quinta-feira, abril 23, 2015

Ciao!!!





Como anunciado no ano passado, no post de MuitoBarulho por Nada, eis a meta de leitura reforçada no Top Piriguetagem 2014. A culpa é, óbvio, de Carter Maguire (e, por tabela, da Nora Roberts)

Como Gostais – William Shakespeare – LPM Pocket
(As you like it – 1599)
Personagens: Rosalinda e Orlando

Os personagens estão envolvidos em uma disputa sobre poder, riqueza e dispostas a amarem. Em uma confusão de perseguição e troca de identidades, Orlando se apaixona por Rosalinda à primeira vista, no entanto, eles se separaram e quando se reencontram, Rosalinda está disfarçada como Ganimedes. Ambos ameaçados por parentes, se escondem na região rural, onde se desenrola uma trama que mostra como o amor pode ser simples, embora complicado, se for como você quiser...

Comentários:

- Menosprezado pelo irmão, Oliver, que o relegava à propriedade rural sem todo o preparo que merecia por ter origens nobres, Orlando derrota um homem que pretendia matá-lo numa briga e foge de casa ao saber que seria assassinado. A luta foi assistida como diversão pelas damas Rosalinda e Célia, que são primas. E Orlando e Rosalinda se encantam um pelo outro. No entanto, ela é expulsa de casa pelo tio que usurpou o ducado do irmão. Frederico temia que o amor do povo por Rosalinda se transformasse em um problema.

- Entre ficar, e ser acusada de traição, e partir, Rosalinda foi embora, com a companhia da prima, que não concordava com as atitudes do pai. Como eram duas jovens e viajar sozinhas seria perigoso, Rosalinda assumiu nova identidade, a de um rapaz chamado Ganimedes, e Celia se tornou Aliena, sua prima, e as duas acompanhadas de Touchstone, o bobo da corte.

- Claro que os apaixonados irão se encontrar e se enredar em uma trama com outros apaixonados, com a ameaça dos parentes e o risco de serem encontrados. O amor que é declamado nas árvores conduz Rosalinda de volta a Orlando, apesar da jovem, ainda disfarçada, não poder se revelar. E decide ver realmente o quanto é forte o sentimento de Orlando. Pede que ele treine com Ganimedes a forma como gostaria de cortejar a amada se fosse possível. E o jovem aceita ter seus sentimentos dissecados pela capacidade ora mordaz, ora certeira e muito analítica da amada disfarçada.

Rosalinda – Agora me diga por quanto tempo você a quer como sua legítima esposa, depois de a possuir.
Orlando – Para sempre e mais um dia.
Rosalinda – Diga “um dia”, sem o “para sempre”. Não, não, Orlando. Os homens são a primavera de abril quando se enamoram e namoram, e são o inverno de dezembro quando se casam. As donzelas são a primavera de maio quando são donzelas, mas o céu muda quando elas se tornam esposas. Vou sentir mais ciúmes de ti que um pombo-macho de sua fêmea; vou ser mais barulhenta que um papagaio quando se arma um temporal, mais novidadeira que um macaco-mono, mais volúvel nos meus desejos que um mico. Vou chorar por razão nenhuma, como Diana junto à fonte, e vou fazer isso quando você estiver disposto a se alegrar. Vou rir como uma hiena, e vou fazer isso quando você estiver disposto a dormir.

- O mais legal é que a peça gira em torno de Rosalinda/Ganimedes. Dos amores que ela desperta não importa como esteja. Da forma como ela pensa com clareza sobre o que está ao seu redor. Dá para entender porque o professor Carter Maguire era encantado pela força da personagem que desfaz todas as confusões criadas pela troca de identidade. E da ironia – destacada por textos sobre o autor e a peça que esclarecem e situam os leitores sobre a peça – de que, no período quando foi escrita e levada aos palcos originalmente, não podia ser interpretada por uma mulher. As mulheres não subiam aos palcos. (Sobre isso, quem não sabe e ficou curioso pode ver o filme Shakespeare Apaixonado. Apesar da Gwyneth Paltrow, vale a pena). Os papeis femininos eram interpretados por jovens que ainda não tinham passado pela mudança de voz.

- Como os encontros e desencontros dos apaixonados e a forma como o amor surge são os pontos primordiais da peça, é muito inteligente o desfecho que compromete vários casais e alguns que nem se percebiam assim. As ameaças se desfazem e tudo fica bem. Gostaria de ver encenado. Meu amor por Muito Barulho por Nada começou pelo filme. Talvez crie laços mais fortes com Como Gostais depois de uma representação visual. Afinal de contas, ficam sempre pontos a serem solucionados pela imaginação do telespectador/espectador/leitor. E antes que perguntem, ainda não defini o próximo. Queria continuar nas comédias, apesar de ter visto a intensa Coriolanus (vocês podem imaginar o motivo...). Bem, tenho tempo para decidir...

Rosalinda – Ah, já sei o que você está pensando. Não, é verdade. Jamais houve algo tão repentino, a não ser um embate entre dois carneiros e o modo como César alardeou a si mesmo com “Cheguei, vi e venci”. Pois o seu irmão e a minha irmã, tão logo se encontraram, já se olharam; assim que se olharam, já se gostaram; tão logo se gostaram, suspiraram; mal haviam suspirado, perguntaram-se por que motivo; tão logo entenderam o motivo, buscaram a solução para o problema. E foi por esses cálculos que eles construíram os degraus para o casamento, a serem galgados com urgência que é para não haver urgência de casar. Eles estão em plena fúria do amor e querem estar sempre juntos. Nem gritando “É briga!” eles não se separam.


Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Um romance majestoso !!! Eu nunca li essa obra de William Shakespeare, mas fiquei muito curiosa e muito interessada em conhecer !!! Ele é um autor excelente, que cativa e encanta com seus escritos, embora ele tenha mania de matar quase todos ou todos seus personagens principais pelas suas peças. ^_^ Eu sequer sabia que esse romance existia, mas estou muito tentada a lê-lo ao sabe-lo existente nesse mundo !

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