domingo, junho 22, 2014

Ciao!!!



Sim, escolhi o livro pela capa. Não tinha a menor ideia da sinopse. Aliás, nem quando comecei a ler, olhei a sinopse. Mergulhei na leitura.
Tinha uma ou outra ideia de possibilidade sobre a trama.
Errei. Ainda bem!

Belle Époque – Elizabeth Ross – Verus Editora
(Belle Époque: a novel of beauty and betrayal - 2013)
Personagens: Maude Pichon em Paris

França, outono 1888 – verão 1889. Maude, 16 anos, fugiu da vida programada que a esperava em uma aldeia da Bretanha rumo à Paris. Onde poderia ser alguém diferente. No entanto, a vida se revelou muito mais difícil do que ela esperava. Muito trabalho, quase nenhum descanso e nenhuma possibilidade de remuneração decente. Até voltar ao emprego que o orgulho a impediu de aceitar, ser uma repoussoir, uma jovem feia contratada para realçar a beleza de uma jovem de família rica na disputa por destaque e por pretendentes. No entanto, até entender que a dinâmica deste mundo é que tudo está à venda, ela pode se magoar, magoar outros e sofrer e causar sofrimento.

Comentários:

- “Belle Époque” me fez pensar em Moulin Rouge (o filme. Mas meu cérebro ama qualquer coisa que leve a pensar no Ewan McGregor), no pouco que sei sobre Toulouse-Lautrec e em Meia-noite em Paris (Mas meu cérebro está obcecado com qualquer coisa relativa ao Tom Hiddleston – nenhuma novidade, né?. Inclusive gostaria de ver esse filme de novo. Eu ainda não tenho na minha coleção). No entanto, o livro me surpreendeu porque, sim, tem detalhes que imaginei, mas são usados de uma forma que eu não esperava. A história se passa em um período de efervescência cultural e de poder na capital, onde a cidade não tem mais um imperador, se prepara para sediar a Exposição Universal e está construindo a Torre Eiffel (que, para muitos, era uma monstruosidade – graças a Deus – temporária). Um século depois de cabeças rolarem, os ricos continuam ricos e os pobres, pobres e trabalhando pela vida de “fazer nada” dos ricos.

- “Tudo está à venda em Paris, inclusive a beleza”. Maude não consegue uma boa qualificação, os empregos que aparecem exploram a sua saúde, as suas forças e não remuneram bem. O que melhor apareceu foi se tornar uma acompanhante, mas um tipo de acompanhante muito específico, a repoussoir, uma jovem na pior das hipóteses sem graça, na melhor, feia, para destacar as qualidades e virtudes de sua cliente. O detalhe era que o serviço se tornou bem sucedido tamanho o interesse das famílias ricas em quaisquer estratagemas que pudessem garantir a vantagem na disputa pelos melhores partidos, mas era silencioso. Ninguém podia admitir a contratação. Por isso, as moças eram treinadas para saber como agir, como se relacionar e como colocar a cliente em destaque. No entanto, ter a autoestima destruída todo santo dia e conviver com um mundo muito melhor que o delas se revelava uma tentação muito forte com a qual se lidar. Ou então ser rotulada menos do que se é de verdade, a partir de uma exigência social ou padrão físico. As pessoas são humanas. Caem em tentação, cometem falhas, tomam decisões pelas quais terão que assumir as consequências.

- Belle Époque me surpreendeu. No final do livro, concluí que a melhor referência para explicar era comparar com a novela Lado a lado, que a Globo exibiu entre 2012 e 2013. Mais que o romance, o fio condutor da trama entrelaçava amizade e o contexto histórico. A pesquisa da autora é primorosa. E no final, em uma carta para a leitora e o leitor, ela explica que a origem do livro veio de outra obra. Ou seja, amei. Não é igual ao que já vi por aí, nem o que eu esperava. É muito bom ter essas surpresas!


Bacci!!!

Beta
Reações:

2 comentários :

  1. Oi Beta!
    A capa é muito bela, não? Rsrsrsrsr. Amei sua resenha e com certeza entra para minha lista de desejados!
    bjim

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  2. Uma capa lindíssima realmente mas eu não julguei essa jovem sequer como feia e sequer como sem graça !!! Ora, convenhamos: que costume arrogante e egoísta fazer essa espécie de contratação, mesmo chamando-a de dama especial de companhia !!! Eu nunca tinha ouvido falar desse costume, que surpreendeu-me muito !!! Cada idéia sem graça que toda mentalidade humana tem potencial de criar que faça-me favor !!!

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