*** Palavra de Mulherzinha: Do alto da minha vassoura...

Ciao!!!

Espero que seja a última vez que eu escreva sobre isso, embora possa ter certeza de que (infelizmente) não será. Recentemente observei alguns episódios na blogosfera que me chatearam, chocaram e irritaram, não necessariamente nesta ordem. Embora envolvessem uma causa que pode ser considerada nobre - a qualidade dos blogs -, o que incomodou foi a forma como se manifestaram sobre o assunto. Vamos aos tópicos:

1) Comentários isentos: vou falar algo com todas as letras - não existe postagem ou resenha (dê o nome que quiser) isenta. Nem venham com "oooh, novidade". Os comentários nada mais são que opinião pessoal sobre um livro. Opinião essa que sofre uma série de influências: humor, TPM, simpatias e antipatias prévias (pela autora, pelo estilo de história, local onde se passa e, pasme, até nome de personagem). No entanto,  quem lê e - principalmente - quem escreve precisam se dar conta de uma única coisa: não se trata de uma opinião absoluta e irrevogável, nem aqui no Literatura de Mulherzinha, nem em lugar nenhum.
Portanto, caros e caras, cuidado ao generalizar.

2) Parcerias: Seguindo o bonde, citarei um episódio recente (me perdoem por apenas narrar o milagre, sem mencionar os nomes dos santos relacionados):  um blog expôs a opinião negativa a respeito de um livro que tinha recebido várias resenhas positivas de outros blogs. O blog considerou que isso (as várias resenhas positivas) estava condicionado à parceria (e à política da boa vizinhança ou, no popular, fazer bonito) com a editora do tal livro.
Ok, não sou candidata ao título de Pollyanna menina e sei que esse comportamento pode acontecer - cada cabeça, uma sentença. Não posso falar pelos outros, apenas por mim. E eu gostei do livro. Gostei muito, diga-se de passagem. E não acho um crime nem que deva ser presa por isso. O comentário me magoou por causa da acusação generalizada. Quer dizer que meu direito de gostar/ não gostar e de expressar isso será colocado em xeque por causa das parcerias que o blog possui? Então, olhem aí do lado. Caso não tenham notado, o Literatura de Mulherzinha só possui uma parceria: Harlequin Brasil. E eles sabem que eu escrevo o que sinto a respeito dos livros - já fiz elogios, comentários, críticas e até dei pedradas, tudo quando considerei necessário. Por isso, para ficar bem claro: as opiniões no Literatura de Mulherzinha não são ditadas por parcerias, editoras, autoras bla bla bla. Se fosse, nem investiria tanto do meu tempo lendo os livros e pensando no que escrever. Se quem estiver lendo aqui não acredita nisso, obrigada pela visita ao LdM e não precisa voltar.

3) Boom de blogs literários: Realmente houve um boom de blogs relacionados a livros. Sei disso porque cuido de um dos mais antigos dedicados ao tema. E tem para todos os gostos. Volto a bater na tecla de que é necessário conteúdo: não adianta ser arrasa-quarteirão e não ter o que dizer (incluindo aí o "saber como dizer"). Tem que tomar cuidado com o Português, óbvio! E não adianta estratégias de promoção: sem conteúdo, não sobrevive porque não cativa ninguém para frequentar o blog e ser lembrado como uma referência.
E claro que percebo a luta por parcerias seja com editoras e outros blogs, o clima de patrulha e a competitividade negativa. Considero uma bobagem: não vou promover o meu blog debochando dos erros alheios, nem vou ficar me desesperando se não sou recordista de acessos e de seguidores. A situação é muito simples: não faltam livros (novos e antigos, de banca e de livraria) para serem lidos e comentados. Ou seja, trabalho de sobra pra quem quer entrar a bordo. Tive um chefe muito querido que me disse uma vez: "não me preocupo com os outros. Minha preocupação é a gente. Se o nosso trabalho for bem feito, não temos com o que preocupar". Se cada um cuidar do seu, todos ficam mais fortes.
Claro que não vou entrar no mérito do plágio, que é o suprassumo da falta do que fazer. E falo de cadeira, porque já tive resenha minha adotada por aí e "desadotada" quando botei a boca no trombone.

4) Leio romance, sim! E daí?: Até a 8a. série eu estava convicta de que seria professora de Português. Aí aconteceu um problema - a minha incompatibilidade com livros de Machado de Assis. Só gostei de Dom Casmurro. Como que eu teria coragem de mandar alguém ler o que não gosto? Credibilidade zero. Fui caçar outra profissão, aceitei a dica da minha mãe e me tornei jornalista. Moral da história - se não quis ditar o que as pessoas deviam ler de forma profssional, vou mandar como amadora? Fala sério! Quer ler clássicos? Leia! Quer ler auto-ajuda? Leia! Quer ler livros religiosos? Leia! Quer ler só autores brasileiros? Leia! Quer ler os bestsellers? Leia! Quer ler livro de banca? Leia. O importante é ler! Já comentei antes: quem lê se expressa falando e escrevendo melhor, instiga a imaginação e aprende mais. Não sou tapada em achar que um milionário italiano, espanhol ou escocês vai aparecer aqui na minha casa declarando amor eterno - já falei antes sobre isso - e as vezes que tenho que explicar por que leio sempre terminam em um episódio que causa irritação ou vergonha alheia. Estou sem paciência com esse povo que empoleira no altar da dignidade e fica piando certezas lá de cima. Em um país onde as pessoas não são educadas a tratar os livros como amigos e a maioria aonda o vê como algo chato, atitudes esnobes só atraem mais antipatia à causa "vamos formar leitores". Então ignore os preconceitos (os seus e os alheios) e leia! Aprenda a ouvir o "você lê isso???" e dar a resposta adequada à situação, educada ou não, a gosto do freguês. Portanto, hoje, como estou em dia escorpiano malcriado, a quem possa interessar, não vou pedir desculpas por ler romance. Leio sim, quantos quiser, como quiser e a hora que quiser. A vida é minha. O dinheiro é meu. O tempo é meu. Os incomodados que se mudem.

Bacci!!!

Beta

*** Ps.: Para quem não entendeu o motivo do título do post - uma referência à quem se acha superior, veja aqui.

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