domingo, novembro 09, 2014

Ciao!!!





É muito difícil falar deste livro. Eu poderia dizer que ele é complicado, confuso, dolorido, complexo, tenso, intrigante... Elementos que você pode encontrar por aí em muitas histórias reais ou ficcionais.
Para quem gosta do estilo – ou está curioso – é um prato cheio.

Indo longe demais – Tina Seskis – Record
(One step too far – 2014)
Personagem: Catherine Emily Brown

Emily saiu de Manchester disposta a não voltar. Deixou marido e filho pequeno para trás. Foi para Londres, passou a ser Catherine, buscou um local onde permanecesse anônima e um emprego como recepcionista em uma agência de publicidade. Era uma pessoa que vivia o presente, sem ter ideia do que fazer no futuro e tentando bloquear o passado do qual não falava e nem queria se lembrar. O problema é que não dá para fugir de si mesma para sempre.

Comentários:

- Em algum momento da leitura, fiquei me perguntando como terá sido o processo da autora na construção da trama. Ela alterna o ponto de vista entre vários narradores – a mente de Cat/Emily é a única em primeira pessoa, os demais pontos de vista são em terceira pessoa. Eu imagino que ela tenha escrito cada parte separado e depois intercalado. Porque se ela conseguiu escrever na ordem em que a gente leu, terá meu total respeito por conseguir manter a coerência. A gente fica confuso porque não sabemos o estopim da decisão de Cat/Emily de fugir (ao contrário da autora).

- E quando falo “confuso” não é no mau sentido. É para descrever a situação de quem lê os sentimentos e as atitudes de um personagem claramente em conflito consigo mesmo. Só que a gente não entende do que ela claramente fugiu. Do que ela sofre quando se lembra. Naturalmente, o leitor começa a querer montar um quebra-cabeça todo bagunçado sem saber o que encaixa onde, quais pistas não são se encaixam e tentando achar um fio da meada que seja lógico. Não vai ser fácil. Eu mesma bolei várias teorias, até acertei algumas coisas, mas não a trama toda. Sem tentar dar spoiler, o que eu tenho certeza de que compromete a leitura, posso dizer que estamos acompanhando em um camarote (que às vezes se torna muito desconfortável, pela intensidade dos sentimentos descritos) uma descida a passos rápidos para o inferno que antes era interno e tem tudo para se tornar externo também.

- Outro ponto que ficou quicando na minha mente foi a breve menção ao aniversário de Cat/Emily. 15 de novembro. A partir disso, graças ao meu interesse pelos estereótipos associados ao signo (recomendo aos curiosos o livro “Seu futuro astrológico” da Linda Goodman), rotulei a personagem como uma escorpiana em um processo de autodestruição intenso e sem freio. Esta análise me levou a uma das peças do quebra-cabeça que eu acertei envolvendo a motivação da fuga, apesar de não precisar exatamente o entorno. Mas eu prometi não dar spoiler, então não paro aqui. E neste processo de autodestruição existem dois finais possíveis: topar com algo mais forte que a faça cair em si e enfrentar o motivo da fuga ou não ter como parar até o final defintivo. Podem ficar tranquilos que não falarei mais que isso. O que posso adiantar é que o título se justifica plenamente: todas as pessoas citadas no livro vão ter o momento em que foram longe demais, passando por profundas e irreversíveis mudanças e não serão as mesmas quando chegarmos à última página.

- E para concluir, se você for como eu, que foge (ou faz leituras em doses homeopáticas) de livros tensos, pesados, dramáticos e sofridos, talvez esta não seja a trama indicada para você ler. Em muitos momentos, tive os mesmos probelmas que enfrentei com As batidas perdidas do coração: dependendo do dia, ser leitora-esponja é um carma, não uma bênção. Especialmente quando as histórias despertam lembranças – mesmo que não tenham nada a ver – de como é estar no fundo do poço sem saber como subir e sentindo que as forças que mantém acima da superfície estão minando. Sim, eu sei que a vida nem sempre é um mar de rosas e quase nunca é filme da Disney. No entanto, ainda prefiro um pouco de esperança em dias melhores nos meus momentos de relaxamento.

- Mas se você não for como eu e adorar um thriller psicológico, talvez este livro seja uma opção perfeita para você. Aproveite.

- Links: Goodreads autora e livro; site da autora.

Bacci!!!


Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Ah, não, este romance não é para mim: eu não tenho qualquer pendor para ler terror psicológico, apesar de minha profissão. Além de que eu antipatizei imediatamente com esta personagem ao início de sua postagem ao ler que ela fugiu, abandonando um filho pequeno. Fugir é contra meus princípios, mas abandonar um filho pequeno é uma covardia imperdoável que eu não aceito de forma alguma !!!

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