quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Ciao!!!

Quem me acompanha no Twitter, já deve ter lido alguma menção ao DVD Sinfônico, lançado no ano passado em homenagem aos 40 anos de carreira de Chitãozinho & Xororó. Foi meu presente de Natal para #madrehooligan. Depois de muito ver e ouvir, de repente, se fez a luz!

Chitãozinho e Xororó não devem ter a menor idéia de quem é Diana Palmer. E imagino que muito menos ela saiba quem eles são. Só que é possível relacionar estes dois universos, que parecem não ter nada a ver.

Quer exemplo?

Bem, eu poderia até dizer que o rancho fundo bem pra lá do fim do mundo fica em Jacobsville. Aquela cidade no interior do Texas onde, aparentemente, nada acontece. De mentalidade conservadora com as criaturas mais traumatizadas da face da terra e point de traficante a vilão que quer dominar o mundo.

Nesta cidade sem igual, sempre tem um moreno (ou loiro) que vive louco de saudade porque meteu os pés pelas mãos com quem não deve e ficou remoendo o veneno das mulheres da cidade. E então, temos uma mocinha que está lá, fazendo de tudo para se convencer e provar que a vida é melhor sem ele. Não adianta inventar paixões para fugir da realidade, a criatura tá lá com um vazio no peito, uma coisa ruim e quase se afogando em uma nuvem de lágrimas no travesseiro.

Aí sempre acontece alguma coisa que faz um ou outro (ou ambos) pedir que Deus ouça a prece e mande de volta aqueles que eles amaram (mas não disseram) e que, por isso, desistiram e partiram, deixando para trás toda uma tristeza sem fim. E o tudo conspira para espezinhar: é o pote vazio de biscoitos caseiros, vestido velho, restinho de perfume e até o fio de cabelo no paletó. Não tem jeito: quando se ama (e faz muita bobagem) qualquer coisa serve para relembrar (tudo de bom e os piores momentos do que foi ruim. Sim, culpa em Jacobsville vai se tornar esporte olímpico com forte competição para definir os medalhistas).

Eu podia dizer tudo isso que vocês entenderiam que se aplica à maior parte dos livros escritos pela autora, mas devo confessar minha lerdeza mental porque demorei a entender que havia uma música perfeita, tipo queijo e goiabada, para explicar o modus operandi palmeriano. Faça uma pausa e tente resumir os melhores e piores momentos de tudo o que você leu dela até agora.

Já fez? Ótimo.

Agora, orgulhosamente, o Literatura de Mulherzinha apresenta: “Cante Chitãozinho e Xororó com Diana Palmer”:

Evidências

Quando eu digo que deixei de te amar
É por que te amo
Quando eu digo que não quero mais você,
É por que te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E de confessar que estou nas tuas mãos
Mas não posso imaginar
o que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Eu me afasto e me defendo de você,
mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou,
Mas depois eu nego
Mas a verdade
é que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
para separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências,
disfarçando as evidências
Mas para que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo,
chega de mentiras
De negar meu desejo
Eu te quero mais do que tudo,
eu preciso dos teus beijos
Eu entrego a minha vida
para você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade,
Que ainda você quer viver pra mim

Então, não fez o click na cabeça de vocês? Na primeira vez em que eu realmente prestei atenção no que estava cantando não acreditei. Por isso, vou detalhar.

“Quando eu digo que deixei de te amar, é por que te amo.
Quando eu digo que não quero mais você, é por que te quero.
Eu tenho medo de te dar meu coração e de confessar que estou nas tuas mãos”

Não cabe perfeitamente como a confissão do homem-cavalgadura turrão (aquele que não sabe o que quer) para a mulher sofredora inexperiente (aquela que quer o que não sabe – e, pior, morre de medo disso)? Quantas e quantas vezes não reclamei aqui no LdM das desculpas dos mocinhos topeiras da autora, que cometem barbaridades contra a autoestima da vítima, digo, mocinha e depois aparecem dizendo aquilo ali: “ah, eu te tratei mal porque te amava”, “na verdade, eu fiz isso mas me sentia casado com você”. Sim, você já leu um livro onde a criatura fala uma coisa, faz outra e sente algo totalmente diferente – e coitada da pobre que precisa intuir tudo isso – e sempre fracassa. Resultado, ela paga o pato – é costuma ser muito caro!

“Eu me afasto e me defendo de você, mas depois me entrego.
Faço tipo, falo coisas que eu não sou, mas depois eu nego.
Mas a verdade é que eu sou louco por você. E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais para separar as nossas vidas”

Aí quando ele se dá conta da bobagem que fez, corre para tentar reverter o prejuízo. Geralmente, mil páginas depois, depois do cavalgadura sambar o miudinho e o pancadão em cima da pobre e após uma quase-tragédia que impulsiona o tranco que provoca “clareamento de consciência turva”. Ou, se preferir: “desempaca a mula”.

“E nessa loucura de dizer que não te quero,
vou negando as aparências, disfarçando as evidências
Chega de mentiras, de negar meu desejo.
Eu te quero mais do que tudo, eu preciso dos teus beijos.
Eu entrego a minha vida para você fazer o que quiser de mim.
Só quero ouvir você dizer que sim”

Até chegar neste estágio, haaaaaaaaaaaaaaaaaja paciência e nervos! O humor já subiu no telhado e está uivando pra lua. E tome resenha malcriada!
Ah, se sobrou alguma dúvida, olha o encerramento da música:

“Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade,
Que ainda você quer viver pra mim”

Ele não quer viver com a mocinha, nem que ela viva com ele – no fundo, o pedido se resume ao carinho e adulação ao ego do cavalgadura: “que ainda você quer viver pra mim” – ele não admite o contrário.

Gente, sério, Evidências deve ser o hino de Jacobsville, que os cavalgaduras cantam com emoção e dor no coração e talvez uma lágrima (de crocodilo, eles são duros na queda e perigosos, esqueceu?).

E aí, o que vocês acham? Se for delirante demais, atribuam ao excesso de vezes que vi Sinfônico (tietagem de #madrehooligan à parte, o DVD é muito bom!).

Bacci!!!

Beta

Reações:

9 comentários :

  1. kkkkkkkkkkkkkk...


    Beta, como eu ri com esse post!rsrsrs... Adoro a música "Evidências" e agora irei sempre pensar nos "cavalos" da DP quando a ouvir, apesar de ainda não os ter conhecido. Falta coragem para isso ainda.rsrs... Só li dois livros dessa autora e eles até que foram leves.rsrs... Mas já li muitos comentários sobre os cavalos da autora. Suficientes para que eu morra de medo deles.kkkk...

    Bjs!

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  2. Confesso que não escuto Chitãozinho e Xororo mas depois do seu post me identifiquei e não é que vc tem toda razão, acho que a música e os livros da Diana Palmer casaram perfeitamente. Que loucura!!!kkkkkkk

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  3. Como combinou com os 'mocinhos', agora quando ouvir a música vou lembrar dos 'mocinhos'!!!!

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  4. Oi, Beta!!!!

    Só você mesma!!! Não me canso de admirar a sua capacidade criativa e todo o elogio que eu fizer é pouco!!!

    Esta resenha está perfeita, grande sacada! A Harlequin deveria te contratar para fazer a divulgação dos livros: primeiro o pout pourri de sambas de enredo e agora o sertanejo da Diana Palmer.
    Quem não ficar com vontade de comprar os livros não tem imaginação!!!

    Parabéns, você é fantástica!

    Beijos!

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  5. Perfeito, Betinha! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, adorei!

    Adiciona o Montana Gril, grife de carne do CH & X. E viva!

    Bjs!

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  6. Que dizer, criaturinha ? ^^ Seu post foi soberbo ! Entretanto eu sou uma chatinha implicante de galocha e sombrinha, que não irá mesmo ler Diana Palmer e seus jumentos bípedes qua fariam mal aos meus nervos, principalmente porque eu veria esses dois cantores voz de taquara rachada, feios como um ogro, à minha frente agora ! ^^

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  7. Beta,

    Chorando de tanto rir com o seu post, e não é que vc tem toda a razão! kkk.
    A música caí como uma luva para os cavalos batizados de Jacobsville.
    Deveríamos mandar esse post para a Diana Palmer, ela com certeza ia amar ! kkkkk

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  8. Oi Beta!

    Eu ri muito e concordo com você a conexão é forte e bem explicável!

    Como as meninas disseram acima, nunca mais ouvirei "Evidencias" sem lembrar dos nossos ogros favoritos...rs

    Bjos
    Mara

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  9. Que tuuuudo, Beta!!!! Perfeito, perfeito, perfeito!!!!!! Post show!!!Eu, que não gosto de sertanejo, já peguei a música pra colocar no meu celular, hehe!

    =)

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