terça-feira, abril 01, 2014

Ciao!!!


Este post conta uma história de 1 ano e 7 meses! Começou quando eu ainda estava na saga do Mestrado e prevendo que ficaria um tempo sem ler, usei as férias de 2012 para adiantar muitas leituras. E estava no avião, voltando de Fortaleza quando li Promessa de Vingança. Quando o post foi publicado, para minha surpresa, a autora viu a divulgação nas redes sociais e curtiu. Aí eu tive um ataque de leitora-blogueira fangirl surpremo. Porque Alexandra Sellers está entre as primeiras autoras que conheci quando comecei a ler. Agradeci a gentileza dela, trocamos e-mails e eu pedi uma entrevista para o Literatura de Mulherzinha. Só que entre as situações emergenciais que ela e eu precisamos resolver, Alexandra me respondeu em novembro do ano passado (perto do meu aniversário). E só agora, eu consegui traduzir e organizar para estar nas comemorações de 9 anos do Literatura de Mulherzinha. Pois é, uma longa jornada que chega ao final feliz! Porque quando terminei , fiquei tão feliz e percebi que esse tinha que ser o post de abertura do Abril Imperdível 2014.

Todos sabem que sheiks não estão entre os meus personagens favoritos, mas ela tem uma série fantástica que se passa em diferentes países, com personagens interligados... Que começou a ser publicada na extinta parceria NC-Harlequin e teve os mais recentes publicados no retorno da Harlequin. No entanto, algumas histórias ainda estão inéditas até hoje. E eu contei isso para ela, que me respondeu: “Thank you. I'm delighted to be given this opportunity to talk to readers in Brazil. I've had many letters from readers there and it is lovely to know that my books are so appreciated. I'm sorry to learn that not all the Sons of the Desert titles are being published in Brazil, though! I thought they were. Maybe it will still happen” (Obrigada, estou encantada de ter essa oportunidade de falar com as leitoras no Brasil. recebi muitas cartas de leitoras daí e é adorável saber que meus livros são tão apreciados. No entanto, sinto muito em saber que nem todos os livros da série Filhos do Deserto foram publicados! Pensei que tivessem sido. Talvez ainda aconteça). Eu também, dedos cruzados!

Vamos às perguntas. Preparem um tempinho, porque matei todas as minhas curiosidades sobre a série dos sheiks e as respostas valem muito a pena!!!  Vocês vão ficar muito surpresos – e com certeza essa entrevista será a resposta perfeita quando alguém soltar aquele comentário ridículo de que nossos amados livrinhos são fúteis.  Mande quem disser isso vir aqui e ler as palavras da Alexandra Sellers! Algumas referências estão numeradas e virão com as devidas explicações no PS. Assim se bateu curiosidade, basta descer a página e depois retomar a leitura. Vou deixar a pergunta em Português, a resposta original dela e uma tradução livre que eu fiz (portanto, se acharem algo errado, por favor, me avisem).

# Sobre os livros com personagens sheiks:

* O que te inspirou a escrever esse grupo de histórias?
I've been fascinated by the Islamic world since I first read a child's collection of stories from The Thousand and One Nights. When I grew up, I learned that there was a real world behind the magic of those stories and went on to study its history, religions and languages. But I didn't think of using that information as the background for a book until an editor suggested it to me. It was one of those things that is so obvious you can't see it.
(Sou fascinada pelo mundo Islâmico desde que eu li pela primeira vez uma coleção de estórias infantis sobre as Mil e Uma Noites. Quando eu cresci, aprendi que havia um mundo real por trás da magia daquelas estórias e fui estudar suas histórias, religiões e linguagens. Mas nunca pensei em usar essa informação como base para um livro até que uma editora sugeriu. Foi uma daquelas coisas que é tão óbvio que você não
consegue ver.)

* Quando você começou, imaginou que seriam tantos livros relacionados?
Not at all! I started with one book, BRIDE OF THE SHEIKH. And it was so popular my editor asked for more.
(De forma alguma. Comecei com um livro, Bride of the Sheik (1). E foi tão popular que minha editora pediu por mais.)

*Quanta pesquisa foi necessária para escrevê-los? Porque todos compõem um quadro intrincado sobre guerra e dor, paz e amor e como aprender a ser e se sentir parte de uma nação após um período muito triste e muito difícil.
I always like to do a lot of background research for my books and that was no different for the SONS OF THE DESERT series. But I'd already done a lot of that research: I did my undergraduate degree in Persian language and Religious Studies, and that included the Art and Archaeology of the Middle East and Central Asia. I've studied Arabic a little. I also love to travel for research purposes, and so far for these books I've visited Egypt, Israel, Yemen, Iran, Turkey and Morocco—and I hope to do more. Thank you for your appreciation of the human and emotional aspects of my background—I think that these days, sadly, we all know too much about war and the need to rebuild destroyed countries, just from reading newspapers.
(Eu sempre gosto de ter muita pesquisa de base para meus livros e isso não foi diferente para a série Filhos do Deserto. Eu me formei em Linguagem Persa e Estudos Religiosos e isso incluiu Arte e Arqueologia do Oriente Médio e Ásia Central. Eu estudei um pouco de Árabe. Eu também adoro viajar para realizar pesquisas e para estes livros, visitei Egito, Israel, Iêmen, Irã, Turquia e Marrocos – e espero fazer mais. Obrigada pela observação dos aspectos humanos e emocional do meu background – acho que nestes dias, infelizmente, todos nós sabemos demais sobre guerra e a necessidade de reconstruir países destruídos, apenas com a leitura dos jornais.)

* Amei os últimos livros porque tratavam da reconstrução de um país. E tanto os príncipes quanto as princesas eram Árabes. Quando você decidiu que esta trama precisava ser escrita? O que a inspirou sobre esta fase?
I was sickened by the Soviet invasion of Afghanistan and the evil that was done to that beautiful country and its people while the world watched and did little more than arm the wrong sort of resistance and then abandon the country to its fate. That horrible, genocidal war and its aftermath inspired BRIDE OF THE SHEIKH. When I embarked on the first Bagestan story—the SULTANS trilogy—I was thinking of Iraq and wishing that there could be a people's uprising there. Unfortunately there was no people's uprising, just a foreign invasion that has been, in my opinion, very destructive. So the obvious next step was to talk about restoration in Bagestan.
Since then it has all just got worse and worse, and I do feel that something is needed to counterbalance so much bad—and that love is the only answer that ordinary people can bring to bear on the problem. We are now being taught that whole peoples are our enemy, that it is all right for these nations to be destroyed because “they don't like our way of life”. And there has to be some kind of innoculation against that mindset. So frankly, I'm doing my best to be part of a mental position that says, No, I do not accept this blackening of nations, and I will love my neighbour.
(Eu fiquei enojada pela invasão soviética ao Afeganistão e pelo mal que foi feito aquele lindo país e à sua população enquanto o mundo assistia e não fez nada além de armar a forma errada de resistência e então abadonar o país ao próprio destino. Aquela guerra horrível e genocida e suas consequências inspiraram BRIDE OF THE SHEIKH.Quando eu embarquei nas primeiras estórias de Bagestan – a Trilogia dos Sultões(2) – estava pensando no Iraque e desejando que pudesse haver uma insurreição popular lá. Infelizmente não houve, apenas uma invasão estrangeira que foi, na minha opinião, muito destrutiva. Então o óbvio passo seguinte foi falar sobre a restauração em Bagestan.
Desde que tudo ficou cada vez pior e pior, eu senti que alguma coisa era necessária para contrabalançar tanto mal – e que o amor é a única resposta que as pessoas comuns podem dar ao problema. Nós agora somos ensinados que todos os povos são nossos inimigos, que é correto destruir essas nações porque “elas não gostam do nosso modo de vida”. E tem que haver algum tipo de inoculação contra essa mentalidade. Então, francamente, eu estou fazendo o meu melhor para ser parte de uma posição mental que diz: Não, eu não aceito esse escurecimento das nações  e eu vou amar o meu próximo.)
                                   
* UM SHEIK IRRESISTÍVEL (3) é meu livro favorito. Porque você se importou tanto em contar aos leitores que os sentimentos humanos eram importantes para fazer o povo se sentir novamente em casa em Bagestan. Você tem um livro especial na série? Por quê? E haverá mais histórias sobre eles?
Yes, that book is also very special to me, and Princess Shakira appears again in the mini-series I am currently writing, THE JOHARI CROWN. That series is about a people fighting for their sovereignty, like so many people today. I can't tell you how Shakira came into my life, she is one of those wonderful characters who simply appear and ask to have their story told. I never really know where such characters come from, I only know that when they come to me I have to tell their story. Shakira remains very real to me, and she insists on doing more in her world. She will be in at least two more books—a Princess determined to make a difference.
(Sim, este livro é também especial para mim, e a Princesa Shakira aparece novamente na minissérie que estou escrevendo atualmente, THE JOHARI CROWN. Esta série é sobre um povo que luta por sua soberania, assim como muitas pessoas hoje. Eu não posso te contar como Shakira entrou na minha vida, ela é um desses personagens maravilhosos que simplesmente aparecem e pedem para ter sua história contada. Eu realmente nunca sei de onde esses personagens vêm, eu só sei que quando eles vêm a mim eu tenho que contar a sua história. Shakira continua muito real para mim, e ela insiste em fazer mais no mundo dela. Ela estará em pelo menos mais dois livros - uma Princesa determinada a fazer a diferença. )

Amanhã, na parte 2 da entrevista com a Alexandra Sellers, a conversa será sobre o perfil das personagens femininas, dicas para quem gosta de escrever, rever um livro 31 anos depois de escrito, e porque “The answer is Love”.

Bacci!!!

Beta

Como prometido, as referências marcadas no texto:

(1) Bride of the Sheikh: publicado em 1997, marca o ínicio da série dos sheiks, mas ainda inédito no Brasil. Conta a história do príncipe Kavian Durran e de Alinor Brooke

 (2) Trilogia dos Sultões:
The sultan's heir (2001): Atração do Deserto - Julia 1198 - sheik Najib al Makhtoum e Rosalind Lewis
Undercover Sultan (2001): Um sultão em minha vida - Bianca 777 (duplo) - Mariel de Vouvray e Haroun al Muntazir
Sleeping with the sultan (2001): Dormindo com o inimigo - Julia 1175 - Dana Morningstar e sheik Ashraf

(3) “The fierce and the tender sheik” (2005): Um sheik irresistível - Desejo 23 - princesa Shakira Warda Jawad al Nadim e sheik Sharif Azad al Dauleh.

Outras informações: site da autoraGoodreads;  sobre a série neste post e outros livros da autora no Literatura de MulherzinhaImagens das capas brasileiras no Skoob. As capas originais vieram do Goodreads e Fantastic Fiction.

Bacci!!!

Beta

ps.: A fotinho da minha coleção dos sheiks! 



Reações:

2 comentários :

  1. Ai meu Deus! Princesa Shakira de volta! *as Bazinhas piram!!!* ahhhhhhhhh

    Amei, amei, amei!
    Acho que o "Um Sheik Irresistível" foi um dos primeiros livros de banca que eu comprei, uns 200 milhões de anos atrás. A-d-o-r-e-i saber que ela vai aparecer outra vez!

    Baaaaaaaabbbeeeeiii na entrevista, Betinha!
    Louca, louca, louca pela segunda parte!

    \o/ /o/ \o\

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  2. Uma entrevista linda mesmo, com opiniões entre pontos de vista de uma autora que eu não imaginaria sendo colocados com tanta clareza e com tanta sinceridade. Eu adorei todo seu trabalho de pesquisa sobre seus temas de fundo de seus romances !!!

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