sábado, agosto 08, 2015

Ciao!!!



Com certeza este foi o livro que mais gostei da Sophie Kinsella – sim, sofro de um probleminha de incompatibilidade de empatia com a personagem mais famosa dela, a Becky Bloom. Justamente a estreia dela no Young Adult. Um livro voltado para adolescente que trata de problemas sérios e atuais.
Aliás, se você é fã dela, já deve estar se programando porque ela estará na Bienal do Rio.

À procura de Audrey – Sophie Kinsella – Galera Record
(Finding Audrey – 2015)
Personagens: Audrey Turner, o trauma, família e amigos

Audrey tem 14 anos e está no processo de superação do trauma causado por ter sido vítima de bullying. Afastada da escola, ela se prepara para começar o ano letivo em outro colégio. Enquanto isso reflete sobre as dificuldades de socializar, a angústia de ainda ser “refém” com uma parte da mente que prefere mantê-la longe de tudo e de todos. Em meio a isso, acompanhamos a rotina de uma família com problemas como todas as outras e também em processo de recuperação.

Comentários:

- Audrey tem 14 anos e vive em uma família incontrolável e maluca, os pais Anne e Chris e o irmão mais velho Frank e o caçula, Felix. Até aí, atire a primeira pedra quem nunca disse que as pessoas da própria família tinham parafusos a menos. Só que além da insanidade natural de qualquer família, os Turner passaram por problemas sérios. Audrey foi vítima de bullying na escola. E a situação chegou ao ponto da menina desenvolver transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada e episódios depressivos. Se você não entendeu, ela desenvolveu uma fobia social em interagir com qualquer ser humano que não seja os parentes (mesmo assim, ainda tem algumas dificuldades com alguns deles).  Audrey usa óculos escuros o dia inteiro, fica quase o tempo todo dentro de casa. Perdeu um ano na escola, para iniciar o próximo (na Inglaterra, as aulas começam em setembro) em outro colégio. Um recomeço, para o qual ela está se tratando para tornar possível.

- Gostei da autora não ter detalhado o que as três garotas fizeram com Audrey. Temos pistas vagas aqui e ali. Porque mais importante que detalhar o bullying é mostrar os efeitos dele. A menina é a narradora do livro, acompanhamos todas as demais pessoas pela ótica da protagonista. A médica com quem ela se trata, os pais, os irmãos, como que a doença dela não só a ela, mas também à família. No entanto, ao longo do caminho, você vai perceber um tom de crítica à dificuldade das pessoas acreditarem nas vítimas, o que contribuiu, no caso de Audrey, para agravar a solidão dela diante da perseguição e, por tabela, o sofrimento e as consequências para a saúde física e mental dela.

- Em algum momento você vai se identificar com Audrey quando ela falha da relação dos pais com os filhos. Há amor, mas há superproteção e há o tradicional desencontro de comunicação – quando um não entende (ou não consegue entender) o que o outro está dizendo. Brigas por causa do “tempo demais no computador”, por não interagir de forma “saudável” são possíveis de ocorrer em qualquer lugar. Apesar de que Anne é a mãe exagerada³ - teve uma atitude dela que doeu em mim.

- O que indica a mudança no circulo de Audrey é a presença de Linus, amigo que jogava videogame com Frank. Ele tenta conversar com ela, causa, sem querer, uma crise de pânico que faz a garota refletir e depois tentar enfrentar (para que o amigo continuasse se sentindo à vontade para visitar o irmão). Ele altera a dinâmica ao tentar se comunicar e estabelecer um vínculo com ela, mesmo sabendo de todas as restrições.

- A pesquisa da autora foi bem-feita porque não tira milagre da cartola. A recuperação de Audrey não ocorre da noite para o dia, mas é um processo continuado, conquistado passo a passo, com direito a recaídas, traumas, vitórias, passinhos, grandes passos, alguns tropeços. Como ela mesmo diz, o inimigo está dentro dela e precisa ter os impulsos negativos controlados. Não vai ser fácil e ela nem vai estar 100% curada, porque a experiência nunca a deixará 100% o que era antes. Mas posso garantir que a Audrey que encontramos no início não será a mesma que se despede de nós na última página. E eu adorei acompanhar a jornada para perceber a diferença – para melhor – entre elas.


Bacci!!!

Beta
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Um comentário :

  1. Engraçado como uma palavra que não existia em terras brasileiras pelos anos 70 fez com que eu não ligasse pontos até que uma mulher falasse comigo sinceramente: eu fui vítima de bulling desde que comecei minha escolinha, durante cinco anos, porém eu não era indefesa completamente como essa personagem - eu ficava triste mas não ficava assustada, sem contar a ninguém, a não ser aos gatinhos em minha vida.

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