Cap. 106 (Turbinado) – Um amor de detetive – Sarah Mason
Ciao!!!
Este livro já está no Literatura de Mulherzinha.
No entanto, um dia, fuçando nos arquivos, me dei conta de que não foi um texto
à altura dele. Aproveitando as comemorações, resolvi reler o livro para
ser o post “turbinado” do #AbrilImperdível do #LdM10anos...
Um amor de detetive - Sarah Mason - Bertrand Brasil
(Playing James - 2002)
Personagens: Holly Colshannon e James Sabine
Receita:
Pegue uma jornalista - Holly Colshannon - que só
escrevia para a coluna de funerais de bichinhos de estimação e tem uma séria
tendência a sofrer acidentes.
Acrescente um chefe - Joe - que a promove para repórter
Policial e uma RP - Robin - que está disposta a dar uma chance a ela.
Reserve.
Adicione um policial - James Sabine - que odeia jornalistas, mas vai ter
que aturar Holly por 6 semanas.
Coloque pitadas de palpites de uma amiga que quer casar - Lizzie -,
um namorado que teme compromisso - Ben, a noiva perfeita - Fleur,
uma família excêntrica e que não perde uma chance de ser dramática - os Colshannon e
até mesmo uma beata que detesta Lizzie e Holly - Teresa Falsa Santa.
Tempere com casos policiais, um ladrão misterioso, um repórter
fotográfico nada discreto, as piadinhas do departamento de polícia... e um
médico de emergência lindo, maravilhoso e tudo de bom - além de acostumado a
flagrar Holly nos piores e mais constrangedores momentos, onde impressionar um
homem daqueles definitivamente não é uma prioridade.
Leve ao forno e aguarde...
Veja o resultado na coluna diária no Bristol
Gazette e no livro Um amor de detetive.
Comentários:
- É um daqueles livros onde os opostos
não se atraem, mas são obrigados a conviver por imposição. Holly queria ser uma
grande jornalista, mas tinha a ingrata missão de escrever a coluna de
obituários dos animais de estimação para o Bristol Gazette. Até que um dia,
após a saída do repórter policial titular, ela se viu envolvida em um projeto
que deveria melhorar as vendas do jornal e fazê-lo ganhar da concorrência: acompanhar
a rotina da polícia local e narrar as impressões dela em uma coluna diária. A ideia
ajudaria também a melhorar a imagem da polícia na comunidade. Tudo perfeito se
não fosse um probleminha: o policial escolhido para acompanhá-la nas seis
semanas era o sargento-detetive James Sabine. O que tinha de bonito tinha de mal
humorado com o bônus de DETESTAR jornalistas.
- Holly é atrapalhada, desastrada,
confusa, lida com a família excêntrica (e bota excêntrica nisso), tem um
relacionamento confortável com Ben, um jogador de rugby e está envolvida até o
pescoço nas trapalhadas próprias e nas alheias – como nas tentativas de ajudar
a amiga Lizzie a convencer o namorado Alastair a levar o relacionamento ao
próximo nível. É a típica protagonista impulsiva, quando percebe já está
fazendo, sem analisar as consequências e que surta diante das coisas que precisa
ou se vê obrigada a fazer (como a narração é em primeira pessoa, pelo ponto de
vista dela, sabemos o tempo todo o que se passa nesta cabecinha
destrambelhada). E o fato de ser uma habitué
do pronto socorro, a ponto de ser conhecida por toda a equipe médica,
especialmente o plantonista que era a cara e o charme de George Clooney
(referência direta a série ER, para minha alegria), é só uma demonstração do
quanto a exuberância e a criatividade de Holly não encontram apoio em
coordenação motora e, às vezes, na sorte.
(Nem
vou dizer nada sobre o fato de que as autoras de chicklit criam personagens com
perfil semelhante no que se refere à profissão: Bridget Jones, Tasha Harris,
Becky Bloom e a Holly trabalham em meio de comunicação. Quem não é, se torna
jornalista. E a única feliz com o que faz é a Tasha Harris, a produtora de um
programa de TV. Todas as outras querem algo a mais que ainda não alcançaram.
Ah, todas são malucas de alguma maneira.
Não sei até agora que tipo de jornalistas
que essas autoras conhecem para inspirar esses personagens...).
- James não gosta dela. James não a
leva a sério. Há momentos em que ela tem certeza de que James não a considera
nem um ser humano e que só a atura porque foi obrigado. E para agravar, ele se
torna responsável pela investigação de uma série de roubos de objetos antigos,
com ela junto. James tem certeza de que ela vai estragar tudo e não se cansa de
dizer isso e de demonstrar que não confia nela. Para a sorte dele, está de
casamento marcado para justamente o final do diário e sairá desta relação
forçada para a estabilidade e conforto trazido pela relação com Fleur, a herdeira
milionária, humanitária, anjo de misericórdia e lutadora pela paz mundial.
- A relação entre os dois começa
agressiva e vai se suavizando a medida que eles se conhecem e que as
circunstâncias da investigação os tornam parceiros, apesar da desconfiança
mútua. (Chega ao ponto da gente entender manias de cada um. No meu caso, ajudou
quando a autora revelou numa passagem rápida dos signos de cada um. James é
escorpiano – o que condiz totalmente com o temperamento que é descrito. Holly é
virginiana – o que me fez imaginar um mapa astral com influências gritantes de
outros signos). É um relacionamento que se desenvolve nos bastidores de uma
delegacia, sujeito às consequências de circunstâncias que Holly acredita ter
conhecimento, à sabotagem e nas entrelinhas dos textos de Holly, editados pelo
chefe, Joe, que começam a insinuar mais do que acontece realmente. E quando as
palavras ganham imagem, o público surta cobrando a jornalista por um happy
end que envolva a dupla dinâmica e não a prisão do assaltante em série.
Acidentes, traições, algumas mentirinhas e uma verdade que se recusa a ser
admitida e um casamento iniminente tornam o livro uma aventura maior que
desvendar o crime.
- É comédia descarada, com muita cena de
pastelão (sim, aquelas que você sabe que vai dar errado diante da mera
insinuação da personagem do que pode fazer), muita gente dando pitaco (o
público chega ao ponto de odiar uma saia que Holly usou em um dia de trabalho. Sério.
Tanta coisa mais importante e é nisso que eles prestam atenção), muitos
desencontros e encontros desagradáveis (Deus me livre das Teresas Falsas Santas
da vida real) que acontecem paralelamente à trama principal. Como contei no
post original, comprei este livro por indicação da Thalita (aliás, se estiver
lendo isso, saudades de você, que foi uma das garotas que acompanhou e
contribuiu no início do Literatura de Mulherzinha), chorei de rir quando o li
há nove anos e agora, com mais experiência jornalística e de vida, ri ainda
mais de como as pessoas pensam ser a rotina de uma jornalista e do quão
decepcionadas ficariam ao perceber que tem muito mais tensão e estresse que
glamour romantizado. E a autora sabe disso ao revelar por que James não gostava
de jornalistas – o que acaba se revelando uma crítica a um aspecto comum (infelizmente)
da profissão.
- É um dos meus favoritos por ser um livro divertido, por não ter vergonha de ser bobo quando precisa e por reforçar que,
às vezes, a gente não enxerga mesmo o que está debaixo do próprio nariz e só se
mete em confusão quando tenta adivinhar os atos alheios e age a partir disso. Mas quem foi que disse que a vida
deveria ser um caminho fácil e tranquilo?
- Se achar este livro, nos sebos ou
escondido em alguma livraria, compre. Vai te render boas horas de diversão com
as trapalhadas de Holly – sem saber – rumo ao amor. Faz parte de um dueto. A outra história, lançada no Brasil como Alta Sociedade, tem como protagonista a irmã de Holly, Clemmie, que só é mencionada aqui. E não, ainda não tenho e estou caçando para ler e ver se o fator destrambelhado é genético nesta família!
Série Colshannon:
1. Playing James – Um amor de detetive - Holly Colshannon e James Sabine
2. Society Girls – Alta Sociedade - Clemmie Colshannon
- Links: Goodreads autora, livro,
série;
outros livros dela no Literatura de Mulherzinha.
Bacci!!!


