domingo, outubro 19, 2014

Ciao!!!


Já vou avisando. Não é um livro fácil de ler. É um daqueles que se você for (ou estiver) leitor tipo esponja, vai acabar sendo consumido pela dor enfrentada pelos personagens. Ou somar às suas próprias dores.
Estão avisados?

As batidas perdidas do coração – Bianca Briones – Verus
(2014)
Personagens: Viviane Villa e Rafael Farias

Viviane e Rafael se conheceram no pior momento possível, no hospital, após a informação de que tinham perdido pessoas importantes de forma sofrida e trágica. Eles acabaram se reencontrando e surgiu uma atração entre as pessoas mais opostas possíveis. Ela, uma jovem de família rica e protegida. Ele, um bad boy ambulante que já sofreu antes e sabe que pode não aguentar novas porradas da vida. A dor os apresentou. A dor os uniu. A dor fez com que eles se apaixonassem. A dor poderia separá-los.

Comentários:
  
- Já viu que pelo resumo acima que não será uma jornada fácil para nenhum dos envolvidos, né? Como é dito várias vezes ao longo do livro e inclusive é tema de uma reflexão de Viviane, eles são totalmente inadequados um para o outro. Por toda a dor que sentiam e por todas as diferenças de vida existentes entre eles. E se for um (a) leitor (a) do mesmo tipo que eu, ou seja, dependendo do momento da vida, extremamente “esponja”, também não será fácil para você. Acabou se tornando uma leitura exigente, desgastante e, de certa forma, exaustiva.  

- Vou falar do que eu gostei: gostei de perceber que a autora escreve bem. Porque ela conseguiu prender minha atenção e me fazer insistir mesmo quando outras coisas quase me fizeram largar o livro. Já passei por outros livros onde o jeito da autora escrever, somado a uma trama que não me agradou, renderam ou o abandono do livro ou, desde o Literatura de Mulherzinha, em posts malcriados por aqui. Então, posso dizer sem medo: a autora sabe ouvir os personagens e transmitir o que eles querem contar. Ah, amei também a maior parte das constantes referências musicais, seja nas frases que abriam os capítulos; nas músicas citadas em determinados trechos, sempre com função clara na história e em cantores e bandas mencionadas.

- Agora vou contar do que eu, pessoalmente, não gostei. Quero que vocês entendam isso: leitura é uma experiência extremamente pessoal. Pode ser que um livro não funcione em determinado momento e, em outro período da vida, ele seja totalmente pertinente. Começando pelo óbvio: tenho sérias ressalvas com os personagens estilo bad boy, que entraram em voga com o sucesso do Travis, de Belo Desastre e Desastre Iminente (sim, sei que tem o Belo Casamento, mas a gente vê muito mais da personalidade dele nos dois livros). E quem leu meus comentários sobre os dois livros notou que eu deixei claro que “ele não é para mim”. Em vários momentos, o Rafael me fez ter deja vu do Travis, mesmo que por atitudes diferentes em caminhos semelhantes: o fato de ser pegador, não gostar de repetir garota e de se assumir “como um perigo para ela”, mas não ter como fugir disso; apesar de que os fatores que desencadeiam o sofrimento de Travis são light perto do que acontece com Rafael e, por tabela, com todos com quem ele se relaciona, incluindo Viviane.

- No terço inicial, o livro me remeteu a uma fala do Batman, de 1989: “Tell me something, my friend... You ever dance with the Devil by the pale moonlight?” Porque os personagens desta história, principalmente os protagonistas foram ao inferno, mas sem previsão de retornar. O livro começa com uma perda, com impacto enorme, para os dois. A partir daí, começamos a acompanhar a jornada de ambos, desde o encontro, o reencontro, a atração, as escolhas que são obrigados a fazer, a repressão que sofrem, as decisões que precisam tomar e assumir as consequências. Ok, pela sinopse, a gente poderia prever isso.

- O que eu não poderia prever é que o livro fosse manter esta toada até o fim. Da metade para a frente, há acontecimentos que complicam ainda mais o relacionamento deles. É uma sequência de desgraças, que leva a um desdobramento que fica a um tiquinho da tragédia completa. Senti falta de momentos de verdadeira felicidade entre eles, porque mesmo os momentos felizes tinham um “e se/quando der errado, o que será de mim?” pairando ali. E o Rafael é arrasado. Já vi personagem ser destruído pelas porradas que leva – a Gena Showalter não tem a menor pena dos Senhores do Mundo Subterrâneo, mas ela puxa o freio das desgraças em vários momentos, para dar um momento para a gente e eles possam respirar. Na minha opinião de pessoa que é incompatível com livro onde tudo dá errado em overdose para os personagens (adivinhem por que não leio e não pretendo ler Nicholas Sparks?), faltou um freio no livro. Sério. É desesperadamente excessivo. Não precisava de tanta coisa ruim arrebentando os personagens. Posso resumir assim parte da reta final do livro: “Piora!”. 
“Piora mais!” 
“Piora muito mais!”
“Piora sem limites!”
“... (sem definição do quanto pior está)”. 
Exatamente, praticamente você entrando sozinho e desarmado em uma convenção de dementadores. Não terminei feliz por eles, terminei aliviada por ter acabado e não correr mais o risco de virar a página e topar com outra desgraça. Sim, eu sei que a vida não é um mar de rosas e fofa com todos, mas eu já lido com a realidade nua e crua todos os dias (e posso garantir, sim, muitas pessoas têm motivos pra chorar de ponta a ponta na vida) e na hora de ler busco por um pouco de paz. Não tive aqui.



- Não foi livro para mim. Mas pode ser para você, se você gosta do bad boy, da heroína capaz de superar o próprio sofrimento para salvar uma alma torturada e mais perdida que a dela, de uma sucessão de tragédias até não sobrar nada e que tenta ficar junto mesmo quando tudo indica que seria muito melhor e mais fácil para eles ficarem separados. Viviane intuiu que era cilada e comprou a briga até quando foi possível. Até quando coube a Rafael lutar por ele e por eles.

- Para a Bianca, meu total respeito por conseguir um espaço para publicar a história. E um desafio: espero que, na próxima, o invés das coisas ruins, invista no que de bom pode acontecer a partir de um relacionamento. Se a descida aos infernos rendeu uma história intensa, imagina só quando encontrar aqueles que querem te contar o que pode acontecer no caminho contrário, o da subida aos céus?!

- Links: Goodreads autora e livros; site oficial (Facebook).

Bacci!!!

Beta
Reações:

Um comentário :

  1. Bem, bad boy foi um espécime masculino que nunca agradou-me, principalmente por essa postura de "pegar qualquer garota sem nunca repetir garota", que é muito machista e muito nojenta ao meu ver, sem entrar em detalhamentos maiores pois existem outras tantas queixas sobre esse estilo masculino em meu coração. Eu não tenho queda por um romance com tanta tragédia aos cântaros a todo momento também ...

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