdade de um grupo, o encontro do amor ou a busca por conhecimento. Foi uma experiência divertida, interessante e que satisfez – e muito – a menina que lia todas as enciclopédias que encontrou no caminho.


Bacci!!!

Beta

ps.: Antes que vocês perguntem, ainda não sei se vou ler Julieta. Nada a ver com a autora, mas porque não tenho a menor simpatia pelos desvalidos amantes adolescentes de Verona. Talvez em um dia menos “cismado”. E se a autora seguir nesta linha de A Irmandade Perdida, pode contar com uma leitora curiosa.
Reações:

Um comentário :

  1. Ora, eu não tenho tanta paixão pelas amazonas mas eu fiquei muito feliz em saber delas desde primeira vez em que li a respeito, saboreando mesmo uma matéria de revista conceituada sobre sua existência verdadeira pelas regiões gregas atribuídas a elas. Eu adoraria um filme ou uma série sobre este romance também. Aliás que capa lindíssima e eu sequer sou muito amiga de verde em livros, roupas, etc, etc, etc ... !!!

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