domingo, julho 17, 2011

Imagem retirada do Menina da Bahia


Este livro chegar até a minha mão foi uma conjunção de fatores: o título e a capa chamaram a atenção do meu radar Beatlemaníaco júnior. Ele recebeu comentários positivos de algumas amigas minhas. E, por fim, ganhei 20% de desconto em uma livraria, fui ver o que poderia levar e estava com outro livro na mão quando o vi no canto de uma prateleira na altura do meu joelho. Não teve jeito: o outro livro ficou para depois.

Lonely Hearts Club – Elizabeth Eulberg – Intrínseca
(The Lonely Hearts Club – 2010)
Personagens: Penny Lane Bloom, garotas do Lonely Hearts Club e meninos da McKinley

Tinha sido um verão difícil. Sem a menor piedade, Nate havia partido o coração de Penny Lane e ela decidiu não mais namorar durante o ensino médio e resolveu fundar o Lonely Hearts Club. O que era para ser o clube de uma garota só acabou se tornando ponto de encontro de um grupo, que também perdeu a paciência com a cota de decepções provocadas pelo lado negro da força – os meninos. E se tornou algo muito maior do que Penny Lane poderia prever: ganhou a antipatia de algumas criaturas, reforçou laços de amizade das garotas e poderia finalmente prepará-las para os relacionamentos que elas, claro, não pretendiam ter...

Comentários:

- Depois de uma grande decepção, Penny Lane decidiu não namorar mais. Inspirada pelos únicos rapazes que nunca partiram seu coração – John, Paul, George e Ringo – criou o Lonely Hearts Club que tinha a meta de a) afastá-la de namorados otários b)curtir as vantagens de ser solteira c) concentrar-se nela mesma. Na retomada das aulas, outras garotas na mesma situação se uniram ao clube: a antiga amiga Diane (que a ignorara depois de arrumar namorado e queria recuperar os últimos 4 anos perdidos) e atual melhor amiga Tracy (que demorou para desistir da “essência do mal”). Com o tempo, o clube começa a chamar a atenção, a tornar-se popular entre algumas meninas, impopular entre os garotos (que se queixavam de serem excluídos) e desprezado por outros alunos. O LHC ganha corpo e estrutura que Penny Lane não imaginou ao criá-lo e alcança repercussões imprevisíveis – e o mais legal de tudo: ensina as garotas a serem elas mesmas, desenvolverem suas personalidades sem depender de alguém para isso. Claro que nem todos entendem. Meninos desprezados, meninas invejosas, pessoas dispostas a criar intrigas (que rendeu uma cena que eu amei!) No fim, o Lonely Hearts Club ensina que a amizade é uma forma ótima de superar a solidão e enfrentar a vida.

- Mas nem todos os garotos são a “essência do mal”: temos os bons e maus exemplos disso na trama. Com o tempo, Penny Lane e as amigas aprendem a discernir o joio do trigo. Claro que o caminho da protagonista vai ser um pouquinho mais atribulado porque ela precisa superar o trauma (Tudo bem, vou começar a ser uma pessoa superior a partir deste exato momento. Foi uma cena em que eu gargalhei – total afinidade com meu eu escorpiano no mode turbo.) e ainda não tem o feeling para entender mais que a aparência de certos tipos de situações. O fato é que a evolução das meninas permite o aperfeiçoamento do clube.

- E nota para os pais de Penny Lane – beatlemaníacos convictos, seguem o estilo de vida dos rapazes de Liverpool como se fosse religião (o que inclui batizar as filhas com os nomes de músicas do grupo, renegar bandas covers, hábitos alimentares, etc) e estão presentes nas vidas das filhas – o que inclui os clássicos e tradicionais momentos “minha família me mata de vergonha” – ao ponto de comprarem a briga do clube e apoiá-lo quando necessário (ok, o pai dela tinha a convicção de que era um “Clube dos Beatles” kkk) E os rapazes de Liverpool estão tão presentes que Penny Lane diz que deveria odiá-los, mas era mais fácil conviver com eles e usa diversas referências às músicas para explicar seu estado de espírito. Os Beatles são a melhor tradução e caminho para entender a alma adolescente dela (atire a primeira pedra quem não fez algo semelhante com Legião Urbana, trilhas de cinema, os próprios Beatles ou tudo junto misturado!).

- Livro bem legal que me permitiu lembrar algumas das minhas aventuras durante a adolescência (na verdade, nem foram as tentativas de relacionamentos amorosos, lembrei mesmo do bullying e de como o resolvi *evil Beta mode on*, além da eterna pressão minha e alheia para ser a Srta. Perfeita – que precisei de terapia para superar e de muita força de vontade para não ter recaídas...) e daquela regra que todo livro de auto-ajuda costuma trazer: quando você se ama fica mais fácil para ser amado pelos outros.

- A autora tem site oficial. E no blog The Compulsive Reader (que poderia ter sido outro nome genial se este blog não se chamasse Literatura de Mulherzinha) há uma entrevista com ela. A versão brasileira é da Intrínseca.

- E o que me interessa: quem quiser saber mais sobre Os Beatles recomendo este site em Português. Assunto de sobra para pesquisar. E mais diretamente relacionado ao livro, recomendo o Wikipedia (sim, parece confiável) sobre o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Bacci!!!

Beta

ps.: Texto escrito com a trilha Sonora de sucessos de diferentes fases dos Beatles kkk
Reações:

2 comentários :

  1. Uma peninha eu ter de confessar por escrito o que não cairia muito bem para muitos ouvidos, mas eu não gosto de Beatles. Talvez de uma ou outra canção, mas deles não.

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  2. Beta,
    Suas resenhas são fantásticas. Sempre me deixam querendo ler os livros que vc comenta. Seja os que te agradam e os que não.

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