sexta-feira, julho 19, 2013

Ciao!!!






A leitura deste livro me promoveu de vez ao título de “a louca que fica gargalhando no ponto de ônibus”. E no pior estilo: aquela que atrai os olhares alheios. Sério. Tem uma mulher que deve estar até agora curiosa do por que eu estava rindo tanto. Se ela tivesse me perguntado, a teria mandado ler o livro.

O projeto Rosie – Graeme Simsion – Record
(The Rosie Project - 2013)
Personagens: Don Tillman e a busca pela Esposa Perfeita

Don Tillman tem 39 anos, professor de genética, um bom emprego, inteligência acima da média. Seria um candidato a marido perfeito se não fosse um problema: várias inabilidades sociais, desconforto com contato físico e um nível de exigência elevado. No entanto, ele está decidido a encontrar uma companheira e, para isso, elabora um método de identificação que vai eliminar quem não atende ao perfil desejado. Neste meio tempo, conhece Rosie e passa a ajudá-la em uma busca que vai fazê-lo rever muitos conceitos pessoais.

Comentários:

“Um questionário! Uma solução tão óbvia. Um instrumento cientificamente válido, com propósito definido, que incorpora as melhores práticas atuais para filtrar as mulheres que são perda de tempo, as desorganizadas, as que discriminam sabores de sorvete, as que reclamam de abuso sexual visual, as esotéricas, as leitoras de horóscopo, as obcecadas por moda, as fanáticas religiosas, as veganas, as que gostam de assistir esportes, as criacionistas, as fumantes, as cientificamente analfabetas e as homeopatas, deixando, do ponto de vista ideal, apenas a parceria perfeita ou, do ponto de vista realista, uma lista mais administrável de candidatas” (p.25)
Da série, “nem preciso dizer que...”
- ... meu teste de compatibilidade com Don deu incompatível, né? 

Ele me excluiu ali em cima em pelo menos duas categorias hahaha
- ... um plano tão brilhante tem todas as chances de dar errado, né???

Don Tillman é um baita de um protagonista. Ele te desperta sentimentos variados – se você for como eu, capaz de oscilar entre organização militar e caos total, vai achar que um homem tão rigoroso e meticuloso só pode ser um chato de galocha. No entanto, à medida que a leitura avança, há, sim, muito charme em meio a tanta complexidade. Por causa de suas convicções, habilidades (ele é inteligentíssimo e dono de uma capacidade de aprendizado chocante – algo que o autor soube explorar muito bem para criar expectativas e, até mesmo, revertê-las ao longo da história) e inabilidades, não tem como não gostar e não torcer por ele. Porque um homem que afirma não ter apego a emoções, mas age como ele agiu com a Daphne é alguém que vale a pena.

- Em uma destas expectativas criadas pelo livro, foi que aconteceu a cena que eu narrei no início, eu tendo crise de riso no ponto de ônibus. O que é um problema porque, geralmente, se eu começar a rir, demoro para parar (sim, deve ter alguma ausência de trava para ataque de bobeira no meu DNA, bem que poderia pedir ao Don para analisar). E não foi um momento isolado. Algumas atitudes do Don te fazem rir porque ele diz coisas que você nunca pensaria em dizer ou você não acredita que alguém faça o que ele fez ou porque reage de forma inesperada em se tratando de alguém tão sério ou porque você está morrendo de vontade de fazer algo igual, mas não tem a personalidade única de Don Tillman.

- O livro é a interessante jornada de considerações, reconsiderações e autodescoberta do protagonista e o caminho para isso é a busca por amor; já que mesmo sendo tão destoante da maioria das pessoas, Don acredita que exista alguém compatível com ele. E aí entra Rosie. E começaram as minhas dúvidas, gostei de algumas atitudes delas (porque as esperava: afinal de contas, ela não estaria no título se não fosse para ter um papel importante na história, né?), gostei de algumas cartas que o autor deixou na manga sobre ela, mas não gostei em determinado trecho – quando sinceramente me peguei pensando porque uma mulher adulta nem sempre consegue agir como tal (longa lista de chicklits já me causou esta mesma reflexão antes, devo dizer). Se Don, do jeito que foi descrito, é um protagonista que a gente nunca – ou quase nunca – viu, já Rosie é a protagonista que volta e meia a gente esbarra por aí.  E pode causar aquela velha sensação de “poxa, não é que ele merecia alguém melhor?”.

- No mais, temos coadjuvantes em diferentes escalas e participações que só contribuem para a gente entender o quanto uma pessoa tão complexa como Don pode, no fim, ser de uma simplicidade que dói. O motivo? A gente sempre perde tempo construindo impressões equivocadas sem um grande conhecimento daquilo ou de quem estamos julgando. E detalhe: é caminho de mão dupla. A gente constantemente está sendo julgado a partir de pedaços, nunca do que podemos realmente ser (já que incluir um “completamente” aqui seria desonesto, porque a insatisfação é algo comum ao ser humano... Viva a terapia da qual me dei alta *em um momento de arrogância escorpiana considerei que já tinha resolvido o motivo da crise e vida que segue...*). Adorei Don por ter me lembrado disso.

- Só para eu me sentir feliz comigo mesma, uma suspeita que tive no início foi literalmente confirmada na reta final do livro...

- Alguns links: Goodreads, site oficial onde tem o Booktrailer.

Bacci!!!

Beta

ps.: Como já foi falado, o livro vai virar filme. Espero que o estúdio tenha juízo na escolha do protagonista. Não é qualquer ator que segura um personagem assim sem torná-lo uma mala sem alça ou cair na caricatura. Tanto que eu ri mais ainda ao ler a carta do autor no final do livro e perceber que pensei no mesmo ator, das antigas e, infelizmente, já falecido, que daria um Don Tillman perfeito (que não é o mesmo ator das antigas citado durante o livro). E desde então estou quebrando a cabeça atrás de alguém que consiga fazer o personagem atualmente. Como a minha condição era – tem que ser australiano (né, gente, afinal de contas, o personagem é australiano, o livro se passa na Austrália, pra que inventar moda???), o Clive Owen foi preterido. Acho que se fosse há alguns anos, apostaria no Russell Crowe (ok, ele neozelandês de nascimento, mas naturalizo-se australiano) – até porque é totalmente distinto do padrão que costumou interpretar na carreira. E depois de tanto rodar, não teve jeito. Vou rezar para o Hugh Jackman ser convidado – ele tem a idade e o físico do personagem e acredito que ele pode fazer o sisudo-que-é-engraçado-sem-ter-a-intenção-de-ser-engraçado. E também porque eu duvido que eles vão arriscar com um ator desconhecido... Tendo ele de chamariz, poderiam colocar uma atriz menos conhecida. Embora minha mente tenha cismado com a Keira Knightley (deve ser reflexo da leitura do livro sobre Jane Austen), não consegui fechar uma escolha para o papel-título.
Reações:

4 comentários :

  1. Beta! Quem ficou doida fui eu agora! Tenho a mania de olhar o que os outros leem no ônibus, procurando de qualquer jeito um trecho, qual o nome do livro, etc. Não sei como as pessoas não me olham O_O por que a curiosidade tão grande? Sobre o filme, eu acho o Russell perfeito pro papel, tenho um filme com ele em que o personagem é muito parecido com o Don, acho! O nome é Um Bom Ano, ele faz par com a Marion Cotillard. Procura que acho que você vai gostar. Adorei a resenha, e fiquei de olho nele desde que vi a capa há algum tempo! Beijos

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  2. Você pensou em qual ator falecido ? Hugh Jackman com Keira Knightley seria perfeito: ele tem carisma para enredar qualquer atriz de qualquer forma !

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  3. O que eu mais gostei foi da falta de desconfiômetro dele. Ele simplesmente não se importava se parecia ridiculo, alias, ele nem sabe o que é "ridiculo". KKkkkkk

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  4. Bem, eu virei a doida que gargalha na sala de reunião antes dela começar. Não conseguia largar o livro, carregava ele prá todo canto e em qualquer oportunidade tava eu lá, rindo! kkkkk

    Não sabia se sentia pena dele ou se achava graça. A história é muito bem construída e tornou uma pessoa altamente problemática em alguém simpático, fazendo a gente torcer por ele e para ele se tocar das coisas!

    Recomendo muitíssimo.

    Bjs!

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