sábado, maio 30, 2015

Ciao!!!



  
Sabe aqueles livros que você bate o olho e não tem a menor dúvida de que quer ler? Foi o meu caso com esta biografia. Escolha imediata e indiscutível.

Freddie Mercury, a biografia – Laura Jackson – Editora Record
(Freddie Mercury - 2011)

Ele era um personagem.
Ele era uma prima-dona.
Ele era carismático e encantador.
Ele era sarcástico e egoísta.
Ele era caridoso.
Ele era temperamental.
Ele era capaz de se reinventar.
Ele era capaz de magoar.
Ele era capaz de não se apegar a ninguém.
Ele era bissexual.
Ele era homossexual.
Ele era tudo isso, nada disso e muito mais que isso.
Ele era frágil.
Ele era apaixonado por gatos.
Ele era humano.
Ele se tornou imortal.

Depois que você lê a biografia do Freddie Mercury pensa em como ele foi capaz de condensar e vivenciar do zero ao mil os estereótipos possíveis – e superá-los todo, de tal forma que até para quem era próximo a ele e deu entrevista, fica difícil entender se realmente conheceu Freddie ou se apenas a fachada que ele queria mostrar ao mundo. Da infância em Zanzibar, da família de origens persas e conservadoras, da parte da vida na Índia e da adolescência e vida adulta em Londres. Freddie – nome como os amigos de internato passaram a chamar Farrokh (nome de batismo dele) – Mercury – sobrenome artístico escolhido pensado no deus romano da comunicação, para substituir o Bulsara e não revelar as suas verdadeiras origens.

- Apoiada em depoimentos de pessoas que conviveram com ele antes e depois da fama, Laura Jackson narra como o garoto franzino foi se construindo e reconstruindo, lidando com o que ele considerou um “abandono” dos pais (e é apontado como uma possível causa de ele não se apegar a ninguém). Todos narram que ele tinha certeza de que seria um astro. No entanto, me surpreendi com algumas coisas. Não é a história da pessoa que nasceu pronta para brilhar. Ele tinha defeitos, inclusive várias pessoas se lembram dele desafinando horrores no início e agindo como uma diva mimada desde sempre (por exemplo, todos carregando peso e ele levando maracás e pandeiro para o palco, ou dando pitis porque não encontrava o luxo que merecia a espera em determinadas cidades da turnê).

- O visual extravagante, a atitude afeminada, o profisisonalismo que forçava o descobrimento do melhor de cada um se tornam detalhes que enriquecem uma personalidade magnética, encantadora, que te magnetizava. Aquilo que a gente via no palco – especialmente quem conseguiu ver um show ao vivo – também se refletia na vida particular. As pessoas se encantavam por ele. As pessoas se apaixonavam por ele. Várias entrevistas citam a incrível capacidade que ele tinha de ouvir as pessoas. Muitas passaram pela vida dele. Alguns permaneceram. Provavelmente nenhum – nem mesmo Mary Austin (a mais constante entre todos que conviveram com ele) – conseguiram chegar perto do verdadeiro Freddie Mercury/Farrokh Bulsara. A persona, o mito, é muito maior que tudo. Muitos demoraram a perceber que ele era bissexual/homossexual. E ele se desmanchou em insegurança diante do projeto com Montserrat Caballé (a parte sobre a decisão de onde ele se apresentaria no show diante da resposta dela sobre o bis). Se realmente existiu uma verdade única a respeito dele, foi algo que Freddie preservou apenas para si, com medo, talvez, de sofrer algum abandono ou ser magoado (como ocorreu ao ver uma pessoa que conviveu com ele vender para um tabloide diversos segredos íntimos, na década de 1980).
 

- A biografia conta como os músicos que formariam o Queen se reuniram até chegar à formação da banda, relata todo o projeto rumo ao estrelato e a grande confiança que eles tinham de que chegariam lá. Relata a criação de alguns dos maiores sucessos do grupo, que contava com uma base fieis e enorme de fãs. E para a minha total e absoluta surpresa, o fato de que eles foram antipatizados pela crítica e alguns integrantes da imprensa desde sempre, não importa o que fizessem. Ok, nem sempre eles foram impecáveis (seja como músicos e como decisões de carreira: shows em plena África do Sul na época do Apartheid não soaram bem, óbvio), mas, poxa, é o Queen! Lendo agora, é fácil ver o tamanho da arrogância de quem se julga apto a analisar e estabelecer patamares. No entanto, ainda não consigo acreditar nisso. O reconhecimento veio – ironicamente – após a morte do Freddie Mercuy, mas aí, né?

- Profissional e magnético nos palcos, diva nos bastidores e totalmente desregrado na parte de vida pessoal que compartilhava com os outros. Os anos 70 ofereceram liberdade de vida, de escolha, de parceiros, da vida “escondida” nos points gays de cidades na Europa e na América, dos excessos e das ostentações das festas, drogas e sexo que uma década depois trouxeram um preço duro a ser pago. A Aids, como narra The Normal Heartfoi um baque para esta comunidade oprimida e que, de repente, se viu estigmatizada com uma doença mortal. O livro comenta o medo que ele sentiu diante da possibilidade de ter a doença e, depois, ao ser confrontado com o resultado positivo. Da luta dele e dos poucos que sabiam para manter o diagnóstico secreto, diante da abordagem cada vez mais agressiva e invasiva dos tabloides. Por isso, quando ele morreu, foi o segundo baque mundial relacionado à doença que passou a ter, primeiro, o rosto de Rock Hudson e depois o de Freddie Mercury.

- Embora muitos fãs e imprensa especulassem diante dos sinais – ele emagreceu demais; nem sempre, por melhor que fosse a maquiagem, dava para disfarçar as manchas do sarcoma de Kaposi e, por fim, a doença roubou dele a força para cantar - ele optou por manter o segredo até o fim. Tanto sobre as preferências sexuais (o que, convenhamos, só interessava a ele e aos parceiros, né?) quanto sobre a doença. Como contei no texto sobre The Normal Heart, um dia, o telejornal anunciou que ele estava com Aids. No dia seguinte, o mesmo telejornal anunciou que ele havia morrido. Na minha cabeça, foi um recado de como essa doença matava mesmo e até hoje não consigo ouvir The show must go on.

- Sim, você está se perguntando, fala sobre o Rock in Rio em 1985, mas talvez seja frustrante (foi assim que eu me senti) porque sempre tive uma impressão diferente. Talvez alimentada pelas imagens de uma plateia em êxtase cantando Love of my life. Ou pela forma de que algumas pessoas que eu conheço – a começar por #Madrehooligan – se lembrarem de toda a mística em torno de Freddie Mercury (e desta música) deste show. Ah, na reta final, fala sobre as discussões envolvendo a cinebiografia sobre ele. Apesar da minha torcida apaixonada para que Johnny Depp fosse o escolhido, o papel ficou com o Sacha Baron Cohen (o Borat) e também de outros projetos que mantém a chama acesa.

- Já pulamos ao som de We will rock you, nos encantamos diante do espetáculo que é Bohemian Rhapsody, dançamos ao som de Radio GaGa e I want to break free, nos apaixonamos ao som de Somebody to Love e Who wants to live forever. E não há um atleta que, ao vencer um título, não se desmancha em lágrimas se lembrando de tudo que sofreu para chegar à vitória ao som de We are the champions enquanto os confetes pairam no ar. Sendo sincera, ele viveu como quis, sabia que nasceu para ser um astro, com tudo aquilo que o tornam essa figura que prende a nossa atenção e ganha nossos corações com o que fez ao longo da vida: tocou nossos sentimentos refletindo a paixão em sua voz. Só haverá um Freddie Mercury. E celebremos isso.


Bacci!!!!


Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Eu gosto de Freddie Mercury. Eu gosto de Queen. Seria bárbaro trabalhar pelos bastidores, recebendo todos eles, mas eu não teria paciência alguma com esses chiliques e tremeliques de diva musical !!! Nenhuma mesmo !!! Eu não gosto de pessoas que têm ataques de histeria firulenta por conta de que tipo de frescura esperava ter em seu camarim. Astro que é astro enfrenta tudo !!! Eu não perdoaria isto em Freddie ...

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