sábado, novembro 01, 2014

Ciao!!!

ps.: A capa brasileira é DOURADA e brilha. Muito mais linda pessoalmente.


Olha mais uma biografia no Literatura de Mulherzinha. De antemão, aviso que meus conhecimentos sobre o cinema francês são abaixo do estereótipo e que nunca vi nenhum filme da Brigitte Bardot. Então considerem o que vou escrever como opiniões de uma pessoa duplamente leiga e curiosa.

Brigitte Bardot – Marie-Dominique Lelièvre – Record
(Brigitte Bardot Plein la vue - 2014)

De menina sedutora, a jovem sensual, à mulher perigosa e a ativista em defesa dos animais. Na vida de Brigitte Bardot há espaço para várias facetas e muitas histórias. Em muitos momentos do livro, fiz duas comparações envolvendo Marilyn Monroe: a primeira do estereótipo de Brigitte Bardot se referir principalmente à beleza e ao sex appeal dela (mais recentemente, somado ao trabalho como ativista das causas e defesa dos animais). E a segunda que a Marie-Dominique Lelièvre teria sido uma narradora muito mais atraente, para meu gosto, para a biografia da MM que o Normam Mailer.

Brigitte é um dos ícones do cinema francês e mundial. Descoberta muito jovem, se tornou um padrão de beleza e, como conta o livro, o rosto da “mulher moderna do pós-guerra” numa França que se recuperava da Ocupação Nazista e com uma juventude constestadora. No entanto, a vida dela não foi um mar de rosas, a forma como foi criada pelos pais (aliás, o motivo de uma ruptura entre pais e filha quando ela era ainda criança pode soar chocante para quem lê), o fato de não se achar bela nem atraente são apontados como fatores que contribuíram para uma personalidade que aprendeu a não se apegar a ninguém e, ao mesmo tempo, depender da reafirmação por parte dos outros de que era bela, desejável e atraente. Sem contar que a moça andrógina que atraía os homens e tornou-se “a mulher que as outras mulheres gostariam de ser” sempre demonstrou um temperamento forte, obstinado, total ausência de papas na língua, que por muitas vezes, ao longo dos 80 anos completados em 2014, a colocou em confusões, polêmicas e escândalos. Talvez o mais chocante não seja a forma como ela tinha e descartava os amantes/maridos (uma passagem no livro analisa que ela foi uma das primeiras mulheres a publicamente agir como os homens nos relacionamentos), mas seja a não relação dela com o único filho, a maior prova de que era impossível conformar Brigitte no padrão “ela é atriz, mas também é, como você, dona de casa” que as revistas femininas da década de 1950 estampavam para as suas leitoras.

O livro destaca também a necessidade do cinema de consumir a juventude. Brigitte surgiu como um rosto novo, belo e desejável e a autora relata depois como que o envelhecimento afetou a opinião pública sobre ela e ela mesma, a tal ponto da atriz abandonar tudo e passar a usar a fama para lutar pelas causas dos animais. Relata também como Brigitte se tornou vítima e cúmplice da imprensa que estava sempre ávida por notícias que a envolvessem, mostrando que a atriz teve que ficar sitiada em casa durante a gravidez, ou quando um funcionário vendeu as memórias sobre a intimidade da casa dela para uma revista e, ao mesmo tempo e também as oportunidades em que ela se beneficiou deste relacionamento, oferecendo vantagens a este ou aquele jornalista ou veículo de comunicação. E ainda manifesta em alguns momentos como que setores conservadores, na França e nos Estados Unidos, a culparam pelo “desvirtuamento” dos jovens, reforçando o preconceito sexista de que a mulher tem que seguir o que a sociedade espera dela.

A biografia destaca que, mesmo afastada do cinema e reclusa, aparecendo apenas para falar sobre a defesa e proteção dos animais, o ícone Brigitte Bardot ainda vive na mente dos fãs (como Suzanna, que permitiu que ela olhasse um acervo de revistas para as quais Brigitte posou mesmo antes de se tornar atriz), no imaginário feminino (blogueiras ensinam em vídeos na internet o modo de maquiar usado pela atriz. Com o pitaco da autora de que muitas nem escrevem o nome da Brigitte direito). Ela tornou Saint-Tropez conhecida mundialmente ao comprar imóveis lá. Só lamentei que as menções ao Brasil foram en passant, limitadas a um comentário que ela estava no Brasil quando os Beatles estiveram na França e queriam encotnrá-los e que um dos casos dela foi com um milionário brasileiro (sempre ouvi falar sobre a passagem dela em Búzios, mas o livro não menciona).

A autora deixa claro no início e em outros momentos do livro como é fã de Brigitte e como a atriz influenciou não só a ela, mas também a mãe. Por ter esse senso, o trabalho dela oferece não a versão da fã que idealiza o ídolo, mas que o trata com respeito ao narrar o que descobriu sobre ele. E neste caso, não é uma versão definitiva, mas uma narrativa que costura relatos, pesquisas e conversas com pessoas ligadas direta, indiretamente ou que admiram a atriz. Sugiro para aqueles que não conhecem a relevância de algumas personalidades e dos filmes citados que utilizem os benefícios dos sites de busca, o que amplia ainda mais o aprendizado trazido pelo livro. Gostei do tom de “conversa” misturado com “divagações” usado pela autora. É como se ela tivesse sentada com a gente contando a história. Isso me prendeu na leitura e despertou a curiosidade, além de me deixar muito mais preparada para quando esbarrar em um filme de BB na minha jornada cinéfila.

- Links: Goodreads autor, livro.

Bacci!!!


Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Bem, eu não recordo neste momento se assisti algum filme de Brigitte Bardot alguma vez em minha vida, mas li várias reportagens sobre ela, incluindo uma reportagem sobre sua visita a Búzios, inclusive com uma fotografia em branco e preto, mostrando-a caminhando de biquini pela praia. Eu lembro principalmente de seus cabelos compridos e de seus cílios longos, que tornaram-se moda feminina naquela época.

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  2. Complicado. Fiquei tão revoltado com a maneira como ela se referiu ao filho em sua autobiografia que depois disso qualquer admiração que eu tinha por ela morreu.

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