sábado, outubro 04, 2014

Ciao!!!



Confesso que escolhi este livro por causa das duas primeiras frases da sinopse.Todos nós já passamos por momentos difíceis na vida. O que muitos não sabem, no entanto, é que a música pode ser tão poderosa quanto remédios — muitas vezes nocivos — para conseguir superar os problemas.” Atire a primeira pedra quem nunca se apegou a uma música em algum momento da vida.
Então, vocês entendem por que eu escolhi um livro totalmente distante dos romances, né?

A sua playlist pode mudar a sua vida – Dra. Galina Mindlin, Don DuRousseau e Joseph Cardillo – Best Seller
(Your playlist can change your mind - 2012)

Este lançamento do mês da editora Best Seller chamou a minha atenção pelo fato de eu gostar de música. Não sei tocar, nem compor, nem ler partituras, mas gosto de ter sempre música por perto. Primeiro porque meu nome é por causa de uma música italiana,que me acostumei a ouvir mesmo quando não entendia uma só palavra. Volta e meia cito músicas que alguma história me faz recordar.

Ao longo dos capítulos, usando conceitos estudados pelos autores que tem experiência nas neuropsiquiatria, neurofisiologia, neurociência cognitiva, psicologia e medicina clínica e exemplos práticos, eles vão ensinando como o prazer de ouvir música pode te ajudar em momentos que muitas vezes você não esperava. Algumas coisas, muitas pessoas – eu, inclusive – fazem por instinto. Aposto que você tem uma lista de músicas que o fazem sorrir, querer dançar até cansar, motiva para exercícios ou a famosa “vergonha alheia do karaokê ou não importa onde” (tipo isso). Os autores, a partir da experiência acadêmica e prática de cada um, detalham como a gente pode usar este gosto para treinar o cérebro a motivar, superar momentos de tristeza, angústia, ansiedade, a concentrar e desfrutar de momentos de paz e tranquilidade. E ainda tem um capítulo sobre a Musicoterapia Cerebral, algo que eu nunca tinha ouvido falar, mas que, se consegue mesmo os resultados citados (ainda mais na ajuda a combater a insônia), adoraria poder tentar. E segundo os autores, esta forma de treinar o cérebro usando músicas ajuda a evitar o uso de remédios.

Eles fazem uma lista orientando como montar playlists para alcançar objetivos específicos, sempre citando exemplos e indicando listas que podemos usar. Destacam algumas coisas que parecem óbvias: escolher músicas que a gente gosta, catalogá-las conforme a meta proposta, não se importar com a repetição, associá-las com as lembranças que te ajudam. Estou sendo simplista porque o livro me surpreendeu e me sinto na obrigação de tentar evitar “spoilers” para quem se interessou e quer conferir.

Apesar de ter um tema técnico, está longe de ser um livro chato de ler. Ainda mais porque, ao longo da leitura, fiz associações com momentos da minha vida e as músicas que fazem/fizeram parte deles. Não tenho playlists, mas tenho um arsenal no celular para minhas variações de humor e temperamento. Dependendo de como eu estiver, só entrar lá e escolher. Há os momentos de “cisma”, as tietagens explícitas e eternas, aquelas músicas que ressurgem e as trilhas sonoras que nos acompanham, além daquelas músicas que nos salvam. Neste ano, passei por duas situações parecidas de “bloqueio” para escrever textos. A pior parte, não era para o blog. Era a trabalho. Como sempre tive o costume de estudar ouvindo música e por algum tempo da minha vida trabalhei em uma rádio, me acostumei a ouvir de tudo ( inclusive estilos,cantores, cantoras e bandas que eu não gosto). Então para tentar destravar, recorri às músicas. Na primeira crise, o bloqueio não resistiu a, acredite se puder, “Kiss the girl”, do filme A pequena sereia. A segunda, mais recentemente, surgiu a partir de um pedido de socorro para fechar um texto (que se tornou dois) e que só destravou depois de ouvir incessantemente esta música.

Outro momento engraçado é que, quando eu estava no meu primeiro emprego, trabalhava no turno da manhã. Então quando levantava, colocava sempre músicas para ajudar a acordar enquanto me preparava para sair. Teve uma época que eu ouvi esta música da Cássia Eller e #madrehooligan reclamou que era muito agressiva. Aí troquei por essa. Um dia, ela elogiou a mudança e eu expliquei: “É tema de uma cena em Gladiador onde o Russell Crowe sai cortando cabeças e derrubando todo mundo que está contra ele. Eu gosto do filme e vi que a música me ajuda a acordar”. Atualmente, a turma que ouço para ir para o trabalho tem “a favorita da vez”, nesta semana, foi Aretha Franklin cantando Rolling in the deep, da Adele (que também está no celular). Outras opções são: Move it on over (veja quem canta e entenda o motivo); Walk, do Foo Fighters e o Awesome Mix Vol. 1 (a maravilhosa trilha de Guardiões da Galáxia, especialmente a primeira e a última)

E só para encerrar com uma lembrança do “baú afetivo”. Quando eu era pequena, ficava na casa da minha tia para minha mãe trabalhar. Geralmente tomava café ouvindo Rádio Globo, do Rio de Janeiro (é, moro em MG, mas na época, pegava aqui). O Haroldo de Andrade sempre abria o programa dele saudando o ouvinte não importa quem fosse, onde estivesse e o que estava fazendo falando tendo uma música clássica como fundo. Anos depois, reencontrei a música ao descobri-la no repertório de Tchaikovsky, que a essa altura, já era, por outros caminhos, o meu compositor clássico favorito. Até hoje, quando ouço esse trecho do Concerto para Piano nº1, me lembro do tom da voz e da animação que o Haroldo de Andrade queria que seus ouvintes tivessem para encarar o dia.

A música é o atalho da emoção”, é uma das frases usadas na abertura de capítulo do livro. Leon Tolstói. Um que sabia muito bem o que escrevia.


Bacci!!!

Beta
Reações:

3 comentários :

  1. Olá Beta!

    Que saudades daqui!

    Fiquei muito interessada neste livro, mas por causa da sua resenha! Ainda que eu seja completamente louca por músicas, o livro por si só não me atrairia porque não gostei muito da capa e do tom de "autoajuda" que o título tem. Até gosto de livros de autoajuda, mas não gosto muito quando os títulos indicam isso.rsrsrs... Enfim... Mas a sua resenha provocou o meu interesse pelo livro. Creio que darei uma chance a ele.

    As músicas sempre fizeram parte da minha vida. Assim como sempre estou com um livro na bolsa, não posso sair sem meu celular (e só pelas músicas!) e fone de ouvido. Chego a ter um ataque quando o fone resolve parar de funcionar e não encontro com rapidez um local que venda um fone de ouvido substituto. Elas possuem um grande poder sobre mim. E bastante positivo. Até mesmo a música mais triste pode melhorar o meu humor.kkkkkk... Elas me trazem lembranças, me emocionam, me fazem viajar sem sair do lugar, me fazem sorrir, dançar, cantar e, claro, chorar também. Amo músicas! Não consigo imaginar como seria minha vida sem elas.rsrs...

    Bjs!

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  2. Ah, eu não sou de época de playlist, mas de fita K-7, embora eu nunca tenha chegado ao ponto econômico de poder carregar um walkman comigo para ouvir minhas músicas de adolescentes (eu nasci dois anos após pisotearem pela lua), mas ouvia muito minhas músicas em meu quarto, sem fone de ouvido, que era caríssimo. Mais um livro cujo tema você enriqueceu com sua resenha, atiçando minha curiosidade felina por mais uma vez.

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  3. Muito obrigado pela sua resenha. Quando eu vi o livro em destaque numa livraria em Curitiba, logo fiquei interessado pelo tema, justamente por gostar bastante de ouvir música, mas como a Luna já comentou aqui também, o título no estilo autoajuda me deixou com um certo receio se ele realmente valia a pena ou não. Suas impressões positivas me ajudaram a deixar esse receio de lado e encarar o livro.

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