domingo, fevereiro 17, 2013

Ciao!!!




Para quem não me segue nas redes sociais, uma introdução: fiz uma visitinha ao sebo e me surpreendi ao descobrir na prateleira uma coleção praticamente completa de Biancas e SuperBiancas, das antigas. Confesso: guilty pleasure! Resultado: com muita dor no coração (por ter que escolher quais trazer), comprei alguns. E deles, este foi o primeiro que li (já no ônibus a caminho de casa), mas só agora consegui escrever o post para o blog (sim, muita coisa para fazer em pouco tempo dá nisso...).

Inferno em teus braços – Robyn Donald – Bianca 210
(The Guarded Heart – 1983 – Mills & Boom)
Personagens: Alannah Finderne e Nicholas Challoner

Alannah estava de volta à Nova Zelândia após estudar na Suíça. Acreditava finalmente poder namorar com o amor de sempre, David e já conseguia ver o futuro... Planos que foram destruídos ao ser comunicada que se casaria com Nicholas Challoner. Ele queria uma reparação pela morte da esposa e do filho que ela esperava, em um acidente que também envolveu Alannah. Agora, ele tinha o destino da família dela nas mãos: se eles não se casassem, não teria a menor piedade em colocá-las na sarjeta. Alannah aceitou, mas prometeu que ele não teria nunca seu coração. Era apenas o início de uma guerra de vontades, onde, talvez, não haveria vencedor.

Comentários:

- Vamos lá, por que escolhi este livro? Porque já li – e gostei de – outras histórias da Robyn Donald. Porque adoro histórias de vingadores que quebram a cara. E me vi com um abacaxi tamanho monstro nas mãos: porque explicar este livro é dureza.

- Estamos na Nova Zelândia. Imaginem um homem muito poderoso que ficou viúvo de forma traumática e quer se casar novamente. Ok. Para isso, ele escolhe como futura mulher a adolescente (sim, quando eles se conhecem, ela tinha 16 anos) que participou do acidente que matou a esposa grávida dele. Então, para evitar uma negativa, ajuda no endividamento da família dela e se aproveita da morte do futuro sogro para aumentar a dívida. Conta com a conivência e o apoio da sogra. E como cereja do bolo, tira do caminho o namoradinho de infância da garota, oferecendo a ele uma bolsa de estudos remunerada no exterior. Quando a adolescente volta de uma escola para moças na Suíça (que ela não sabe, mas ele bancou), reaparece na vida dela e dá o bote: ou ela se casa com ele e lhe dá filhos ou ele cobraria a dívida e a família estaria na miséria. E deixa claro: ele não a amava, só a escolheu porque ela foi responsável pela morte da família dele. Seria uma compensação pela perda. Uau, quanto amor #not.

“- Você cometeu um erro de julgamento. Se realmente queria me ferir, devia ter me conquistado para depois me fazer viver em um inferno.
- Essa era a minha ideia oficial.
Alannah olhou-o atônita. O belo perfil do marido estava impassível, mas a ironia do sorriso era visível.
- Mas, então, descobri que você tinha um namorado e tive que usar a força.” (p.106)

- Parece lógico para você? Pra mim, isso está longe da lógica. Para Nicholas faz total sentido. Tanto que este é o ponto de partida da história. A partir daí, temos o confronto de duas personalidades fortes: a de Nicholas querendo – e agindo para conseguir – a submissão de Alannah, que casa forçada, mas deixando claro que não o ama, não pretende amá-lo. E para cada ação dele, temos uma reação dela. Fazendo esforço, eu diria que é um livro duro sobre o amor que nasce entre muitos espinhos (a maior parte, plantados e adubados por ambos).

- Caso aconteça e você esteja querendo ler, um aviso: é um livro escrito no início da década de 1980, mas ainda com aquela mentalidade do “o homem é amo e senhor”. Neste caso, Nicholas não fica na ameaça de tomar posse do que pertence – ele faz isso e muitas vezes, afinal, é dever da mulher se submeter ao homem (conforme a mentalidade vigente). E há uma cena um tanto dura e chocante de violência doméstica. (Preciso destacar: pensei na Lei Maria da Penha na hora). Ele a afastou de tudo e de todos sob o pretexto da lua-de-mel, o que faria um bom advogado considerar cárcere privado, talvez, sequestro (não conheço o suficiente de Direito para piar sobre o caso. Teria que mandar o livro para a Andrea estudar kkk). Ele jogava na cara dela a culpa no acidente fatal com a esposa, a dívida que a prendia ao casamento e bla bla bla (pode ser maus tratos?). Ao menos, uma vantagem da Alannah diante de várias outras heroínas-mártires que já li em livros semelhantes: ela discute, ela joga na cara sem pena nem dó que ele foi o causador de toda a situação.

“- Foi você! – ela protestou, incapaz de conter a fúria. – Foi você que me insultou! Casou comigo, me tratando como se eu fosse uma boneca, uma coisa vazia, sem cérebro e personalidade, sem sentimentos, sem desejos! Esse foi o maior insulto! Nunca, nunca o perdoarei!” (p.63)

- No entanto, como precisamos amenizar (afinal de contas, pela moral da época, não era o papel da mulher ter este tipo de força de resistência), ao mesmo tempo, ela é retratada como uma garota pirracenta, que ficou emburrada e lamentando pelos cantos. E para cada momento de resistência, há um momento piti-adolescente (após ficar grávida, ela chega a dizer em alguns momentos – dois, se não me engano – que odiava o bebê. Qualquer mulher lendo isso fica até arrepiada. E leva ao objetivo: diminuir a simpatia pela personagem). Em certo ponto da trama, com o surgimento de uma rival ressentida, os pitis confusos se agravam, ao ponto da heroína prisioneira não saber mais o que quer: se quer reclamar, se quer resistir ou se quer se render ao marido e aceitar a vida de casada.

- Aliás, falta de assunto não é um problema aqui. Acompanhamos pouco mais de 1 ano na vida deles: as diferentes fases e crises no casamento, as brigas (e bota briga nisso) até a redenção do casal (faltando menos de 10 páginas para o fim). Na minha leitura, não pareceu repetitivo. Intenso sim. Chocante, também. Eu não achei divertido, mas serviu para mostrar que, graças a Deus, as coisas mudaram para melhor, seja na vida real ou na literatura que ela inspira.

- Links: Tem posts sobre ele no Doce Romances; Emoções à Flor da Pele (de onde tirei a foto da capa brasileira). Em Inglês, há informações no Fiction DB; no site da Harlequin; no Fantastic Fiction tem página da autora e do livro. Há outros comentários no Goodreads. E a página da autora, ainda em construção (e que me deu um susto). Além disso, veja outros livros dela no LdM.

Bacci!!!

Beta
Reações:

9 comentários :

  1. Oi, Beta!

    ODEIO ESSE LIVRO!!!! Talvez só odeie menos que o Filho do Demônio, da Violet Winspear.

    Sim, você se saiu muito bem para aspirante a advogada! kkkkk Temos aí, extorsão, cárcere privado, estupro, maus tratos, lesão corporal, dentre outros crimes.

    Fiquei em estado de choque quando li. O título faz jus à história: a vida da moça foi um inferno, literalmente. E acho que o perfil dela foi muito bem traçado, afinal ela era adolescente, foi jogada naquela fogueira e de onde ia tirar maturidade prá aguentar?

    Dizer que odiava o bebê não me chocou. Diante das circinstâncias, não tinha de onde vir instinto materno. E que ódio daquela mãe dela!!!! Essa, sim, fraca, interesseira, vil...

    O cara é um psicopata, sem dúvida, mesmo levando em consideração a moral masculina vigente da época. Querer casar com a pessoa que destruiu sua família, ter filhos com ela, falir deliberadamente a família dela para poder tê-la em suas mãos, maltratar, coagir, violar... Eu, hein...

    No final, acho que ela teve síndrome de estocolmo, se apegou ao captor e como não tinha jeito mesmo, resolveu viver a vida.

    Aff... Assustador!

    Isso é literalmente guilty pleasure!!!!

    Bjs!

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  2. Oh, comprar ou não comprar ? Eu fiquei interessada em saber como esse inferno foi mesmo ! Eu devo estar em uma fase carrasca opressora nessa semana ...

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  3. Sil,

    Bota inferno nisso... Coitada...

    Mas acho que a gente deve ler tudo, nem que seja prá pichar com propriedade! Mas cuidado: o grau de crueldade e maluquice do cara é grande... Por vezes fiquei muito angistiada...

    Bjs!

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  4. Andrea

    Como fiquei muito tempo na bolha do Mestrado, confesso que não sabia que este livro tinha um mocinho tão vilão. Embora para o Literatura de Mulherzinha seja ótimo ter tudo quanto é tipo de livro, para mim foi uma tortura ler esse trem.

    Bem deve ter sido meu eu-quase advogada que apontou os crimes (ou o excesso de filmes de tribunal kkk), mas as coisas são tão gritantes ali que nem é tão difícil...

    Beijos

    Beta

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  5. Sil

    Se você quiser, te mando o livro. Passá-lo para outra pessoa tirar as próprias conclusões é melhor que arremessá-lo na lata de lixo mais próxima.

    Bacci!

    Beta

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  6. Ah, céus, Andrea, eu fico assustada assim, mas eu fico curiosa também ! Ela não pareceu ser patológica para apaixonar-se por ele ao final pelo que parece.


    Oi, Beta !!! Saudades de suas postagens-respostas !!! Eu aceito seu oferecimento: mande-me esse livro. Assim faço uma ação boa e mato minha curiosidade !!! ^^


    Afinal, meninas, meu eu-mulher e meu eu-psicóloga foram ativados pela curiosidade por esse livro polêmico. Minha parte juiz também: eu quero julgar esse sujeito !


    Enviarei meu endereço ... ^^

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  7. Sil,

    Já que eu fiz a tipificaçao pena, depois manda a análise psicológica dos indivíduos prá gente! kkkkk

    Bjs!

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  8. Ok, nós temos um trato. Mas eu sou psicóloga existencialista então minha análise psicológica não será tão cheia de técnica como um psicólogo analista faria. ^^

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  9. Por incrível que pareça eu gostei do livro, sempre tenho um pé atrás com essa autora, mas já li bem piores que esse... Não acho que o mocinho tenha feito nada forçado ou contra a vontade da mocinha, que por sinal era uma chata de galocha... há ogros que além de violentos ainda são muito cafajestes, o que torna tudo muito pior, que não é o caso aqui. Concordo que o mocinho quis conquistar a mocinha, talvez os métodos empregados não sejam os mais apropriados, mas enfim, uma coisa que não se pode duvidar é do amor dele por ela... maior prova disso foi a atitude dele no final. Quanto ao tapa, eu acho que quando você entra numa briga tem que se saber quem está enfrentado e medir quais as armas que você tem pra usar, enfrentar um leão com um canivete é bobagem né! **Se fosse apontar pontos negativos da estória eu diria que a questão de um homem feito se encantar com uma adolescente de 16 anos um mês após a morte da esposa que ele dizia amar é bizarro e também o mocinho dizer que nunca tinha sido amante da tal Caroline (que ele mesmo afirma que era linda) também não convence!

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