quarta-feira, outubro 12, 2011

Ciao!!!

Foto com meu vestido de "Clara Nunes" e evidência de minha patofilia ^^

Como cada um(a) de nós tem uma relação com a leitura construída em bases próprias, peço um pouco de paciência para falar sobre minha jornada. Eu aprendi a ler com as histórias em quadrinhos – sabia várias aventuras da turma da Disney. Amava os Escoteiros Mirins e a intrépida equipe de A Patada (Donald e Peninha jornalistas :D). Então, pulei para os contos de fadas, o que começou a construir o meu imaginário sobre príncipes. Pouco depois que meus pais se separaram, ganhei vários livros infantis – imagino que ainda estejam guardados até hoje, porque nunca teria coragem de jogá-los fora. Depois isso se consolidou com os desenhos da Disney e as incontáveis comédias românticas.

Quando comecei a ler “livros com mais páginas”, fui para a Coleção Vaga-Lume, onde os heróis eram sempre adolescentes ou jovens envolvidos em alguma aventura extraordinária que mudaria suas vidas – uma estratégia brilhante para convencer as mentes dispersas e teimosas em formação de que os livros são amigos, não comida de traça. Os livros do Marcos Rey (Um Cadáver ouve Rádio, O Rapto do Garoto de Ouro, O Mistério dos Cinco Estrelas, Sozinha no Mundo) e da Sílvia Cintra Franco (não fica feio confessar que sabia de cor e salteado Aventuras no Império do Sol, porque a história se passava com um grupo de amigas que jogava vôlei – exatamente o que eu fazia na época!!!) eram – e são ainda hoje – os meus favoritos.

E a partir daí, para os romances, foi um pulo. Acho que não consigo descrever a sensação de ler Os três mosqueteiros de Alexandre Dumas pela primeira vez. Cheguei ao ponto de saber onde estavam os livros na Biblioteca Municipal mais rápido que os funcionários. O passo seguinte foi começar os romances para “adultos” (minha prima pediu permissão à minha mãe para começar os assaltos, digo, empréstimos ao acervo da estante dela); os primeiros que li sempre se passavam em algum reino europeu, repleto de amores impossíveis pelas intrigas e inveja alheia e a interferência de vilões em diferentes níveis de maldade. Com o tempo, passei a me aventurar nos contemporâneos, em outros países, sobrenaturais, mais dramáticos, mais humor...

Neste meio tempo, me tornei madrinha e recomecei o ciclo, dando livros de presente: os mastigáveis, de pano, para tomar banho, com barulhinho, desenhos enormes e poucas frases, com mais palavras, muitas páginas de texto e sem desenho nenhum, vários livros encadeados por uma história comum. Até ouvir o pedido mais lindo do mundo: “Queria ler O Morro dos Ventos Uivantes e Orgulho e Preconceito...” (sim, uma conseqüência POSITIVA da série Crepúsculo!) Fiquei tão orgulhosa que comprei edições bilíngües ^^

Ah, claro, desisti do Direito e vi que não tinha como ser a única professora de Letras que não gostava de Machado de Assis e fui adotada pela Comunicação Social. Até criar o meu blog e começar a falar sobre isso com outras almas que estivessem vivenciando experiências semelhantes.

Por isso, não menospreze o poder de um livro. Pode não ser tão vistoso quanto a boneca de roupa brilhante, o videogame última geração (nunca tive um videogame, nem mesmo um Atari. Não morri.), as traquitanas tecnológicas que suas crianças ou pré-adolescentes querem porque os coleguinhas têm (sou uma pessoa meio avessa ao celular, não tenho smartfone e ainda não achei utilidade pra um tablet na minha vida). No entanto, o livro (uma coleção deles ou mesmo HQs) é o mais democrático dos presentes: tem de todos os preços e para todos os gostos. Porque, afinal de contas, para ser um gênio no futuro, precisamos aprender a exercitar a imaginação – algo que anda muito em falta neste mundo pasteurizado, onde o ter vale mais que o ser e reconhecer o que apenas é parecer é um grande desafio – ou uma armadilha, onde você despenca sem ver e saber.

Bacci!!!

Beta
Reações:

5 comentários :

  1. Olá, Beta!
    Tua história com os livros tem muito em comum com a minha... inclusive já escrevi sobre ela em meu próprio blog. É muito bom poder compartilhar essas histórias e mesmo perceber como elas podem, pelo menos até certo ponto, se repetir. Fazemos isso quando, como dizes, repetimos com os novos outros as boas experiências que antigos outros nos proporcionaram.
    Feliz Dia das Crianças!
    Bjo, Bianca

    ResponderExcluir
  2. Post lindo, de verdade.

    Sua história é muito parecida com a minha, mas eu não aprendi a ler com HQ. Aprendi a ler tão cedo que não me lembro de não ler, e ganhei os primeiros livros (eram 3, me lembro até hoje) com uns 5 anos de idade, e todos com TEXTO. Eram Cinderela, João e Maria (A Casinha de Chocolate) e Branca de Neve. Devorei num segundo. Branca de Neve era uma edição linda, me lembro do cheiro do papel até hoje.

    Também adorava a Coleção Vagalume e Pedro Bandeira. Era rata de biblioteca desde a 1a. série (minha escola, pública, tinha uma biblioteca que só hoje percebo como era completa). Acho que li praticamente tudo que eles tinham. Mais tarde era rata das biblios das cidades onde vivi e me identifiquei quando vc disse que achava os livros antes dos bibliotecários, porque eu tb era assim! HAHAHAHAH Minhas fichas eram extensas. :P

    Olha, eu acho que o mundo seria tão diferente se mais gente tivesse a visão que nós temos, que nossos pais tiveram. E seria tão melhor também. Além de educação, no sentido de ser polido, o que mais falta a esse povo é cultura.

    Livro de presente pra criançada JÁ!(Também não tive nenhuma dessas traquitanas e fui uma criança feliz, apesar de hoje adorar uma tecnologia... mas tudo é questão de bom senso.)

    Belíssimo post, beta! Amei. bjs!

    ResponderExcluir
  3. Beta!
    A-d-o-r-e-i seu post!

    Acho que sou uma das exceções das viciadas. Veja, quando era criança adorava as revistinha em quadrinho que via na banca, mas dinheiro para compra-las era algo que não tinha. Então para lê-las, só mesmo da coleção do meu irmão e depois de muito gastas, quando estava de férias na casa do meu pai (longa história, não vem ao caso).
    Quando entrei para a escola não tinha lá muito tempo livre. Tinha que dar conta das matérias, ajudar na casa e cuidar da minha irmã menor. Só fui descobrir as bibliotecas quando estava na sexta série e lembro muito bem do primeiro livro lido por puro prazer. Foi “O Escaravelho do Diabo”, seguido por “O Exorcista”! Aluciante!, era só o que eu conseguia pensar quando ia devolver os livros e comecei a fazer amizades com as bibliotecárias. Lembro da Vitória até hoje, que sempre reservada um livro que já tinha lido e que sabia que eu ia gostar!
    Hoje em dia é tão triste ver crianças dizendo que não gostam de ler, que é “not cool”. Podem saber montar e desmontar um Ipad em dois segundos, mas parecem não ver o prazer absoluto de viajar pelos mares da imaginação, acompanhadas dos personagens mais incríveis, excêntricos e apaixonantes que só os livros nos trazem.
    Ao menos para mudar isso serviu Crepúsculo! Cada vez que vou à Saraiva dou de cara com uma Crepúsculiana comprando mais um título e mais um título e entrando para o grupo das viciadas. E, quem sabe, daqui uns anos, serão nossos filhos que estarão nos blogs dessas Crepusculianas comentando sobre como começaram a ler! #Oremos

    ResponderExcluir
  4. De verdade, me emocionei com seu post e com os comentários das outras pessoas!

    Li os mesmos livros que você, aliás acho que li a coleção "Vagalume" todinha. Li também aquela outra coleção "Para gostar de ler", livros fininhos de crônicas. Eram adoráveis.
    No começo não gostava de ler, lembro que meu primeiro livro foi Ubirajara, achei bem chato. Éramos obrigados a ler literatura brasileira que tinha uma linguagem mais arcaica e difícil de entender.
    O primeiro livro que me apaixonei de verdade foi "As filhas do Dr. March" que deu origem ao filme "Adoráveis Mulheres". De lá pra cá não parei mais.
    Amo ler, aliás, sou viciada em leitura e graças à Deus, transferi meu amor pelos livros aos meus filhos.
    Acho que além de Crepúsculo, outra coleção que incentivou o interesse por leitura pela garotada foi Harry Potter. Eu mesma sou apaixonada pelo bruxinho.
    Parabéns, post lindo!
    Bjs

    ResponderExcluir
  5. Eu comecei a querer saber ler pelas revistinhas em quadrinhos, o que aconteceu quando eu aprendi a ler com sete anos (muito tradicional !) apenas. Então comecei a ler conto de fadas, que eu conhecia pelo contar de meus disquinhos de historinhas apenas. Então fui para Monteiro Lobato diretamente, com seus enredos e personagens ótimos de Sítio do Pica Pau Amarelo. Então nunca mais parei, lendo o que era de meu gosto ou o que era ordenado pela minha escola. Ler: meu dom mais aplicado ! ^^

    ResponderExcluir